Não, sério, eu to bem.
Eu to é com saudade. Mas é saudade do que não volta mais.
Momentos morrem assim como pessoas morrem também.
E pessoas morrem todos os dias em nossas construções ideais. Porque são pessoas, não são telas de projeção.
E esses erros sempre vão nos acometer. São nossas necessidades gritando alto, pedindo pra que ajustemos a realidade a nossa favor.
Se apaixonar por alguém é altamente fácil, sobretudo quando as duas partes querem estar apaixonadas. Mas amar... Amar é difícil, requer dedicação que as vezes não temos nem conosco.
E as vezes, por mais que exista amor, ele implica em algo com o qual não somos capazes de lidar em determinadas circunstâncias ou fases da vida.
Ei, menino!
Você é lindo! Você tem nas mãos todas as ferramentas necessárias pra ser quem você quiser. E é exclusivamente você quem vai determinar quem quer ser.
Obrigada por todos os momentos sinceros. Obrigada por ter se preocupado comigo e ao mesmo tempo ter me ensinado a me preocupar com alguém (que fico feliz que tenha sido você).
Eu precisava aprender que esse tipo de felicidade existe sim.
Me desculpa por não saber lidar com tantas questões, por ser impaciente, por ser imediatista (como você sempre me disse) e principalmente por ser tão orgulhosa quanto você.
Vamos guardar conosco aqueles sorrisos, aqueles beijos, aquelas caminhadas até o metrô. Vamos lembrar das madrugadas que passamos acordados sonhando com a presença física que sempre nos fez tanta falta. Das nuances da luz do quarto causadas pela cortina vermelha. Aliás, eu lembro até das estampas dos lençóis das camas. Sem nenhuma dúvida, derramarei uma lágrima toda vez que passar por aquele pedaço da avenida. Mesmo que daqui dez ou quinze anos, construam qualquer outra coisa no lugar daquele pequenino hotel.
E das tardes alegres que passávamos antes de nos darmos conta de todas as dificuldades que a vida nos traria?
O primeiro ''eu te amo'' verdadeiramente significativo em toda minha curta existência, contido nas letrinhas miúdas da tela do celular.
Ah, menino, como te amei, como dói que não tenha dado certo mesmo depois das desgastantes tentativas.
É, foi amor. Mas vamos torcer que tenha sido só o primeiro. Sem culpa, sem mágoa.
Vamos carregar pra sempre as brincadeiras, as lágrimas e os objetivos compartilhados. Mas, sobretudo vamos guardar seguramente o que aprendemos um com o outro e com o que vivemos.
Eu me comprometo a lembrar disso tudo pra sempre com todo carinho. Repito, é um compromisso.
E quanto a minha promessa, não se preocupe, continuarei sempre a honra-la. Nem perca seu tempo me pedindo pra ir embora. Eu estarei aqui. Mas não como sempre estive antes.
Não dá pra ficar e almejar que um dia você volte, mas também é impossível não estar aqui pra tudo que precisar.
Não somos mais um do outro, mas fomos. E essa é a dívida que tenho contigo: ser sua amiga, mesmo que bem distante.
Seja feliz, voe o mais alto que puder e continue a se cuidar, como sempre fez.
''And I wonder when I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I'll ever ask of you
You've gotta promise not to stop when I say when... ''
domingo, 23 de dezembro de 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O outro
Falta de sensibilidade e empatia, sobretudo na instituição familiar, me causa ânsia de vômito.
Seria pretensão demais esperar que quem está calejado e viciado em maus costumes compreenda a gravidade que tem um julgamento.
O outro sempre será mal visto e sempre terá problemas menores, menos disposição, menos capacidade, menos...e sempre menos.
Engraçado como, eu mesma, já resolvi os problemas das pessoas ao meu redor mais de cem vezes dentro da minha própria cabeça. No entanto, não consigo resolver os meus próprios. Irônico, não?
A vida do outro é sempre facilmente solucionável, enquanto a nossa própria não tem solução. O outro sempre está numa situação mais favorável e apenas ele próprio não enxerga.
Porém, se o outro tem o mesmo problema que eu, aí sim merece ser respeitado. Mas apenas se for o mesmo problema que eu. Nem mais e nem menos, apenas na medida que se iguale a mim.
O outro é sempre menos, porque o outro não sou eu, correto?
Afinal, Narciso acha feio tudo que não é espelho.
Seria pretensão demais esperar que quem está calejado e viciado em maus costumes compreenda a gravidade que tem um julgamento.
O outro sempre será mal visto e sempre terá problemas menores, menos disposição, menos capacidade, menos...e sempre menos.
Engraçado como, eu mesma, já resolvi os problemas das pessoas ao meu redor mais de cem vezes dentro da minha própria cabeça. No entanto, não consigo resolver os meus próprios. Irônico, não?
A vida do outro é sempre facilmente solucionável, enquanto a nossa própria não tem solução. O outro sempre está numa situação mais favorável e apenas ele próprio não enxerga.
Porém, se o outro tem o mesmo problema que eu, aí sim merece ser respeitado. Mas apenas se for o mesmo problema que eu. Nem mais e nem menos, apenas na medida que se iguale a mim.
O outro é sempre menos, porque o outro não sou eu, correto?
Afinal, Narciso acha feio tudo que não é espelho.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
365 dias
Mãe, me perdoa. Me perdoa por não conseguir ficar tão bem como você me pediu. Eu sei, você me queria forte, me queria sorridente, me queria de cabeça erguida.
Eu mesma achei que superaria facilmente a sua falta, mas é impossível.
Lembra quando, na escola, as outras crianças diziam que queriam ter uma mãe igual você? Uma mãe ''doidona'', uma mãe boazinha, divertida?
Hoje quando falo de você pros meus amigos, a maioria lamenta por não ter te conhecido e os que conheceram, lamentam o que aconteceu.
Tem gente, que nós duas sabemos, diz sentir saudade por pura demagogia. Mas você sabe melhor que eu sobre as verdades e mentiras desse mundo.
Desde que você se foi, eu sonhei muitas vezes com você. Alguns sonhos foram lindos, outros foram terríveis.
Nos primeiros dias logo após você partir, eu sonhava com você triste e doente e quando acordava, me perdoe, mas sentia alívio por não estar mais aqui sofrendo.
Hoje em dia, me perdoe outra vez, mas sonho com você e acordo lamentando por não estar mais aqui, nem saudável, nem doente, nem por alguns dias, nada. Não tem você aqui.
Me perdoe pelo meu egoísmo, mãe. Era horrível aguentar aqueles procedimentos médicos pra manter sua última centelha de vida, mas agora é horrível pensar que NADA mais pode ser feito. Me despedaço quando penso que nada vai te trazer de volta.
Nos primeiros dias, todos me falaram palavras bonitas, me abraçaram e pareceram até realmente me compreender. Mas mãe, é pura crueldade, pois passado um mês, ninguém sequer lembrava. Agora então, depois de um ano, tem gente que simplesmente exige que eu esteja recuperada.
Por isso eu te peço, mãe. Me perdoa, pois sutilmente minha vida foi desmoronando na tua ausência. Ainda que poucos tenham notado, foi ficando cada vez mais difícil suportar as lembranças tristes e a saudade dos momentos felizes.
Mas mãe, veja! Eu estou aqui. Levando tombos, esbarrando nas paredes das dificuldades, mas eu sobrevivi. E pode ter certeza de que vou continuar percorrendo o mesmo caminho, sem desvio, sem atalho, porque sei que é a sua vontade.
Eu sei, é difícil me reconhecer assim, aos prantos. Logo eu que sempre me fiz de durona... Mas acredite, só quero continuar acreditando que onde quer que esteja, você está bem. Só assim ficarei bem.
Esteja em paz, mammy, que enquanto você descansa eu honrarei a sua passagem por aqui.
Obrigada por tudo.
Te amo.
Eu mesma achei que superaria facilmente a sua falta, mas é impossível.
Lembra quando, na escola, as outras crianças diziam que queriam ter uma mãe igual você? Uma mãe ''doidona'', uma mãe boazinha, divertida?
Hoje quando falo de você pros meus amigos, a maioria lamenta por não ter te conhecido e os que conheceram, lamentam o que aconteceu.
Tem gente, que nós duas sabemos, diz sentir saudade por pura demagogia. Mas você sabe melhor que eu sobre as verdades e mentiras desse mundo.
Desde que você se foi, eu sonhei muitas vezes com você. Alguns sonhos foram lindos, outros foram terríveis.
Nos primeiros dias logo após você partir, eu sonhava com você triste e doente e quando acordava, me perdoe, mas sentia alívio por não estar mais aqui sofrendo.
Hoje em dia, me perdoe outra vez, mas sonho com você e acordo lamentando por não estar mais aqui, nem saudável, nem doente, nem por alguns dias, nada. Não tem você aqui.
Me perdoe pelo meu egoísmo, mãe. Era horrível aguentar aqueles procedimentos médicos pra manter sua última centelha de vida, mas agora é horrível pensar que NADA mais pode ser feito. Me despedaço quando penso que nada vai te trazer de volta.
Nos primeiros dias, todos me falaram palavras bonitas, me abraçaram e pareceram até realmente me compreender. Mas mãe, é pura crueldade, pois passado um mês, ninguém sequer lembrava. Agora então, depois de um ano, tem gente que simplesmente exige que eu esteja recuperada.
Por isso eu te peço, mãe. Me perdoa, pois sutilmente minha vida foi desmoronando na tua ausência. Ainda que poucos tenham notado, foi ficando cada vez mais difícil suportar as lembranças tristes e a saudade dos momentos felizes.
Mas mãe, veja! Eu estou aqui. Levando tombos, esbarrando nas paredes das dificuldades, mas eu sobrevivi. E pode ter certeza de que vou continuar percorrendo o mesmo caminho, sem desvio, sem atalho, porque sei que é a sua vontade.
Eu sei, é difícil me reconhecer assim, aos prantos. Logo eu que sempre me fiz de durona... Mas acredite, só quero continuar acreditando que onde quer que esteja, você está bem. Só assim ficarei bem.
Esteja em paz, mammy, que enquanto você descansa eu honrarei a sua passagem por aqui.
Obrigada por tudo.
Te amo.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Homem? Não... Anjo.
Me lembro com clareza da minha mãe me ensinar seus mais valiosos valores pautados na conduta dele.
Sua admiração era tão profunda, que ela não sabia outro adjetivo se não 'perfeição' para contemplá-lo.
Ele era meu tio, eu o via pouco, mas vou pra sempre lembrar sorrindo do seu jeito bocó de me cumprimentar dizendo ''ÔÔH MÃRIÃNÃ! ''
Minha mãe chegou chamá-lo de Jesus Cristo. Mas como adivinharia que um dia eu acordaria com a notícia de que o único Jesus que eu conhecia teve o rosto perfurado por uma bala? Se minha mãe vivesse entre nós, certamente ficaria desolada. É nessa hora que me rendo à crença e admito que talvez esse seja um dos motivos pra ela ter partido primeiro.
Meu tio, era a única pessoa que eu conhecia com estrutura psíquica para carregar o poder sobre a vida das pessoas, guardado em sua pistola e sua farda. E tenho plena convicção de que, por pior que fosse a situação, ele ainda optaria pela vida.
Ironicamente foi através do mesmo poder, concedido a infelizes que exalam a fétida desgraça pelo simples fato de existirem, que ele partiu deste mundo carnal e leviano que conhecemos.
Não me importa justiça, não me importa certo e errado. O que me importa é a sabedoria contida no próprio ciclo vida-morte que nós incompreendemos.
Por mais que doa assistir minha família se desintegrar, se reduzir a mágoa e sofrimento, sinto orgulho por poder usufruir dos ensinamentos do meu tio e da minha mãe, que embora tenham feito uma passagem muito curta pela Terra, participaram da minha vida, fazendo-me sentir especial e honrada.
Obrigada aos dois que, coincidentemente ou não, partilhavam sorrisos idênticos <3
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Por que ainda estou aqui?
Um evento raríssimo se faz: Eu choro. E choro lamentando cada lágrima porque sei que você não merece.
A razão desmorona e dá vazão a saudade mais descabida que já senti.
Era bom que tivéssemos sido apenas amigos, assim poderia até hoje varar a noite lembrando do teu rosto sem sentir remorso ou nojo de mim mesma.
Releio todas as promessas, todas as palavras afogadas nos sentimentos supostamente mais sinceros. Todas foram quebradas e toda a minha confiança foi em vão.
Onde está você? Por que só passeia por aqui enquanto eu durmo e desaparece quando desperto?
E desperta sou espectadora das cenas que a meretriz protagoniza. A sórdida falsidade impregnada de ironia e interesses meramente carnais. A interpretação mais bem trabalhada que já assisti. Ah, que repulsa eu sinto... Não, não dos atos teatrais, mas de mim que ainda me forço a ''presenciar'' a total degradação de quem pra mim um dia significou tudo.
Deplorável, porém real. Distante, porém palpável e amargo.
Quanto a mim? Chego a crer que não signifiquei nada. Ou se sim, fui incapaz de merecer a significância. Ou entendê-la, ou simplesmente aceitá-la.
Luzes e fumaça ainda me abrigam, mas me pergunto até quando. Música alta, sorriso sincero dos amigos, o encantamento e felicidade passageiros proporcionados pelos diversos tipos de embriagues. O carinho incondicional. Não sei se tão incondicional, mas o carinho de que eu mais preciso e ainda assim, por vezes, rejeito. Ou valorizo bem menos do que poderia. Me agarro fortemente às mãos deles e me culpo por me sentir um pouco egoísta, por mais que tente ser sincera. Conto com a sorte. Conto com a compreensão de que são, na verdade, tudo que tenho de mais importante; embora meus sentimentos ainda se contorçam querendo te pertencer.
Quão mais longe pode chegar uma decepção?
Embora eu não faça qualquer gosto, a lembrança permanece. E embora seja o menor dos meus problemas, me sufoca suficientemente pra expurgá-lo aqui.
E por que eu ainda estou aqui?
Teu nome é um verbete impronunciável no meu vocabulário. Por todo canto onde passo há quem deteste ouvi-lo, portanto me proíbo dizê-lo.
Havia conseguido despertar um ódio frenético e intenso no meu coração ingênuo, mas não demorou muito até que a razão me lembrasse da dualidade que carrega esse sentimento.
Só me considerarei curada do teu mal, quando sequer lembrar que existiu. Quando o tempo decidir apagar nosso passado me fazendo sentir por você apenas descaso. O mesmo com o qual tratou meus mais nobres sentimentos.
Mas o fato é que ainda estou aqui.
E por que ainda estou aqui?
Estou aqui porque me pesam as juras que fiz de amor eterno. Estou aqui por ser consciente de que algumas palavras são sérias demais pra serem jogadas ao vento, por mais que você as descarte ou utilize como mentiras em seu sadismo sem propósito. Estou aqui por mim mesma. Estou aqui porque é meu direito utilizar meus recursos pra superar os cortes que me fez. Estou aqui porque em mim, embora eu seja forte e veloz em me levantar de tombos, doeu de verdade. E por mais que eu reconheça que este é um motivo bastante raso pra eu gastar minha atenção, é direito meu chorar pelas minhas expectativas frustradas.
Se estou aqui, é porque não tenho vergonha de sentir e reconheço que a vida não teria qualquer sentido se não fosse repleta de ciclos tristes e felizes. E reconheço plenamente que mais cedo ou mais tarde, lerei essas palavras sorrindo por saber que foi bobagem. Ou quem sabe chorando, por estar vivendo o mesmo outra vez.
Estou aqui porque não tenho a tua capacidade de quebrar tão facilmente minhas promessas e desvencilhar-me dos meus sentimentos.
Estou aqui pelo simples fato de que prometi que ficaria, mesmo que me fosse pedido pra ir embora.
A razão desmorona e dá vazão a saudade mais descabida que já senti.
Era bom que tivéssemos sido apenas amigos, assim poderia até hoje varar a noite lembrando do teu rosto sem sentir remorso ou nojo de mim mesma.
Releio todas as promessas, todas as palavras afogadas nos sentimentos supostamente mais sinceros. Todas foram quebradas e toda a minha confiança foi em vão.
Onde está você? Por que só passeia por aqui enquanto eu durmo e desaparece quando desperto?
E desperta sou espectadora das cenas que a meretriz protagoniza. A sórdida falsidade impregnada de ironia e interesses meramente carnais. A interpretação mais bem trabalhada que já assisti. Ah, que repulsa eu sinto... Não, não dos atos teatrais, mas de mim que ainda me forço a ''presenciar'' a total degradação de quem pra mim um dia significou tudo.
Deplorável, porém real. Distante, porém palpável e amargo.
Quanto a mim? Chego a crer que não signifiquei nada. Ou se sim, fui incapaz de merecer a significância. Ou entendê-la, ou simplesmente aceitá-la.
Luzes e fumaça ainda me abrigam, mas me pergunto até quando. Música alta, sorriso sincero dos amigos, o encantamento e felicidade passageiros proporcionados pelos diversos tipos de embriagues. O carinho incondicional. Não sei se tão incondicional, mas o carinho de que eu mais preciso e ainda assim, por vezes, rejeito. Ou valorizo bem menos do que poderia. Me agarro fortemente às mãos deles e me culpo por me sentir um pouco egoísta, por mais que tente ser sincera. Conto com a sorte. Conto com a compreensão de que são, na verdade, tudo que tenho de mais importante; embora meus sentimentos ainda se contorçam querendo te pertencer.
Quão mais longe pode chegar uma decepção?
Embora eu não faça qualquer gosto, a lembrança permanece. E embora seja o menor dos meus problemas, me sufoca suficientemente pra expurgá-lo aqui.
E por que eu ainda estou aqui?
Teu nome é um verbete impronunciável no meu vocabulário. Por todo canto onde passo há quem deteste ouvi-lo, portanto me proíbo dizê-lo.
Havia conseguido despertar um ódio frenético e intenso no meu coração ingênuo, mas não demorou muito até que a razão me lembrasse da dualidade que carrega esse sentimento.
Só me considerarei curada do teu mal, quando sequer lembrar que existiu. Quando o tempo decidir apagar nosso passado me fazendo sentir por você apenas descaso. O mesmo com o qual tratou meus mais nobres sentimentos.
Mas o fato é que ainda estou aqui.
E por que ainda estou aqui?
Estou aqui porque me pesam as juras que fiz de amor eterno. Estou aqui por ser consciente de que algumas palavras são sérias demais pra serem jogadas ao vento, por mais que você as descarte ou utilize como mentiras em seu sadismo sem propósito. Estou aqui por mim mesma. Estou aqui porque é meu direito utilizar meus recursos pra superar os cortes que me fez. Estou aqui porque em mim, embora eu seja forte e veloz em me levantar de tombos, doeu de verdade. E por mais que eu reconheça que este é um motivo bastante raso pra eu gastar minha atenção, é direito meu chorar pelas minhas expectativas frustradas.
Se estou aqui, é porque não tenho vergonha de sentir e reconheço que a vida não teria qualquer sentido se não fosse repleta de ciclos tristes e felizes. E reconheço plenamente que mais cedo ou mais tarde, lerei essas palavras sorrindo por saber que foi bobagem. Ou quem sabe chorando, por estar vivendo o mesmo outra vez.
Estou aqui porque não tenho a tua capacidade de quebrar tão facilmente minhas promessas e desvencilhar-me dos meus sentimentos.
Estou aqui pelo simples fato de que prometi que ficaria, mesmo que me fosse pedido pra ir embora.
domingo, 21 de outubro de 2012
Cigarros e chocolate
Através das entrelinhas, em tuas palavras escritas em letras brancas, remato infimamente a necessidade das tuas miseráveis migalhas.
Uma saudade contaminada de raiva e ódio; mas ainda assim, saudade. A representação mais fiel da ambivalência.
E medo. Medo por só te reconhecer através de uma sombra sutil do passado. Nosso passado. Medo das consequências e deformações que tuas mentiras podem causar no teu admirável caráter.
Não é desavisado e também não é mau. Por que então age com constante deficiência moral?
Pode enganar o mundo, mas sabe que não engana a si próprio. E nem a mim, que até outro dia era seu reflexo no espelho. Sua melancolia é intrinsecamente visível aos meus olhos. E você ainda é tão jovem pra morrer por dentro...
De todos os lastimáveis sofrimentos, o pior é saber que seu sorriso continua lindo mas não é verdadeiro.
Jamais devia ter dispendido esforços pra me fazer te esquecer. Você sabe, é querer demais. É impossível descansar em paz quando sente parte da sua alma em severo descontentamento.
E de bem longe, no âmago dos meus sonhos, você ainda exala seu perfume doce de chocolate enquanto sopra fumaça. E ainda fecha as pálpebras com força pra disfarçar a avidez dos seus olhos por felicidade. E eu ainda contemplo os nós do seus cadarços e dos fios dos seus cabelos. Longos cabelos.
Uma pintura perfeita que só é vívida no cerne das minhas próprias recordações, ainda que esteja se degradando com o tempo. E eu, ainda tento a todo custo salvá-la, mesmo sabendo que quanto mais vive, mais me tira a vida. Quanto mais ardentes são as memórias, mais frustrante é a realidade.
Me sobrou tão pouco de você... Mas talvez eu ainda seja capaz de reconhecer o que é legítimo; porque você gostando ou não, eu conheço tua essência.
Uma saudade contaminada de raiva e ódio; mas ainda assim, saudade. A representação mais fiel da ambivalência.
E medo. Medo por só te reconhecer através de uma sombra sutil do passado. Nosso passado. Medo das consequências e deformações que tuas mentiras podem causar no teu admirável caráter.
Não é desavisado e também não é mau. Por que então age com constante deficiência moral?
Pode enganar o mundo, mas sabe que não engana a si próprio. E nem a mim, que até outro dia era seu reflexo no espelho. Sua melancolia é intrinsecamente visível aos meus olhos. E você ainda é tão jovem pra morrer por dentro...
De todos os lastimáveis sofrimentos, o pior é saber que seu sorriso continua lindo mas não é verdadeiro.
Jamais devia ter dispendido esforços pra me fazer te esquecer. Você sabe, é querer demais. É impossível descansar em paz quando sente parte da sua alma em severo descontentamento.
E de bem longe, no âmago dos meus sonhos, você ainda exala seu perfume doce de chocolate enquanto sopra fumaça. E ainda fecha as pálpebras com força pra disfarçar a avidez dos seus olhos por felicidade. E eu ainda contemplo os nós do seus cadarços e dos fios dos seus cabelos. Longos cabelos.
Uma pintura perfeita que só é vívida no cerne das minhas próprias recordações, ainda que esteja se degradando com o tempo. E eu, ainda tento a todo custo salvá-la, mesmo sabendo que quanto mais vive, mais me tira a vida. Quanto mais ardentes são as memórias, mais frustrante é a realidade.
Me sobrou tão pouco de você... Mas talvez eu ainda seja capaz de reconhecer o que é legítimo; porque você gostando ou não, eu conheço tua essência.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Sobrevivendo da caridade de quem me detesta
Vocês que ficam aí, achando que eu to sofrendo por ''amor'', não sejam ridículos. Eu estou é passando pela pior fase da minha vida e ela nada tem a ver com namoradinhos ou ex namoradinhos ou o diabo que os carregue.
Tudo está desmoronando e eu perco a esperança, a cada dia que passa, em todas as coisas que costumava acreditar.
Aos dezessete anos eu acreditava que iria estudar a ciência mais preciosa da atualidade. Achava que a psicologia seria não só meu objeto de estudo, mas também meu objeto de fé.
Na verdade, continuo acreditando nela, mesmo sendo o aspecto da minha vida que mais me faz pensar em suicídio.
Não, não desacredito na ciência. Estou é de saco cheio das consequências que enfrento pelas decisões precipitadas e escolhas entusiastas que fiz na minha vida.
Esse curso de merda, nessa instituição particular de merda, que muito provavelmente formará centenas de profissionais de merda está aniquilando toda a minha pouca felicidade.
E quanto mais profundamente reflito sobre esta questão, ainda mais desesperada fico. É amedrontador o nojo que eu sinto quando escuto as piadinhas, os jargões e a falta de ética dessa gente do ''mundo psi'' - como gostam de chamar.
Profissionais insensíveis, incultos... Uma vergonha completa pra profissão.
É indescritível a sensação de desprazer que as aulas da faculdade me causam. É incompreensível até mesmo pra mim, estar cursando nível superior e não ter sequer UM bom mestre que me cause admiração e, por conseguinte, empolgação pros estudos. Aliás, muito pelo contrário. Posso contar uns dois ou três que causam completa repudia. E em especial, uma que, de tão insensível até consigo própria, tem até a forma física deformada. Um monstro-humano. Suas aulas são tão aversivas que meu psiquismo (sim, vocês adoram esses termos técnicos né? Sentem-se orgulhosos agora?) se defende manifestando todos os meus piores sentimentos somaticamente, me fazendo preferir tomar injeção do que assistir sua aula horrenda. Ou me fazendo dormir e atingir o sono REM, ainda que eu tenha dormido oito horas na noite anterior. Quantos professores vocês conhecem com essa capacidade de fazer um aluno dormir tão profundamente numa carteira tão desconfortável?
Não faz muito tempo, eu li em algum lugar ''A sociedade conhece apenas um verbo: julgar''.
Sim, pois é. E é deste mal que estou sofrendo; constantemente.
Pois pensem o que quiserem. Queria ver o que fariam se tivessem enterrado a mãe há menos de um ano. Mal sabem vocês como eu queria tê-la aqui agora, me ajudando a me organizar e me acalentado com seu abraço. Só ela tinha esse poder, entendem? ENTENDEM?
Será que agora vocês percebem que não dou a mínima pra quem passou ou deixou de passar na minha vida a não ser ela própria? Entendem agora que minhas crises depressivas não são assim tão fúteis como vocês imaginam?
Entendem agora que esse meu olhar caído não é por fumar maconha ou cheirar cocaína,ou qualquer outra porra dessas que vocês imaginarem, mas sim, por ter mais problemas do que posso suportar?
E sabe o qual é a parte mais irônica? Boa parte de vocês, que adoram me lançar os mais detestáveis olhares, fazem psicologia e ainda dizem que fazem em prol de ajudar o próximo.
Aplausos pra vocês, que ainda que não admitam, entraram no curso apenas pelo bem de si próprios.
Experimentem o seguinte: Quando quebrarem um osso ou precisarem de uma cirurgia, estudem medicina.
E eu que tanto aponto o dedo, sou um caso clássico de estudante que precisa de terapia e não de terapeutizar.
Mas agora que a escolha já ta feita - E NÃO, NÃO POSSO SIMPLESMENTE DESISTIR, TENHO UMA DÍVIDA DE 30.000 REAIS COM O BANCO DO BRASIL POR CAUSA DESSA AMALDIÇOADA ESCOLHA ERRADA - vou me contentar brincando com quebra-cabeças e trancafiando ratos sedentos em caixas.
Subsistindo nesse pútrido meio acadêmico de mentirinha, sobrevivendo da caridade de quem me detesta.
Tudo está desmoronando e eu perco a esperança, a cada dia que passa, em todas as coisas que costumava acreditar.
Aos dezessete anos eu acreditava que iria estudar a ciência mais preciosa da atualidade. Achava que a psicologia seria não só meu objeto de estudo, mas também meu objeto de fé.
Na verdade, continuo acreditando nela, mesmo sendo o aspecto da minha vida que mais me faz pensar em suicídio.
Não, não desacredito na ciência. Estou é de saco cheio das consequências que enfrento pelas decisões precipitadas e escolhas entusiastas que fiz na minha vida.
Esse curso de merda, nessa instituição particular de merda, que muito provavelmente formará centenas de profissionais de merda está aniquilando toda a minha pouca felicidade.
E quanto mais profundamente reflito sobre esta questão, ainda mais desesperada fico. É amedrontador o nojo que eu sinto quando escuto as piadinhas, os jargões e a falta de ética dessa gente do ''mundo psi'' - como gostam de chamar.
Profissionais insensíveis, incultos... Uma vergonha completa pra profissão.
É indescritível a sensação de desprazer que as aulas da faculdade me causam. É incompreensível até mesmo pra mim, estar cursando nível superior e não ter sequer UM bom mestre que me cause admiração e, por conseguinte, empolgação pros estudos. Aliás, muito pelo contrário. Posso contar uns dois ou três que causam completa repudia. E em especial, uma que, de tão insensível até consigo própria, tem até a forma física deformada. Um monstro-humano. Suas aulas são tão aversivas que meu psiquismo (sim, vocês adoram esses termos técnicos né? Sentem-se orgulhosos agora?) se defende manifestando todos os meus piores sentimentos somaticamente, me fazendo preferir tomar injeção do que assistir sua aula horrenda. Ou me fazendo dormir e atingir o sono REM, ainda que eu tenha dormido oito horas na noite anterior. Quantos professores vocês conhecem com essa capacidade de fazer um aluno dormir tão profundamente numa carteira tão desconfortável?
Não faz muito tempo, eu li em algum lugar ''A sociedade conhece apenas um verbo: julgar''.
Sim, pois é. E é deste mal que estou sofrendo; constantemente.
Pois pensem o que quiserem. Queria ver o que fariam se tivessem enterrado a mãe há menos de um ano. Mal sabem vocês como eu queria tê-la aqui agora, me ajudando a me organizar e me acalentado com seu abraço. Só ela tinha esse poder, entendem? ENTENDEM?
Será que agora vocês percebem que não dou a mínima pra quem passou ou deixou de passar na minha vida a não ser ela própria? Entendem agora que minhas crises depressivas não são assim tão fúteis como vocês imaginam?
Entendem agora que esse meu olhar caído não é por fumar maconha ou cheirar cocaína,ou qualquer outra porra dessas que vocês imaginarem, mas sim, por ter mais problemas do que posso suportar?
E sabe o qual é a parte mais irônica? Boa parte de vocês, que adoram me lançar os mais detestáveis olhares, fazem psicologia e ainda dizem que fazem em prol de ajudar o próximo.
Aplausos pra vocês, que ainda que não admitam, entraram no curso apenas pelo bem de si próprios.
Experimentem o seguinte: Quando quebrarem um osso ou precisarem de uma cirurgia, estudem medicina.
E eu que tanto aponto o dedo, sou um caso clássico de estudante que precisa de terapia e não de terapeutizar.
Mas agora que a escolha já ta feita - E NÃO, NÃO POSSO SIMPLESMENTE DESISTIR, TENHO UMA DÍVIDA DE 30.000 REAIS COM O BANCO DO BRASIL POR CAUSA DESSA AMALDIÇOADA ESCOLHA ERRADA - vou me contentar brincando com quebra-cabeças e trancafiando ratos sedentos em caixas.
Subsistindo nesse pútrido meio acadêmico de mentirinha, sobrevivendo da caridade de quem me detesta.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Obra prima ♥
''(...) Porque nem miséria, nem degradação, nem morte, nem nada do que Deus ou Satã pudesse infligir-nos poderia separar-nos - só você, pela sua própria vontade. Eu não lhe parti o coração - você é que o partiu; e, ao parti-lo, partiu também o meu. Tanto pior para mim, eu ser forte. Se eu quero continuar vivendo? Que espécie de vida vai ser a minha quando você... Oh, meu Deus! Você gostaria de continuar a viver, com a sua alma na sepultura? '' (Heathcliff, pág. 39)
'' (...) Eu não posso viver sem a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma. ''(Heathcliff, pág. 41)
BRONTË, Emily (1970) O Morro dos Ventos Uivantes
'' (...) Eu não posso viver sem a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma. ''(Heathcliff, pág. 41)
Admiração é pouco
Se contenta em ser quem é, sem fazer cartaz.
Teria todas as ferramentas pra passar por cima de quem desejasse
Mas por qual razão faria se já sabe do que é capaz?
Quanto mais se desarma, mais noto sua simplicidade.
Não precisa ser intransponível pra mostrar tua genialidade.
Me surpreendo com o quanto me ensina.
Tua inteligência somada a tua bondade, simplesmente me fascina.
Me abriga de mim mesma, que sou com certeza meu pior perigo.
E em meio a tanta turbulência, nunca deixou de ser meu amigo.
Se é, como diz, uma obra expressionista,
Então é o quadro mais fantástico que já foi pintado.
E se só se sensibiliza quem é mentalmente instável,
Então sou doida e tenho orgulho e direito em ser.
Assim, só pra poder te entender.
Como eu poderia não te admirar?
Por que ainda recuso te deixar se aproximar?
Teria todas as ferramentas pra passar por cima de quem desejasse
Mas por qual razão faria se já sabe do que é capaz?
Quanto mais se desarma, mais noto sua simplicidade.
Não precisa ser intransponível pra mostrar tua genialidade.
Me surpreendo com o quanto me ensina.
Tua inteligência somada a tua bondade, simplesmente me fascina.
Me abriga de mim mesma, que sou com certeza meu pior perigo.
E em meio a tanta turbulência, nunca deixou de ser meu amigo.
Se é, como diz, uma obra expressionista,
Então é o quadro mais fantástico que já foi pintado.
E se só se sensibiliza quem é mentalmente instável,
Então sou doida e tenho orgulho e direito em ser.
Assim, só pra poder te entender.
Como eu poderia não te admirar?
Por que ainda recuso te deixar se aproximar?
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Não destoe meus sentimentos
Não me culpe por querer se destruir.
Seus desejos mórbidos existiam antes mesmo d'eu existir.
Nossas vidas colidiram nesse estrago tremendo,
mas me desculpe, quero continuar vivendo.
Não é escolha minha ser tão louca assim.
Se foi minha insensatez que nutriu sua frigidez,
então meu maior pecado foi te querer pra mim.
Não queira me martirizar , eu nunca quis seu mal.
Ninguém é culpado pelo destino afinal.
Eu viveria toda uma vida pelo objetivo de te proteger,
mas estarei de mãos atadas se você insistir em se foder.
O que quer que eu faça? Não fui eu quem quis nossa desgraça.
Se houvesse algum deus que me ouvisse, pediria pelo seu bem em oração.
Porque mesmo que inocente, ainda imploro seu perdão.
Sou agora invisível,
Diante de todos meus esforços, você tornou-se insensível.
Lamento se te exigi sacrifício. Só não destoe meu sentimento mais bonito.
Seus desejos mórbidos existiam antes mesmo d'eu existir.
Nossas vidas colidiram nesse estrago tremendo,
mas me desculpe, quero continuar vivendo.
Não é escolha minha ser tão louca assim.
Se foi minha insensatez que nutriu sua frigidez,
então meu maior pecado foi te querer pra mim.
Não queira me martirizar , eu nunca quis seu mal.
Ninguém é culpado pelo destino afinal.
Eu viveria toda uma vida pelo objetivo de te proteger,
mas estarei de mãos atadas se você insistir em se foder.
O que quer que eu faça? Não fui eu quem quis nossa desgraça.
Se houvesse algum deus que me ouvisse, pediria pelo seu bem em oração.
Porque mesmo que inocente, ainda imploro seu perdão.
Sou agora invisível,
Diante de todos meus esforços, você tornou-se insensível.
Lamento se te exigi sacrifício. Só não destoe meu sentimento mais bonito.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Deixem que seja do nosso jeito.
Ah, eu que nunca fui nada convencional, sou sensível a cada ato ínfimo.
Não me tirem o direito à anomia do amor. Não me estabeleçam regras no que não é de jogar.
Felicidade não se explica, sentimento não se justifica.
Nada me tira o sorriso quando sou lembrada através de suas músicas favoritas. Meus olhos brilham quando, em poesia, vejo nós dois descritos.
Se pudessem ver aqueles seus olhinhos, não diriam qualquer palavra. Se sentissem os tremores que sinto nos joelhos, se ouvissem a sincronia das batidas em nossos peitos ou sequer sentissem a combinação perfeita de nossos cheiros, haveriam de ter mais respeito.
Não os culpo por não entender o sentimento que não é todo mundo que se dispõe a ter.
Não me tirem o direito à anomia do amor. Não me estabeleçam regras no que não é de jogar.
Felicidade não se explica, sentimento não se justifica.
Nada me tira o sorriso quando sou lembrada através de suas músicas favoritas. Meus olhos brilham quando, em poesia, vejo nós dois descritos.
Se pudessem ver aqueles seus olhinhos, não diriam qualquer palavra. Se sentissem os tremores que sinto nos joelhos, se ouvissem a sincronia das batidas em nossos peitos ou sequer sentissem a combinação perfeita de nossos cheiros, haveriam de ter mais respeito.
Não os culpo por não entender o sentimento que não é todo mundo que se dispõe a ter.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
'' Se têm a verdade, guardem-na! ''
''mimimi você estuda psicologia, devia saber lidar com isso... deveria estar acostumada com aquilo...''
''Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? '''
''Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram? '''
- Álvaro de Campos
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Talvez algo tenha que mudar
Se sinto que perdi o controle e o sorriso deu lugar ao choro, talvez algo tenha que mudar.
Se as cores que tinham as ruas, resolveram desbotar, talvez signifique que algo tenha que mudar.
Se ao invés de sentir a liberdade tocando meu rosto, sinto medo que paralisa minhas pernas, talvez já seja hora de mudar.
Se da felicidade já não desfruto o gosto, se frente ao espelho sinto desgosto, terei que mudar.
Insuperável essa saudade que eu tenho de quando tudo era mais simples. Insuportável é a dúvida que carrego nesses dias tristes.
É tão difícil acreditar, mas no fundo, sei que só minha própria companhia existe, insiste e jamais me abandonará.
É duro admitir, mas só interessa quem está certo do seu próprio caminho. Mostre estar inseguro sobre a trilha e verá que já é hora de cuidar do próprio umbigo e escolher o próprio destino.
Se as cores que tinham as ruas, resolveram desbotar, talvez signifique que algo tenha que mudar.
Se ao invés de sentir a liberdade tocando meu rosto, sinto medo que paralisa minhas pernas, talvez já seja hora de mudar.
Se da felicidade já não desfruto o gosto, se frente ao espelho sinto desgosto, terei que mudar.
Insuperável essa saudade que eu tenho de quando tudo era mais simples. Insuportável é a dúvida que carrego nesses dias tristes.
É tão difícil acreditar, mas no fundo, sei que só minha própria companhia existe, insiste e jamais me abandonará.
É duro admitir, mas só interessa quem está certo do seu próprio caminho. Mostre estar inseguro sobre a trilha e verá que já é hora de cuidar do próprio umbigo e escolher o próprio destino.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Tinha de ser justo amor, meu Deus?
“Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus? Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo. Aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias. É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena. É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios. “Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?” Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar. Não negue, apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto. Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates… Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? (…) Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto.”
(Caio Fernando Abreu)
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Me devolva minha família, por favor.
Oi, tudo bem?
Então, eu não queria falar nada mas... Sabe essa casal de velhos sem graça, que estão sempre brigando e que você fala mal quando viram as costas? Pois é. Eles são tudo que tenho.
São meus avós e sem eles não sou ninguém.
Eles gostam de você, quando você sorri pra eles. Eles são carentes e o afeto é um reforço altamente funcional pra quem quase nunca o tem.
Mas entenda. A maioria das pessoas tem um pai, uma mãe, irmãos e não é incomum que tenham filhos também. Mas eu, eu só tenho eles.
Será que você se importaria em devolver meu único bem?
Então, eu não queria falar nada mas... Sabe essa casal de velhos sem graça, que estão sempre brigando e que você fala mal quando viram as costas? Pois é. Eles são tudo que tenho.
São meus avós e sem eles não sou ninguém.
Eles gostam de você, quando você sorri pra eles. Eles são carentes e o afeto é um reforço altamente funcional pra quem quase nunca o tem.
Mas entenda. A maioria das pessoas tem um pai, uma mãe, irmãos e não é incomum que tenham filhos também. Mas eu, eu só tenho eles.
Será que você se importaria em devolver meu único bem?
sábado, 25 de agosto de 2012
Espelho
É carência demais, necessidades exatamente iguais. Mas se procuro o que não tenho no outro que também não tem o que procura em mim, onde é que vamos chegar? Não é mais questão de desejar ou de tentar... É questão de ser ou não capaz.
Os semelhantes se perdem, se distraem. E mesmo que dispostos, chega um tempo em que não mais se atraem. Chega um tempo que é inviável ver o outro em sua imagem especular.
E em meio a tanta coisa igual, as adversidades se tornam insuportáveis, quando a diversidade que podia ser complementar já foi totalmente esquecida ou mergulhada em orgulho que já está muito mais que ferido.
Ah, que bom seria se amar implicasse apenas no ato de amar. Mas se é esse o preço que se paga, não há escolha que não seja continuar a tentar.
Os semelhantes se perdem, se distraem. E mesmo que dispostos, chega um tempo em que não mais se atraem. Chega um tempo que é inviável ver o outro em sua imagem especular.
E em meio a tanta coisa igual, as adversidades se tornam insuportáveis, quando a diversidade que podia ser complementar já foi totalmente esquecida ou mergulhada em orgulho que já está muito mais que ferido.
Ah, que bom seria se amar implicasse apenas no ato de amar. Mas se é esse o preço que se paga, não há escolha que não seja continuar a tentar.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Entardecer metropolitano
Num instante, incontáveis pensamentos assolam minh’alma numa velocidade insuperável que torna impossível registrá-los.
Me pego desolada. Outra vez desalojada em minha própria existência.
Olho através da janela, um céu sofrido feito de nuvens poluídas e reflexo corroído de toda gente desiludida. Céu sem estrelas. Céu avermelhado, céu que existe despercebido em lugar onde só vive gente preocupada.
Paisagem abominável, de caixas d’água encardidas e telhados quebrados.
Inspiração pra memórias que devem ser escondidas e sentimentos que devem ser abafados.
Quantos sorrisos perdidos cedidos para dar espaço às lágrimas infindas
sobre amores presentes, ausentes, perdidos, descabidos.
Sofro já não sei mais se é pelo incerto ou se é pela amargura de que são feitas as certezas.
Escrevo, me disperso, me desespero e me perco. Por pouco, não me despeço.
Vida onde não descubro pra que tenho serventia.
Óh mundo que não decodifico. Por que torna tão maçante minha breve estadia?
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Simplesmente saudade
Atrás das portas de vidro e entre os carros no pátio, tudo que faço é procurar a mesa onde você sentava pra trabalhar.
Ring ring ♪
'' — Itororó Nazaré, Janaíra, boa tarde?! ''
'' — Boa tarde mãe, só queria dizer que te amo''
Ring ring ♪
'' — Itororó Nazaré, Janaíra, boa tarde?! ''
'' — Boa tarde mãe, só queria dizer que te amo''
segunda-feira, 30 de julho de 2012
4:00 horas
Nem noite, nem dia.
Nem dia porque não há claridade, com exceção de lâmpadas elétricas. Pessoas, em sua maioria estão deitadas em suas camas, mergulhadas em suas produções oníricas.
Nem noite porque já se escuta o burburinho de início de manhã. Um sabiá assobia, impetuoso, empoleirado numa árvore solitária enraizada na calçada de concreto. De tempos em tempos, o som grave do motor de um ônibus urbano retumba nos ares da rua vazia.
Alguns, tomam café e, seguidamente, metrô. Com maletas e crachás, paletós e sapatos baratos. Seus bolsos vazios, suas mentes desoladas e cheias de perturbação.
Outros, de ressaca, dirigem imprudentes por avenidas largas, furando faróis e cortando faixas.
Tem os que nem dormiram. E também aqueles que, frutos da moda do estrangeirismo e escravos de um sonho juvenil , acendem seus cigarros de cannabis no momento em que os ponteiros marcam quatro e vinte.
Também tem eu, que por noites incontáveis não consigo dormir assombrada por lembranças que nunca sequer desbotam. Algumas boas, outras ruins. Às vezes saudade. Às vezes fúria e revolta.
No quarto, me encolho na cama em resposta ao frio da alvorada. Sem café, sem ressaca e tampouco cigarros. Por sorte, também sem trabalho.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Diário ordinário
Até hoje, houve muito conteúdo recolhido por anos para ser escrito. Era tanto tempo e uma porção tão grande de coisas vividas que simplesmente tudo transbordou. Resultou numa criatividade temporária, passageira.
Hoje sinto timidez diante da magnitude que é o gesto de escrever. Escrevo, leio, releio meus textos débeis, sem brilho. De todas as virtudes que poderiam ter, só têm a sinceridade e boa intenção de quem os escreve.
Não é menosprezo ou falta de estima em mim mesma. Não é um caso de crise de identidade ou coisa do gênero, é só que sinto que a fonte secou. Sobrou algum eco do que havia meses atrás, mas não o suficiente pra satisfazer minha necessidade narcisista de produção ou quem sabe - numa linguagem mais florida - satisfazer meu eu sonhador que com ou sem talento, insiste e crê.
Acontece que descobri que escrever para outrem sem primeiro conhecer quem dominou essa tarefa muito antes de haver qualquer sombra da minha insignificante existência, é ordinariamente imbecil.
Escrever significa mais e requer muito mais esforço do que simplesmente redigir um diário das mazelas que sufocam minha vidinha.
Pobre criança sou que desconhece a grandeza de toda arte produzida e deixada, pelos verdadeiros adultos, ao nosso desfrute. Toda beleza que é simplesmente usufruir da herança que os gênios de outrora reservaram a todos aqueles que pretender ir além.
Como se atrever a escrever algo antes de ler o que antes já foi escrito com muito mais sagacidade?
Se ainda pretendo escrever, tenho urgentemente que buscar outros horizontes e eleger novos heróis.
Hoje sinto timidez diante da magnitude que é o gesto de escrever. Escrevo, leio, releio meus textos débeis, sem brilho. De todas as virtudes que poderiam ter, só têm a sinceridade e boa intenção de quem os escreve.
Não é menosprezo ou falta de estima em mim mesma. Não é um caso de crise de identidade ou coisa do gênero, é só que sinto que a fonte secou. Sobrou algum eco do que havia meses atrás, mas não o suficiente pra satisfazer minha necessidade narcisista de produção ou quem sabe - numa linguagem mais florida - satisfazer meu eu sonhador que com ou sem talento, insiste e crê.
Acontece que descobri que escrever para outrem sem primeiro conhecer quem dominou essa tarefa muito antes de haver qualquer sombra da minha insignificante existência, é ordinariamente imbecil.
Escrever significa mais e requer muito mais esforço do que simplesmente redigir um diário das mazelas que sufocam minha vidinha.
Pobre criança sou que desconhece a grandeza de toda arte produzida e deixada, pelos verdadeiros adultos, ao nosso desfrute. Toda beleza que é simplesmente usufruir da herança que os gênios de outrora reservaram a todos aqueles que pretender ir além.
Como se atrever a escrever algo antes de ler o que antes já foi escrito com muito mais sagacidade?
Se ainda pretendo escrever, tenho urgentemente que buscar outros horizontes e eleger novos heróis.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Medidas
Eu gosto de gente de verdade. Beleza em excesso é exaustiva e só de vê-la sinto aquele cheiro plástico de folha de revista. Eu gosto de gente feita de carne, de gente que borra a maquiagem, de quem fica descalço quando o sapato está apertado.
Não estou aqui pra relativizar beleza, isso seria desnecessariamente óbvio demais. Eu compreendo exatamente o que a maioria exalta e elege como padrão. Também não estou aqui pra defender celulite só porque tenho as minhas. Claro, claro que um corpo saudável e músculos avantajados são admiráveis. Mas daí dizer que uma pessoa é feia só porque é naturalmente quem é de verdade? Só porque está imersa numa realidade que não permite tanta preocupação com detalhes descartáveis?
Quando conheço alguém, reparo no jeito de andar. Reparo na boca também. Mas reparo principalmente no que tem pra me mostrar.
Num dia qualquer, vi uma pessoa qualquer postar no facebook: ''Quando alguém lhe disser que gosta de verde, pergunte 'por que?' ao invés de dizer que gosta de vermelho.''
Achei a frase essencial pra finalmente entender que qualquer pessoa tem muito a oferecer.
Diante de tanta coisa importante que carrega o ser humano, pra que vou eu reparar no quanto mede o diâmetro da sua cintura?
Não estou aqui pra relativizar beleza, isso seria desnecessariamente óbvio demais. Eu compreendo exatamente o que a maioria exalta e elege como padrão. Também não estou aqui pra defender celulite só porque tenho as minhas. Claro, claro que um corpo saudável e músculos avantajados são admiráveis. Mas daí dizer que uma pessoa é feia só porque é naturalmente quem é de verdade? Só porque está imersa numa realidade que não permite tanta preocupação com detalhes descartáveis?
Quando conheço alguém, reparo no jeito de andar. Reparo na boca também. Mas reparo principalmente no que tem pra me mostrar.
Num dia qualquer, vi uma pessoa qualquer postar no facebook: ''Quando alguém lhe disser que gosta de verde, pergunte 'por que?' ao invés de dizer que gosta de vermelho.''
Achei a frase essencial pra finalmente entender que qualquer pessoa tem muito a oferecer.
Diante de tanta coisa importante que carrega o ser humano, pra que vou eu reparar no quanto mede o diâmetro da sua cintura?
terça-feira, 10 de julho de 2012
Caixa de Pizza vazia
Despertou de um sono desconfortável. Abriu os olhos e se certificou que estava no seu quarto. Seu quarto, enfim seu quarto. Depois da noite anterior, acordar em casa era surpreendente.
No quarto havia roupas pelo avesso jogadas no chão, um cinzeiro que ele não limpava há dias, uma caixa de pizza vazia. Tão vazia quanto sua própria vida.
Já tinha um tempo que as coisas não corriam bem. Havia contas a pagar, compromissos a honrar, mas isso já não importava mais, dali pra frente nada importaria mais.
Uma doença o acometia e com ela vinha a depressão e a desistência de existir.
Decidiu evitar o tratamento médico. Se tinha que usar drogas, que fossem ao menos as de sua preferência ao invés das receitadas pelo cara de jaleco.
Não parecia correto nem justo morrer tão jovem. No entanto, sua morte não parecia ser de todo mal. As pessoas o lembrariam como um herói. Um pobre herói... Miserável, covarde, mas ainda assim um herói. E dessa forma, talvez fosse mais querido do que enquanto vivo.
Deitado na cama, tinha todas as lembranças bem vívidas em sua cabeça embora mescladas a outras imagens e ideias que provinham de sua insanidade.
Via a si mesmo há alguns anos atrás, rindo, enaltecido pela música alta e as luzes coloridas no seu rosto. Deve ter sido naquela época que alguém lhe ofereceu a felicidade em forma de pílulas. Esse alguém esqueceu-se de mencionar que essa felicidade era breve e forjada.
Não existiam mais medos, não existiam mais anseios. Seu único receio era que a morte tardasse a visitá-lo. Mas havia uma voz interior que sempre o recordava de que era questão de pouco tempo. A mesma voz que o fazia sentir-se culpado por usar ecstasy pela primeira vez.
A mesma voz que o encorajava a saltar do sétimo andar.
E então, no meio dessa ressaca incurável surgiam os sentimentos mais sórdidos de arrependimento junto a curtos flashes de memória infantil.
A voz que antes não tinha dono, materializou-se numa figura feminina solidária e carinhosa que lhe deu as mãos e lhe sugou a ultima centelha de vida.
Só ela, a própria Morte era capaz de perdoá-lo.
Pros outros era apenas um colapso cardiovascular. Mas pra ele, era um alívio se salvar da sua detestável vida. Descartável como uma caixa de pizza vazia.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Engraçado,
... como antes eu vivia fixada em lembranças que hoje vejo que não eram felizes.
Tem noites que, mesmo sozinha, não me sinto nem um pouco triste. Não sinto saudade dos tempos antigos, por mais que fossem feitos de dias preenchidos.
Só me entristeço quando lembro que já fiz alguém infeliz. E justo no momento que eu tudo que eu mais quis foi promover sorrisos.
Aquelas noites carregadas de tédio, de conversas vazias, discussões sem sentido. Por que tivemos que passar por isso?
Te devo um pedido de desculpa? Não, já fiz isso.
Só me resta esperar que esteja feliz. Precisou ir pra tão longe, mas finalmente fez o que quis.
Tem noites que, mesmo sozinha, não me sinto nem um pouco triste. Não sinto saudade dos tempos antigos, por mais que fossem feitos de dias preenchidos.
Só me entristeço quando lembro que já fiz alguém infeliz. E justo no momento que eu tudo que eu mais quis foi promover sorrisos.
Aquelas noites carregadas de tédio, de conversas vazias, discussões sem sentido. Por que tivemos que passar por isso?
Te devo um pedido de desculpa? Não, já fiz isso.
Só me resta esperar que esteja feliz. Precisou ir pra tão longe, mas finalmente fez o que quis.
Err...
E essa mania de achar que todo mundo mudou?
Francamente. Algumas vezes, admita, quem mudou foi você.
Quem criou expectativas erradas nessa cabecinha ingênua, foi você. Quem distorceu o mundo pra que parecesse um pouquinho mais tragável, foi você.
Não culpe os outros por não serem quem você, dentro da sua fantasia, sonhou que fossem.
Francamente. Algumas vezes, admita, quem mudou foi você.
Quem criou expectativas erradas nessa cabecinha ingênua, foi você. Quem distorceu o mundo pra que parecesse um pouquinho mais tragável, foi você.
Não culpe os outros por não serem quem você, dentro da sua fantasia, sonhou que fossem.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Hoje faz dois meses...
... que contemplo essa vida de acordar sorrindo, cheia de motivos pra acreditar que o dia vai ser lindo e feliz.
Faz pouco mais de dois meses que resolvi acreditar no que, a princípio, era incerto. Engraçado como minhas certezas antigas já não me traziam qualquer benefício. Depois que você me curou delas, o mundo tomou outra forma, outras cores.
Já faz dois meses que ouço nossas músicas e sonho acordada com nossos sorrisos unidos outra vez.
Há dois meses que antes de dormir, eu lembro do seu beijo e me concentro pra sentir o seu gosto. Lembro de como pisca os olhos com força quando fica sem graça, do seu jeitinho único de amarrar seu all star e do seu olhar perdido, reflexivo, enquanto traga um cigarro.
Também lembro da forma que você morde os lábios toda vez que alguma emoção é difícil de controlar.
Faz dois meses que me encolho na cama e abraço os travesseiros enquanto ouço sua voz no telefone.
Exatamente há dois meses atrás, nos vimos pela primeira vez, frente a frente.
E mesmo imerso naquele tumulto, mesmo amedrontado pelo desconhecido, você me abraçou sem hesito. No mesmo dia, sentou-se ao meu lado pra dizer que se esforçaria pelo meu sorriso.
E por todos esses dias, fez valer sua promessa.E a cada olhar, eu confessei meu amor sem emitir nenhum som. Nós nos entendemos sem qualquer esforço. E quando menos percebemos, estávamos prestes a nos tornarmos um só.
Hoje faz dois meses que tenho orgulho de estar ao seu lado, de você ser meu e só meu namorado.
Hoje completamos dois meses de confiar que temos um ao outro.
Faz pouco mais de dois meses que resolvi acreditar no que, a princípio, era incerto. Engraçado como minhas certezas antigas já não me traziam qualquer benefício. Depois que você me curou delas, o mundo tomou outra forma, outras cores.
Já faz dois meses que ouço nossas músicas e sonho acordada com nossos sorrisos unidos outra vez.
Há dois meses que antes de dormir, eu lembro do seu beijo e me concentro pra sentir o seu gosto. Lembro de como pisca os olhos com força quando fica sem graça, do seu jeitinho único de amarrar seu all star e do seu olhar perdido, reflexivo, enquanto traga um cigarro.
Também lembro da forma que você morde os lábios toda vez que alguma emoção é difícil de controlar.
Faz dois meses que me encolho na cama e abraço os travesseiros enquanto ouço sua voz no telefone.
Exatamente há dois meses atrás, nos vimos pela primeira vez, frente a frente.
E mesmo imerso naquele tumulto, mesmo amedrontado pelo desconhecido, você me abraçou sem hesito. No mesmo dia, sentou-se ao meu lado pra dizer que se esforçaria pelo meu sorriso.
E por todos esses dias, fez valer sua promessa.E a cada olhar, eu confessei meu amor sem emitir nenhum som. Nós nos entendemos sem qualquer esforço. E quando menos percebemos, estávamos prestes a nos tornarmos um só.
Hoje faz dois meses que tenho orgulho de estar ao seu lado, de você ser meu e só meu namorado.
Hoje completamos dois meses de confiar que temos um ao outro.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Dezenove
Nem tanta coisa mudou. Os sonhos, os medos, os desejos ainda são todos os mesmos.
Que me foi atribuída alguma liberdade eu não posso negar. Sou grata por isso.
Também me foi dada alguma maturidade. Esta, não sei se foi concedida ou conquistada, mas com certeza é responsável por ter me mantido sensata.
Os motivos pra afundar na lama não foram poucos. Contá-los aqui seria um importuno repeteco. Mas tudo que aprendi nesses quase vinte anos, serviu justamente pra que eu me segurasse. E eu me segurei. Fiquei firme, saí quase intacta.
Ah, se aquela garotinha de onze anos que fui um dia pudesse me ver agora... Sentiria orgulho por ter realizado grande parte dos seus anseios. Sentiria alívio por caminhar sozinha, por saber tomar suas próprias decisões e confeccionar seu próprio destino.
A garota que um dia chorou pelo que acreditava ser amor, encontrou um príncipe de verdade, que só a faz sorrir.
A garota que um dia brigou em casa pra ser livre, conquistou a confiança e o orgulho da família.
A garota que foi humilhada na escola por ser diferente, ganhou alguns admiradores. É fato que não são muitos, mas o importante é que são reais.
Eu que achava que nunca teria amigos, descobri que amizade é algo que requer dedicação e que se eu tiver cautela, terei ao meu lado os melhores amigos do mundo.
E eu assumo que ainda não tenho grandes motivos pra me orgulhar. Mas já me orgulho pelas pequenas conquistas. Dou valor a cada experiencia vivida, a cada sonho destruído, a cada palavra amiga, a cada sorriso, a cada desaforo, a cada mentira, a todos os 'amores' e todas as dores sentidas.
A garotinha de onze anos teve seu maior sonho alcançado: Ela cresceu.
Ao mesmo tempo que nem tanta coisa mudou. Os sonhos, os medos, os desejos ainda são todos os mesmos... A essência permaneceu.
Que me foi atribuída alguma liberdade eu não posso negar. Sou grata por isso.
Também me foi dada alguma maturidade. Esta, não sei se foi concedida ou conquistada, mas com certeza é responsável por ter me mantido sensata.
Os motivos pra afundar na lama não foram poucos. Contá-los aqui seria um importuno repeteco. Mas tudo que aprendi nesses quase vinte anos, serviu justamente pra que eu me segurasse. E eu me segurei. Fiquei firme, saí quase intacta.
Ah, se aquela garotinha de onze anos que fui um dia pudesse me ver agora... Sentiria orgulho por ter realizado grande parte dos seus anseios. Sentiria alívio por caminhar sozinha, por saber tomar suas próprias decisões e confeccionar seu próprio destino.
A garota que um dia chorou pelo que acreditava ser amor, encontrou um príncipe de verdade, que só a faz sorrir.
A garota que um dia brigou em casa pra ser livre, conquistou a confiança e o orgulho da família.
A garota que foi humilhada na escola por ser diferente, ganhou alguns admiradores. É fato que não são muitos, mas o importante é que são reais.
Eu que achava que nunca teria amigos, descobri que amizade é algo que requer dedicação e que se eu tiver cautela, terei ao meu lado os melhores amigos do mundo.
E eu assumo que ainda não tenho grandes motivos pra me orgulhar. Mas já me orgulho pelas pequenas conquistas. Dou valor a cada experiencia vivida, a cada sonho destruído, a cada palavra amiga, a cada sorriso, a cada desaforo, a cada mentira, a todos os 'amores' e todas as dores sentidas.
A garotinha de onze anos teve seu maior sonho alcançado: Ela cresceu.
Ao mesmo tempo que nem tanta coisa mudou. Os sonhos, os medos, os desejos ainda são todos os mesmos... A essência permaneceu.
Em suas mãos
Eu já estava prevendo que isso aconteceria, mas hoje, sei lá, meus olhos resolveram enxergar que realmente estamos no caminho certo.
Você se tornou muito pra mim e em pouco tempo.
Você foi apenas o cara sensato, engraçado e gatinho que eu tinha no facebook , adicionado como amigo, sem qualquer motivo. Você já foi o cara que tinha algumas coisas em comum comigo. Você já foi também o amigo que me fazia sorrir durante muitas tardes, que se não fosse pela tua presença, seriam vazias. E você sempre esteve presente. Mesmo de longe, me fez sorrir os sorrisos mais puros, mais bobos e mais sinceros também.
Aos poucos você se tornou alguém que eu tinha medo de perder. Alguém cuja companhia seria essencial todos os dias.
E um dia, você finalmente disse o 'Eu te amo' que eu tanto queria mas morria de medo de falar. Nenhuma alegria se compara à que eu senti nesse dia. Como foi reconfortante saber que podia te amar sem medo de não ser retribuída.
Os dias se passaram, eu vi seus sorrisos e ouvi suas risadas. Senti suas lágrimas escorrerem no meu peito quando você chorou e senti sua mão afagar meus cabelos quando chorei.
Eu já te disse: Eu te entrego sem medo cada pedaço de confiança que reconquisto.
Mas hoje, sem qualquer razão, senti alguma coisa mudar. Pela primeira vez, consegui imaginar nós dois num futuro longínquo. E nele, consegui visualizar muitos frutos. Eu vi nossos sorrisos, vi nossos filhos, vi as visitas num almoço de domingo...
Portanto, hoje eu finalmente admito: você me tem em suas mãos. Estou certa de que te confio todas as minhas esperanças, minhas expectativas e meu coração.
Você se tornou muito pra mim e em pouco tempo.
Você foi apenas o cara sensato, engraçado e gatinho que eu tinha no facebook , adicionado como amigo, sem qualquer motivo. Você já foi o cara que tinha algumas coisas em comum comigo. Você já foi também o amigo que me fazia sorrir durante muitas tardes, que se não fosse pela tua presença, seriam vazias. E você sempre esteve presente. Mesmo de longe, me fez sorrir os sorrisos mais puros, mais bobos e mais sinceros também.
Aos poucos você se tornou alguém que eu tinha medo de perder. Alguém cuja companhia seria essencial todos os dias.
E um dia, você finalmente disse o 'Eu te amo' que eu tanto queria mas morria de medo de falar. Nenhuma alegria se compara à que eu senti nesse dia. Como foi reconfortante saber que podia te amar sem medo de não ser retribuída.
Os dias se passaram, eu vi seus sorrisos e ouvi suas risadas. Senti suas lágrimas escorrerem no meu peito quando você chorou e senti sua mão afagar meus cabelos quando chorei.
Eu já te disse: Eu te entrego sem medo cada pedaço de confiança que reconquisto.
Mas hoje, sem qualquer razão, senti alguma coisa mudar. Pela primeira vez, consegui imaginar nós dois num futuro longínquo. E nele, consegui visualizar muitos frutos. Eu vi nossos sorrisos, vi nossos filhos, vi as visitas num almoço de domingo...
Portanto, hoje eu finalmente admito: você me tem em suas mãos. Estou certa de que te confio todas as minhas esperanças, minhas expectativas e meu coração.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Droga, sinto sua falta!
As vezes quando estou sozinha, sinto saudade de você, sinto falta do seu cheiro. Sua companhia sempre foi silenciosa, quase imperceptível, mas me acolhia.
As pessoas nunca associaram minha imagem à sua. Diziam que você não combinava comigo, que era errado eu ter você entre meus dedos.
Meu rosto não parecia tão ingênuo, tão frágil quando eu estava com você. Você me fazia sentir muito mais decidida, muito mais forte e muito mais mulher.
Mas você é sempre tão tóxico, já me fez tanto mal. Gosto tanto de você. Mas não posso ser sua escrava. Estar com você por um único dia, me faz querê-lo sempre. Você é sinônimo de vício.
Estranho o jeito como costumava me tirar o folego e ao mesmo tempo me fazia sentir muito mais disposta do que sou hoje sem você.
Me consola saber que você custa caro. Prefiro não ter notícias suas, prefiro que não me surjam ofertas de você.
Estranho saber que te encontro em qualquer esquina, em qualquer bar.
É fácil demais consegui-lo. E muito, mas muito difícil descartá-lo.
As pessoas nunca associaram minha imagem à sua. Diziam que você não combinava comigo, que era errado eu ter você entre meus dedos.
Meu rosto não parecia tão ingênuo, tão frágil quando eu estava com você. Você me fazia sentir muito mais decidida, muito mais forte e muito mais mulher.
Mas você é sempre tão tóxico, já me fez tanto mal. Gosto tanto de você. Mas não posso ser sua escrava. Estar com você por um único dia, me faz querê-lo sempre. Você é sinônimo de vício.
Estranho o jeito como costumava me tirar o folego e ao mesmo tempo me fazia sentir muito mais disposta do que sou hoje sem você.
Me consola saber que você custa caro. Prefiro não ter notícias suas, prefiro que não me surjam ofertas de você.
Estranho saber que te encontro em qualquer esquina, em qualquer bar.
É fácil demais consegui-lo. E muito, mas muito difícil descartá-lo.
terça-feira, 12 de junho de 2012
When You Were Young
Então eu me sentei com toda minha angústia, esperei algum cara bonito pra me salvar do meu jeito antigo...
Porque aquele jeito já não era mais o meu. Minha vida não se parecia nada com o que eu havia sonhado um dia e a todo instante eu premeditava como seria meu destino se não despertasse logo do faz de conta e seguisse meu próprio caminho. As personagens da historinha de mentira, foram desaparecendo e me deixando sozinha.
Sozinha, eu brinquei com o perdão, insisti até onde minhas mãos alcançaram, mas tudo que existia era uma história gasta, rasgada em mil retalhos. Eu precisava saborear uma vida doce outra vez.
Prestei atenção, olhei para os lados e você estava lá.
Você não se parece nada com Jesus, mas fala como um cavalheiro, exatamente como imaginei quando era jovem.
Mas nossa nova história, nós sabíamos, não seria fácil de construir. ''Podemos escalar essa montanha? Podemos enfrentar essa distância?'' Seríamos capazes de tudo que sonhávamos se tivéssemos paciência.
Agora, olhe, veja como tudo fluiu, veja que lindo o amor que se constituiu.
Exatamente como imaginamos quando éramos jovens.
E às vezes você fecha seus olhos e vê o lugar onde você morava, você está convicto de que fez as escolhas certas, do jeito que sonhou.
Você não se parece nada com Jesus, mas fala como um cavalheiro, exatamente como imaginei quando era jovem.
'' He doesn't look a thing like Jesus
But he talks like a gentlemen
Like you imagined when you were young ♪ ''
Porque aquele jeito já não era mais o meu. Minha vida não se parecia nada com o que eu havia sonhado um dia e a todo instante eu premeditava como seria meu destino se não despertasse logo do faz de conta e seguisse meu próprio caminho. As personagens da historinha de mentira, foram desaparecendo e me deixando sozinha.
Sozinha, eu brinquei com o perdão, insisti até onde minhas mãos alcançaram, mas tudo que existia era uma história gasta, rasgada em mil retalhos. Eu precisava saborear uma vida doce outra vez.
Prestei atenção, olhei para os lados e você estava lá.
Você não se parece nada com Jesus, mas fala como um cavalheiro, exatamente como imaginei quando era jovem.
Mas nossa nova história, nós sabíamos, não seria fácil de construir. ''Podemos escalar essa montanha? Podemos enfrentar essa distância?'' Seríamos capazes de tudo que sonhávamos se tivéssemos paciência.
Agora, olhe, veja como tudo fluiu, veja que lindo o amor que se constituiu.
Exatamente como imaginamos quando éramos jovens.
E às vezes você fecha seus olhos e vê o lugar onde você morava, você está convicto de que fez as escolhas certas, do jeito que sonhou.
Você não se parece nada com Jesus, mas fala como um cavalheiro, exatamente como imaginei quando era jovem.
'' He doesn't look a thing like Jesus
But he talks like a gentlemen
Like you imagined when you were young ♪ ''
segunda-feira, 11 de junho de 2012
CCR Via Lagos
Sentada no ônibus, vejo através da janela uma chance de mudar meu destino. Vejo as árvores, vejo a estrada. Sinto um cheiro sutil da maresia. Me despeço do lugar onde mora um pedaço da minha vida. Via Lagos realmente é uma rodovia muito simpática. Viajar para o Rio de Janeiro renovou minha alma, reciclou meus sonhos quebrados e despertou vontades que estavam adormecidas.
Me sinto diferente. Me atrevo a desejar deixar uma marca no mundo. De alguma forma, esse sol quase escondido das 17:30 refletindo nos faróis dos carros, me faz compreender que cada segundo da vida deve ser aproveitado como se fosse o último. Cada segundo é único.
Não é raro ver pessoas ocupadas em vazar pra fora da realidade. Algumas cervejas, alguns cigarros e uma juventude inteira acreditando numa falsa liberdade.
O mundo não é tão divertido quando se está sóbrio, mas ele é nossa única certeza palpável. E ele parece hostil, mas nele estão contidas nossas vidas. E nossas vidas não foram feitas pra serem desperdiçadas com ilusões baratas.
Não é sinal algum de ousadia aumentar o lóbulo auricular e ir na R. Augusta toda sexta-feira. Status mesmo tem quem descobre a cura de uma doença fatal. Ousada mesmo é a ciência.
Essa audácia de pensar que qualquer um é capaz de mudar o mundo. Seu próprio mundo. Alguns chamam de revolução humana, outros de evolução de espírito. Eu chamo de carreira acadêmica, uma megalomania saudável, com uma pitada de sensatez.
E meio que sem saber porque, sinto que precisava dessa viagem, dessa estrada, desse ônibus gelado pra acordar de um pesadelo onde a vida era vazia e rasa.
Me sinto diferente. Me atrevo a desejar deixar uma marca no mundo. De alguma forma, esse sol quase escondido das 17:30 refletindo nos faróis dos carros, me faz compreender que cada segundo da vida deve ser aproveitado como se fosse o último. Cada segundo é único.
Não é raro ver pessoas ocupadas em vazar pra fora da realidade. Algumas cervejas, alguns cigarros e uma juventude inteira acreditando numa falsa liberdade.
O mundo não é tão divertido quando se está sóbrio, mas ele é nossa única certeza palpável. E ele parece hostil, mas nele estão contidas nossas vidas. E nossas vidas não foram feitas pra serem desperdiçadas com ilusões baratas.
Não é sinal algum de ousadia aumentar o lóbulo auricular e ir na R. Augusta toda sexta-feira. Status mesmo tem quem descobre a cura de uma doença fatal. Ousada mesmo é a ciência.
Essa audácia de pensar que qualquer um é capaz de mudar o mundo. Seu próprio mundo. Alguns chamam de revolução humana, outros de evolução de espírito. Eu chamo de carreira acadêmica, uma megalomania saudável, com uma pitada de sensatez.
E meio que sem saber porque, sinto que precisava dessa viagem, dessa estrada, desse ônibus gelado pra acordar de um pesadelo onde a vida era vazia e rasa.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Inveja
Pessoas transitam pela sala decorada com abajures à meia luz. Todos empenhados em satisfazer as exigências da ocasião.
Confraternização entre família e amigos. Todos entusiasmados em contemplar o novo ano e abraçar, mesmo que com falsidade, o maior número de pessoas possível.
E aquele casalzinho adolescente, ah, que horror. Simplesmente nem se levantam do sofá.
Não há quem não os olhe torto na festa. Todos comem, bebem, fingem se divertir.
Os avós abominam o namoro pecaminoso deles dois. No tempo deles não era assim.
Os pais desprezam, são vaidosos. Seus esforços em manter as aparências os toma tempo demais.
Os convidados agradecem por pelo menos tê-los como assunto que os ocupe e mantenha longe da comida; pelo menos pra disfarçar por alguns minutos.
Que casal abrutalhado, indecente, que romance inadequado.
E ela, elegante, sem precisar estar vestida de gala, nem pra exibir o manequim tem coragem de abandonar o namorado. Ela se arrumou para ele. De toda essa exuberância, dessa farta refeição e bebidas refinadas, ele ainda é seu mais saboroso prato.
Alguns contam suas conquistas em alto e bom som. Pra que serve ser bem sucedido se não para ser enaltecido entre os ''amigos''?
O carro do ano, a matricula do filho na melhor escola da região, a conquista de um título político na cidade...
Trajados à rigor, todos degustam aquela champanhe minuciosamente apropriada. Contam casos, dão gargalhadas forçadas.
Um coração sensível é capaz de observar que não estão felizes. Nenhum deles está feliz.
Ah, espere! Mas e quanto àquele casal?
Aquele casal abrutalhado, indecente...romance inadequado.
Depois de criticados em segredo durante a ceia, durante as preces e até enquanto soavam as músicas de boas-vindas ao novo ano, foram ignorados.
Vejam só! Insolentes! Não têm vergonha?
Ninguém os quer por perto. São desagradáveis. Indesejáveis!
São desagradáveis porque sua explícita paixão contamina quem está a volta.
Desagradam porque são invejáveis.
Que deselegantes! Que vergonhoso fazer-nos desejar sentir o desejo incontrolável idêntico ao deles.
Não há quem não troque essa merda de festa infeliz por um amor, por um sentimento de verdade.
Confraternização entre família e amigos. Todos entusiasmados em contemplar o novo ano e abraçar, mesmo que com falsidade, o maior número de pessoas possível.
E aquele casalzinho adolescente, ah, que horror. Simplesmente nem se levantam do sofá.
Não há quem não os olhe torto na festa. Todos comem, bebem, fingem se divertir.
Os avós abominam o namoro pecaminoso deles dois. No tempo deles não era assim.
Os pais desprezam, são vaidosos. Seus esforços em manter as aparências os toma tempo demais.
Os convidados agradecem por pelo menos tê-los como assunto que os ocupe e mantenha longe da comida; pelo menos pra disfarçar por alguns minutos.
Que casal abrutalhado, indecente, que romance inadequado.
E ela, elegante, sem precisar estar vestida de gala, nem pra exibir o manequim tem coragem de abandonar o namorado. Ela se arrumou para ele. De toda essa exuberância, dessa farta refeição e bebidas refinadas, ele ainda é seu mais saboroso prato.
Alguns contam suas conquistas em alto e bom som. Pra que serve ser bem sucedido se não para ser enaltecido entre os ''amigos''?
O carro do ano, a matricula do filho na melhor escola da região, a conquista de um título político na cidade...
Trajados à rigor, todos degustam aquela champanhe minuciosamente apropriada. Contam casos, dão gargalhadas forçadas.
Um coração sensível é capaz de observar que não estão felizes. Nenhum deles está feliz.
Ah, espere! Mas e quanto àquele casal?
Aquele casal abrutalhado, indecente...romance inadequado.
Depois de criticados em segredo durante a ceia, durante as preces e até enquanto soavam as músicas de boas-vindas ao novo ano, foram ignorados.
Vejam só! Insolentes! Não têm vergonha?
Ninguém os quer por perto. São desagradáveis. Indesejáveis!
São desagradáveis porque sua explícita paixão contamina quem está a volta.
Desagradam porque são invejáveis.
Que deselegantes! Que vergonhoso fazer-nos desejar sentir o desejo incontrolável idêntico ao deles.
Não há quem não troque essa merda de festa infeliz por um amor, por um sentimento de verdade.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Não é o tempo que passa rápido demais, nós é que estamos envelhecendo..
Curiosa a sensação de ver o tempo escapar por entre os dedos. Sua vida passa sem que sequer você perceba. Mudanças acontecem, pessoas desaparecem e onde você estava? Imerso em seus compromissos, na sua rotina diária.
E aí da saudade de sentar naquele velho banco de madeira daquele parque que te lembra a infância, observar as folhas caírem das árvores, sem nenhum compromisso que não seja o de estar bem consigo mesmo; em sintonia com a vida.
Eu, quando recobro consciência de mim, lembro que já faz mais de dez anos que andei de bicicleta pela primeira vez. E parece que foi ontem que acreditei que crescendo e envelhecendo seria mais feliz.
Tolo anseio.. A criança que quis ser adulta, trocaria tudo pra ser criança outra vez.
Escrevia todos os dias num pequeno diário cor-de-rosa com cadeado dourado. Lindíssimo! Presente muito delicado da minha mãe.
Todos os segredos, todos os medos e desejos eu imprimia naquelas folhas enfeitadas com adesivos.
As folhas perfumadas de caneta-gel desprenderam-se da brochura e se perderam ao longo dos anos. E tudo que lá esteve escrito, foi apagado.
E o mais interessante é que não são só os textos que se apagam. Memórias também são ofuscadas pelo tempo e as vezes quase somem. E aliás, sumiriam se não fossem as fotos, as histórias contadas entre amigos, as canções, as fragrâncias...
O mesmo Tempo que cura as ressacas, os amores não correspondidos e as derrotas, é o mesmo Tempo que deteriora a existência de tudo que é vivo.
Rugas surgirão, lembranças corroídas serão perdidas... E num piscar de olhos: Jaz aqui quem vos escrevia.
E aí o que é que sobra? Tudo bem. Esta é uma questão digna de não ser respondida.
Estranho uma espécie com 7 bilhões de exemplares estar fadada a um só destino.
Fantoches do Tempo. E além: Escravos do seu próprio Tempo perdido...
E aí da saudade de sentar naquele velho banco de madeira daquele parque que te lembra a infância, observar as folhas caírem das árvores, sem nenhum compromisso que não seja o de estar bem consigo mesmo; em sintonia com a vida.
Eu, quando recobro consciência de mim, lembro que já faz mais de dez anos que andei de bicicleta pela primeira vez. E parece que foi ontem que acreditei que crescendo e envelhecendo seria mais feliz.
Tolo anseio.. A criança que quis ser adulta, trocaria tudo pra ser criança outra vez.
Escrevia todos os dias num pequeno diário cor-de-rosa com cadeado dourado. Lindíssimo! Presente muito delicado da minha mãe.
Todos os segredos, todos os medos e desejos eu imprimia naquelas folhas enfeitadas com adesivos.
As folhas perfumadas de caneta-gel desprenderam-se da brochura e se perderam ao longo dos anos. E tudo que lá esteve escrito, foi apagado.
E o mais interessante é que não são só os textos que se apagam. Memórias também são ofuscadas pelo tempo e as vezes quase somem. E aliás, sumiriam se não fossem as fotos, as histórias contadas entre amigos, as canções, as fragrâncias...
O mesmo Tempo que cura as ressacas, os amores não correspondidos e as derrotas, é o mesmo Tempo que deteriora a existência de tudo que é vivo.
Rugas surgirão, lembranças corroídas serão perdidas... E num piscar de olhos: Jaz aqui quem vos escrevia.
E aí o que é que sobra? Tudo bem. Esta é uma questão digna de não ser respondida.
Estranho uma espécie com 7 bilhões de exemplares estar fadada a um só destino.
Fantoches do Tempo. E além: Escravos do seu próprio Tempo perdido...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Caixa
Eu já morri e não estou sabendo?
Esse desespero, esse não saber o que fazer é como estar numa caixa. Uma caixa que fiz questão de me guardar dentro.
Quatro lados estreitos, sem opção. Impossível realizar grandes movimentos.
Movo o dedo mindinho do pé, acho que já dei meu melhor. Nada muda.
Penso em abrir a caixa, mas não saber como é lá fora é uma ameaça.
Pensar que talvez, por menor e mais sufocante que seja, a caixa ainda é mais confortável que o vento frio do mundo, causa um sentimento de desonra. Sim... me causa vergonha.
Ninguém pode preferir um casulo feio no lugar de belas asas coloridas. Pelo menos, não por medo de aprender a voar.
Meu esforço é em vão. Tentar empurrar essas quatro paredes, só me torna mais pertencente a essa maldita prisão.
Essas amarras apertadas, essa morada amarga... Tão infortuna, tão protetora.
Nunca fui desgarrada. Eu sempre precisei andar de mãos dadas e essa mania de não querer crescer... Simplesmente me desgraça.
Eu sou minha própria mordaça, uma madrasta que não me deixa sair de casa.
Estou boicotando a mim mesma desde o dia que perdi minha única certeza: Eu achei que não precisaria me cuidar.
Não, não da. Eu vou ter que me arriscar, eu preciso crescer.
Quem dorme dentro de caixa é defunto. E quem mora dentro do útero é embrião.
Esse desespero, esse não saber o que fazer é como estar numa caixa. Uma caixa que fiz questão de me guardar dentro.
Quatro lados estreitos, sem opção. Impossível realizar grandes movimentos.
Movo o dedo mindinho do pé, acho que já dei meu melhor. Nada muda.
Penso em abrir a caixa, mas não saber como é lá fora é uma ameaça.
Pensar que talvez, por menor e mais sufocante que seja, a caixa ainda é mais confortável que o vento frio do mundo, causa um sentimento de desonra. Sim... me causa vergonha.
Ninguém pode preferir um casulo feio no lugar de belas asas coloridas. Pelo menos, não por medo de aprender a voar.
Meu esforço é em vão. Tentar empurrar essas quatro paredes, só me torna mais pertencente a essa maldita prisão.
Essas amarras apertadas, essa morada amarga... Tão infortuna, tão protetora.
Nunca fui desgarrada. Eu sempre precisei andar de mãos dadas e essa mania de não querer crescer... Simplesmente me desgraça.
Eu sou minha própria mordaça, uma madrasta que não me deixa sair de casa.
Estou boicotando a mim mesma desde o dia que perdi minha única certeza: Eu achei que não precisaria me cuidar.
Não, não da. Eu vou ter que me arriscar, eu preciso crescer.
Quem dorme dentro de caixa é defunto. E quem mora dentro do útero é embrião.
sábado, 12 de maio de 2012
Dor,
Eu já te superei com tanta dignidade.
Teve um tempo, que você parecia querer me matar. Éramos eu e você. Só nós duas tentando chegar num consenso. Você não me deixou comer, me fez emagrecer dez quilos em menos de dez dias.
Você era alimentada por uma inflamação que realmente quase me tirou a vida.
Anos depois, enquanto eu agradecia por você ter me tornado mais forte, você veio e tomou minha mãe de mim.
Era a minha única mãe, sabia? Você não precisava ter devastado a vida dela em menos de um ano. Não precisava ter resumido sua existência num corpo sem vida. E você penetrou o coração de todos enquanto isso ocorria. Você, com astúcia, se engastou na minha alma. Eu não me atrevia a reclamar. A sua crueldade era com a minha mãe. Ela foi a vítima da história que você confeccionou. Você, protagonista, junto com a Morte, sua coadjuvante, me fizeram derramar lágrimas que eu nem sabia que tinha guardadas.
Desde então Dor, você tem feito brincadeiras de mal gosto comigo.
Você aparece fraquinha e já quase me derruba. Essas suas rasteiras não tem a menor graça. Uma hora você pode quebrar as minhas pernas. Você me assusta. Nunca sei se aparece pra me ensinar ou pra constituir mais uma novela fúnebre. É sério, você me assusta.
Estou tentando sugar sua companhia pra ter qualquer aprendizado que seja. Mas por favor, deixe sua colega de estrada, a Morte, fora disso.
Falo sério. Eu tenho medo de morrer. Só não tenho mais medo de morrer do que tenho de ver a Morte outra vez.
Eu li tudo que era teu pra te ter perto de mim
Por dias incontáveis você esteve lá, vivendo sua vida. Lá longe... Tão distante.
Sem que soubesse da minha existência, eu segui seus passos e te admirei.
No começo, era incerto por não ser correto. Não se pode gostar demais do que não se pode ter.
E em vários momentos me flagrei com uma súbita vontade de espiar como você estava. Porque estranhamente, desde sempre eu quis teu bem.
Sutilmente, me fiz presente em algumas situações. Só pra mostrar que estive por ali.
Chegou um dia, que sem saber, eu te quis pra mim. Os motivos pra não tentar já não eram tão válidos assim. Era a desrazão humana me conduzindo até você.
Nunca fiz muita questão de ser notada. Eu só queria estar ali, participando dos teus dias, ser um pedaço da sua vida.
Eu deixei que tudo isso acontecesse sem perceber que sua importância já havia se instaurado nos meus dias. As tardes só existiam com você. Minha vida, eu só sentia se fosse com você.
Comecei a ler suas palavras e isso inspirava meu dia, era você ali, contido em cada sílaba. Você passou a ser pra mim o que quis ser pra você: Uma razão para sorrir.
Eu nunca tive intenção de te tomar pra mim. Eu queria você, mas não pensava em exclusividade. Não, não tente entender. Eu já te amava tanto, que sua existência era o suficiente pra minha alegria.
Sua existência a princípio, não era tão concreta, mas me movia a ler todos os dias tudo que era teu. E eu li tudo que era teu pra te ter perto de mim. E além: A cada palavra lida, mais vontade ainda de fazer parte da sua vida.
Inexplicavelmente, você voltou seus olhos para mim. Isso me surpreendeu e surpreende até hoje.
Ah, que lindo você. Que orgulho de você...
Você não sabe, mas você conseguiu mostrar o caminho de volta para mim.
Eu amo amar você.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Eu sei que estamos bem
''É difícil lembrar como era antes
Agora eu encontrei o amor da minha vida
Coisas passadas ficam mais confortáveis
Tudo está dando certo
E depois de todos os obstáculos
É bom vê-lo agora com outra pessoa
E é um milagre que eu e você ainda somos bons amigos
Depois de tudo que nós passamos
Eu sei que nós estamos bem
Eu sei que nós estamos bem
Costumávamos pensar que era impossível
Agora você me chama pelo meu novo sobrenome
Memórias parecem muito tempo atrás
O tempo sempre mata a dor... ''
(Cool - Gwen Stefani )
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Olhem para mim
''Loucos são os que nestes dias procuram reconhecimento.
Aprovação, elogio, gratidão, prestígio são elementos em que muitas vezes nem
nossas famílias podem nos prover.
A verdade é que o mundo é uma luta incessante entre pessoas disputando atenção.Chame como quiser: ''realização profissional'', ''lugar ao sol’’, ''carreira''...
Todos nós somos o que somos pra que alguém veja que somos. Bem mais fácil seria se todos tivessem o devido respeito e valor, não? Menos frustrações, menos doenças degenerativas...''
A verdade é que o mundo é uma luta incessante entre pessoas disputando atenção.Chame como quiser: ''realização profissional'', ''lugar ao sol’’, ''carreira''...
Todos nós somos o que somos pra que alguém veja que somos. Bem mais fácil seria se todos tivessem o devido respeito e valor, não? Menos frustrações, menos doenças degenerativas...''
''Sinto cada vez mais que é parte da minha personalidade
ostentar um título, já que me sinto tão pequena onde quer que eu vá.
O jaleco, a farda, um título, um salto alto. Qualquer coisa,
qualquer coisa MESMO que venha a substituir os cigarros e a loucura, vilões que
todo dia eu vejo assombrarem a vida das pessoas mais próximas de mim.''
(Abril, 2011 ~ Primeiro semestre na faculdade)
Não sei se sinto saudade, se acho engraçado ou se simplesmente constato: Esta sou eu, com uma pitada de racionalidade.
Mas joguei tudo fora. Joguei essa racionalidade no lixo. Eu
percebi que não dá pra refletir tudo de maneira tão crítica, tão ríspida, como
eu tentava fazer.
Mas não nego que era bom sublimar minha necessidade de aprovação com
dedicação aos estudos. Hoje, tudo que sei é clamar por olhares insinuosos pra
minhas atitudes autodestrutivas. Sim, mergulhei de cabeça no lago das
lamentações, da rebeldia oca, do descontentamento frívolo.
Num ato desesperado, resolvi provar meus temidos vilões.
Como já era de se esperar, me senti enaltecida de um jeito que nunca havia
saboreado antes. Foi bem apetitoso, enquanto durou.
Sensação estranha essa de ter vendido a alma a Belzebu. Tudo
é muito belo e colorido enquanto nossa parte do contrato é preenchida. Depois
as cores desbotam e tudo perde a graça. Mas sua alma... será
requisitada. Mais cedo ou mais tarde, ele virá te cobrar.
Vejam, vejam como sou adulta, destruindo minha própria pureza. Destroçando minha própria moral.
Olhem para mim, por favor! Me odeiem, me abominem.. Mas por favor, só olhem para mim...
Sórdida experiência, amarga consequência.
Mas me orgulho que pelo menos agora estou viva. Minha vida está em minhas próprias mãos pra ser vivida.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Só queria ser um pouco melhor
Já faz algum tempo que acordo todos os dias com vontade de desistir de tudo que comecei. Desistir de tudo que um dia tive certeza. Muita coisa aconteceu, eu só clamo por um pouco de paciência, de paz, de compreensão. Mas tudo que adquiro a cada sol é ainda mais sentimento de impasse. Não da pra esperar nada dos outros. Sou apenas eu com a minha história. O resto do mundo está ocupado demais com seus próprios problemas (como é de se esperar).
''Adolescência''. Eu não suporto essa palavra, em especial, quando dirigida a mim.
Socialmente adulta mas, de fato, uma verdadeira criança. Nunca adolescente. Não gosto de ser referida como adolescente. Adolescência me lembra imprudência.
Ontem ouvi a melhor definição de neurose: ''Insensibilidade com a história do outro'', ''Incapacidade de empatia''. E nunca fez tanto sentido acreditar que vivemos num mundo neurótico. Somos todos neuróticos. Eu sou neurótica, você é neurótico, Freud era neurótico.
Mas falo sem sentir remorso algum, sem hipocrisia: Eu escolhi a psicologia como profissão no intuito de me tornar mais humana. No intuito de sentir o outro e ser um pouco melhor pra mim mesma.
Só que todos os dias, especialmente na faculdade, me deparo com tudo aquilo que abomino e jamais quero ser. Psicólogos? Não. Na minha opinião - leia opinião de uma zé-ninguém- o corpo docente da minha universidade é composto por ''Mestres em Desprezo com o Próximo'' e ''Doutores em Arrogância''. Isso me torna ainda mais distante dos meus sonhos. Esse curso está tão longe, mas tão longe de tudo que idealizei... Psicólogos?
Eu acreditei severamente que a psicologia era uma ciência humana e além: Uma ciência em prol da humanidade. E agora, tenho a sensação de que as pessoas querem torná-la uma ferramenta de consolo para suas vidas infelizes. ''Veja, sou psicólogo, sou poderoso. Mas sou complexado, broxa e infeliz''. Como eu repugno o narcisismo desses malditos profissionais!
Eu só queria ser um pouco melhor. E tudo que consigo é me tornar reclamona, incerta, descompromissada, irresponsável. Eu queria um exemplo pra seguir. Estou farta de só ter exemplos a não serem seguidos. Estou farta de viver a vida como eu vivo.
Eu quero a chance de acordar de manhã exalando certezas e respirando objetivos. Eu quero a chance de ser feliz comigo outra vez.
sábado, 5 de maio de 2012
''Quando você vai embora...
Os pedaços do meu coração sentem sua falta...''
Sabe meu amor, algumas vezes eu surto. Eu surto porque sou gente, surto porque sou feita de carne. Sei que você me entende. És tão gente quanto eu.
Penso as vezes que somos muito jovens pra arcar com esse torvelinho de sentimentos. Alguns são tão fortes, que vejo que é preciso amadurar idéias para apreciar sua complexidade.
Assim é o amor. O amor existe pra todos, mas são poucos os que conseguem desbravá-lo em sua totalidade. A gente se desenvolve com uma pré-concepção sobre o amor e por essa razão, as vezes deixamos que ele nos escape. Você bem sabe ''como são feitas as entregas de amor''.
Não tenho sequer duas décadas de vida, mas me sinto honrada por ter a chance de te amar, de conseguir reconhecer essa dádiva rara e acima de tudo: ser grata.
Sendo honesta, não nego meu orgulho. Mas não me vanglorio, porque se me foi dada a vida, nada mais justo e coeso que vivê-la com todos os seus bônus e ônus.
Eu pedi pra enlouquecer algumas vezes. Isso porque não sabia que um sentimento podia ser vivido tão intensamente como sei agora. Hoje vejo que não é insanidade que eu queria. Era questão de deixar a vida pulsar, fluir...
E eu sou inexperiente nesse novo tipo de amor. Esse amor puro, verdadeiro, que todo mundo um dia sonhou mas que muitos não encontraram ou tiveram medo de viver.Esse que parece de conto de fadas. Por isso, te peço paciência... porque com toda a coragem me entreguei de cabeça, sem pensar duas vezes. Agora só é preciso encarar seus desafios. Mas é só com teu apoio que se faz possível vencê-los.
É tão astuto esse tal de amor, que quando você vai embora, me torno como rio que congela no inverno rigoroso: Fico frágil e rígida. As vezes, quase me despedaço. Mas, basta surgir o sol que a mesma água que congela e se fragmenta; se reintegra. E o rio retoma seu curso natural em seu estado natural. E assim sou eu também. Portanto, não tem que se preocupar. Só preciso que me aqueça. Tudo porque te amo e quem ama se torna parte do outro. Não, não é dependência. É amor. É amor porque é despretensioso e sem razão. É amor porque tem que ser, não porque a gente quer que seja.
Apesar da minha fragilidade, da minha instabilidade, só tenho motivos pra te agradecer por ter se constituído uma nova certeza na minha vida. Clamo encarecidamente pela tua compreensão. Pra mim é inconcebível a ideia de jogar fora a melhor sensação que já tive nesses meus quase dezenove anos, portanto, tenho medo.
Mas o que tenho de mais valioso hoje é a certeza de que sou humana. Essencialmente humana. Sou amante, errante, bem aventurada por ter comigo quem me completa. Contente pela vida ter nos unido de modo a fazer valer nossas experiencias doídas. Porque não seríamos quem somos hoje, meu querido, não fosse pelo gosto amargo experimentado pelas nossas bocas. Que valor daríamos hoje à doçura que tem o nosso amor?
Me entretenho por horas pensando em como tudo faz sentido agora. Tudo que ficou pra trás, tudo que foi embora, cada lágrima derramada. Sempre houve um porquê.
Será que me tornei crédula do destino? Não sei.
Se existe mesmo destino, o nosso foi entrelaçado, bem como nossos corações. Não duvide... Porque te amo com a certeza de que amanhã te amarei ainda mais.
Sabe meu amor, algumas vezes eu surto. Eu surto porque sou gente, surto porque sou feita de carne. Sei que você me entende. És tão gente quanto eu.
Penso as vezes que somos muito jovens pra arcar com esse torvelinho de sentimentos. Alguns são tão fortes, que vejo que é preciso amadurar idéias para apreciar sua complexidade.
Assim é o amor. O amor existe pra todos, mas são poucos os que conseguem desbravá-lo em sua totalidade. A gente se desenvolve com uma pré-concepção sobre o amor e por essa razão, as vezes deixamos que ele nos escape. Você bem sabe ''como são feitas as entregas de amor''.
Não tenho sequer duas décadas de vida, mas me sinto honrada por ter a chance de te amar, de conseguir reconhecer essa dádiva rara e acima de tudo: ser grata.
Sendo honesta, não nego meu orgulho. Mas não me vanglorio, porque se me foi dada a vida, nada mais justo e coeso que vivê-la com todos os seus bônus e ônus.
Eu pedi pra enlouquecer algumas vezes. Isso porque não sabia que um sentimento podia ser vivido tão intensamente como sei agora. Hoje vejo que não é insanidade que eu queria. Era questão de deixar a vida pulsar, fluir...
E eu sou inexperiente nesse novo tipo de amor. Esse amor puro, verdadeiro, que todo mundo um dia sonhou mas que muitos não encontraram ou tiveram medo de viver.Esse que parece de conto de fadas. Por isso, te peço paciência... porque com toda a coragem me entreguei de cabeça, sem pensar duas vezes. Agora só é preciso encarar seus desafios. Mas é só com teu apoio que se faz possível vencê-los.
É tão astuto esse tal de amor, que quando você vai embora, me torno como rio que congela no inverno rigoroso: Fico frágil e rígida. As vezes, quase me despedaço. Mas, basta surgir o sol que a mesma água que congela e se fragmenta; se reintegra. E o rio retoma seu curso natural em seu estado natural. E assim sou eu também. Portanto, não tem que se preocupar. Só preciso que me aqueça. Tudo porque te amo e quem ama se torna parte do outro. Não, não é dependência. É amor. É amor porque é despretensioso e sem razão. É amor porque tem que ser, não porque a gente quer que seja.
Apesar da minha fragilidade, da minha instabilidade, só tenho motivos pra te agradecer por ter se constituído uma nova certeza na minha vida. Clamo encarecidamente pela tua compreensão. Pra mim é inconcebível a ideia de jogar fora a melhor sensação que já tive nesses meus quase dezenove anos, portanto, tenho medo.
Mas o que tenho de mais valioso hoje é a certeza de que sou humana. Essencialmente humana. Sou amante, errante, bem aventurada por ter comigo quem me completa. Contente pela vida ter nos unido de modo a fazer valer nossas experiencias doídas. Porque não seríamos quem somos hoje, meu querido, não fosse pelo gosto amargo experimentado pelas nossas bocas. Que valor daríamos hoje à doçura que tem o nosso amor?
Me entretenho por horas pensando em como tudo faz sentido agora. Tudo que ficou pra trás, tudo que foi embora, cada lágrima derramada. Sempre houve um porquê.
Será que me tornei crédula do destino? Não sei.
Se existe mesmo destino, o nosso foi entrelaçado, bem como nossos corações. Não duvide... Porque te amo com a certeza de que amanhã te amarei ainda mais.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Amor é bem mais sublime
Quando o incansável desejo de você aparece, é pra cá que eu corro. Esse cantinho cor-de-rosa que abriga todas as minhas emoções.
É que a vida me deu chance de voltar a ser humana. Me deu capacidade de sentir com veracidade, com inocência outra vez. A vida me apresentou você.
Esse teu jeito único de levar a vida. O jeito como encara a realidade e desbrava sua essência. Tem a sabedoria mais empírica e deslumbrante que já vi. Essa tua forma tão simples de amar ao próximo. Esse teu amor por mim... Extingue qualquer sombra que ouse querer amargar meu sorriso.
E meu sorriso é todo teu. Mas não nego que também o meu choro mais sentido é por medo de te perder. Não é te perder apenas; é deixar escapar contigo toda a felicidade e completude que só você me ensinou a viver.
Eu que um dia achei que vivia... E hoje sou tão mais feliz por me certificar de que amor é bem mais sublime. Amor tem bem mais sabor. Amor é amar você.
Nada no mundo vale mais que a pureza do teu semblante alegre. O brilho do teu olhar fixo no meu é muito mais reluzente que qualquer joia rara. A euforia que teu abraço provoca em mim é o sentimento mais intenso que já experimentei. Não existem palavras mais doces do que as que você pronuncia. Não há nada que me faça querer abandonar nossa história. Nas dificuldades, encontro ainda mais motivação. Porque no final, sei que é do teu lado que eu quero viver. É do teu mundo que quero fazer parte.
''Um começo sem fim. Uma história enfim''
É que a vida me deu chance de voltar a ser humana. Me deu capacidade de sentir com veracidade, com inocência outra vez. A vida me apresentou você.
Esse teu jeito único de levar a vida. O jeito como encara a realidade e desbrava sua essência. Tem a sabedoria mais empírica e deslumbrante que já vi. Essa tua forma tão simples de amar ao próximo. Esse teu amor por mim... Extingue qualquer sombra que ouse querer amargar meu sorriso.
E meu sorriso é todo teu. Mas não nego que também o meu choro mais sentido é por medo de te perder. Não é te perder apenas; é deixar escapar contigo toda a felicidade e completude que só você me ensinou a viver.
Eu que um dia achei que vivia... E hoje sou tão mais feliz por me certificar de que amor é bem mais sublime. Amor tem bem mais sabor. Amor é amar você.
Nada no mundo vale mais que a pureza do teu semblante alegre. O brilho do teu olhar fixo no meu é muito mais reluzente que qualquer joia rara. A euforia que teu abraço provoca em mim é o sentimento mais intenso que já experimentei. Não existem palavras mais doces do que as que você pronuncia. Não há nada que me faça querer abandonar nossa história. Nas dificuldades, encontro ainda mais motivação. Porque no final, sei que é do teu lado que eu quero viver. É do teu mundo que quero fazer parte.
''Um começo sem fim. Uma história enfim''
quinta-feira, 26 de abril de 2012
♥
Numa manhã trivial, acordei pensando no seu sorriso e também sorri, por conseguinte. Foi nesse dia que despertei pro quanto me fazia feliz ter você na minha vida. Ainda que não fizesse parte da sua, ainda que não fosse só meu, ainda que fossem só algumas conversas durante as tardes, ainda que estivesse distante. E por momentos incontáveis sonhei acordada com o seu beijo e em ver o seu sorriso de perto. Até que se tornou real. E nunca senti tão forte o hálito refrescante da liberdade soprar em mim. É engraçado como meus afetos fixaram-se em você e ainda assim sinto que tenho asas e vivo um momento perfeito não só contigo mas também comigo. Estranho como consegue me fazer sentir assim. Isso é inédito.É perfeito.
Sentir seu cheiro doce, a maciez do seu cabelo, o calor do seu abraço, me fez acreditar que a vida realmente vale a pena e que o mundo não é o lugar hostil que muitos dizem.
Senti enfim o que todo ser humano - ainda que o negue - almeja na vida : A felicidade do amor correspondido. Mas me refiro ao verdadeiro, não ao artificialmente arquitetado.
Eu tenho esperado você por aqui... uma eternidade :')
Eu tenho esperado você por aqui... uma eternidade :')
terça-feira, 17 de abril de 2012
Você sabe, mas não faz nada
Você percebe que ainda não amadureceu o suficiente quando a vida te cobra coisas fáceis e você é incapaz de resolver. Você espera sentado um milagre acontecer, alguém aparecer e te pegar no colo.
Você sabe que está desamparado, despreparado quando deixa de fazer alguma coisa porque teve medo. Você sabe que sabe de tudo isso, se assume, mas não muda nada a respeito.
Você sabe que não é hora de se cobrar, mas sabe também que a vida não para pra você se recupere dos testes que ela mesma te aplica. Você sabe. Mas não faz nada.
Você sabe que precisa crescer, mas nunca cresce.
Você sabe que está desamparado, despreparado quando deixa de fazer alguma coisa porque teve medo. Você sabe que sabe de tudo isso, se assume, mas não muda nada a respeito.
Você sabe que não é hora de se cobrar, mas sabe também que a vida não para pra você se recupere dos testes que ela mesma te aplica. Você sabe. Mas não faz nada.
Você sabe que precisa crescer, mas nunca cresce.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Coração envenenado
I Just want to walk right out of this world, 'cause everybody has a poison heart.
(Eu só quero caminhar para fora desse mundo, pois todos tem um coração envenenado)
Eu já escrevi isso na contracapa de inúmeros cadernos, na parede do quarto, numa redação na sétima série. Eu era tão jovem, com tantos sonhos. Mas eu sempre insisti em acreditar que todos têm um coração envenenado.
Como fiquei adormecida durante tanto tempo? Onde eu estava esse tempo todo? Porque quem vivia aqui dentro, certamente não era eu.
Eu tinha mais convicções com 13 anos de idade do que nos dias de hoje.No entanto, era tão deprimida quanto sou hoje.
Não dá pra negar que eu tenho uma leve atração por sentimentos sórdidos. Não da pra negar que a todo momento, inverto princípios, destruo certezas e me sinto mais forte provocando olhares de reprovação nas pessoas. Eu realmente tenho algum princípio?
Tenho uma saudade enorme das minhas calças rasgadas propositalmente no joelho. Da menina que queria ter vivido na década de 70 e carregava debaixo do braço 'A História da Filosofia' do Will Durant. Tenho saudade de acreditar que tinha engajamento político. Sim, essa é a parte mais engraçada. Saudade demais de pedir pra minha mãe cortar meu cabelo igual do Joey Ramone e do dia que eu implorei pra ela comprar uma guitarra e ela me fez tocá-la desafinada, na frente dos vendedores da loja.
Achei que essa menina já estava morta. Hoje sinto que parte dela ainda está aqui. Sempre esteve aqui guardada, esperando que eu ressuscitasse. Sempre esteve aqui, desconfiando de corações envenenados.
Eu realmente acreditava ter encontrado um coração puro até algumas semanas atrás. Durante muito tempo essa crença me fez descartar a essência da minha pré-adolescência inteira, foi assim que me perdi de mim. Depois vi que o coração que achava que era puro era tão envenenado quanto o meu ou quanto o de qualquer outra pessoa. Descobri então, que quanto mais veneno se injeta num coração, mais sensível ele fica. E por mais intoxicado que esteja, é ainda mais capaz de amar.
(Eu só quero caminhar para fora desse mundo, pois todos tem um coração envenenado)
Eu já escrevi isso na contracapa de inúmeros cadernos, na parede do quarto, numa redação na sétima série. Eu era tão jovem, com tantos sonhos. Mas eu sempre insisti em acreditar que todos têm um coração envenenado.
Como fiquei adormecida durante tanto tempo? Onde eu estava esse tempo todo? Porque quem vivia aqui dentro, certamente não era eu.
Eu tinha mais convicções com 13 anos de idade do que nos dias de hoje.No entanto, era tão deprimida quanto sou hoje.
Não dá pra negar que eu tenho uma leve atração por sentimentos sórdidos. Não da pra negar que a todo momento, inverto princípios, destruo certezas e me sinto mais forte provocando olhares de reprovação nas pessoas. Eu realmente tenho algum princípio?
Tenho uma saudade enorme das minhas calças rasgadas propositalmente no joelho. Da menina que queria ter vivido na década de 70 e carregava debaixo do braço 'A História da Filosofia' do Will Durant. Tenho saudade de acreditar que tinha engajamento político. Sim, essa é a parte mais engraçada. Saudade demais de pedir pra minha mãe cortar meu cabelo igual do Joey Ramone e do dia que eu implorei pra ela comprar uma guitarra e ela me fez tocá-la desafinada, na frente dos vendedores da loja.
Achei que essa menina já estava morta. Hoje sinto que parte dela ainda está aqui. Sempre esteve aqui guardada, esperando que eu ressuscitasse. Sempre esteve aqui, desconfiando de corações envenenados.
Eu realmente acreditava ter encontrado um coração puro até algumas semanas atrás. Durante muito tempo essa crença me fez descartar a essência da minha pré-adolescência inteira, foi assim que me perdi de mim. Depois vi que o coração que achava que era puro era tão envenenado quanto o meu ou quanto o de qualquer outra pessoa. Descobri então, que quanto mais veneno se injeta num coração, mais sensível ele fica. E por mais intoxicado que esteja, é ainda mais capaz de amar.
sábado, 7 de abril de 2012
Morte
Primeiro foi a dela: minha mãe.
Pela primeira vez, a morte verdadeira. Aquela que extingue o ser por completo, pelo menos, dessa existência. Morte literal, do corpo físico, não apenas como conceito. E doeu. Doeu nela, em mim, nos outros...
Não sou capaz de imaginar o quanto doeu nela. Não consigo aceitar até hoje o quanto doeu em mim.
Foram as cenas mais horripilantes da minha vida. A novela mais fúnebre de todos os tempos. E durou um ano... Um ano inteiro de amargura, gemidos de madrugada, seringas, cheiro de morfina.
E aquele ser amável, que me pegou no colo, deformou-se em aparência, mas evoluiu um século ou mais em espírito.
Eu não consegui olhar, quase nunca eu estive lá, do seu lado. E lembrar do dia que a vi, sentada, tomando café da manhã sozinha... Cheguei acreditar que o pesadelo havia acabado. Mas não, era o seu pulso de vida, enfraquecendo, mas tentando resistir.
E eu quis que acontecesse duma vez. Eu queria chorar tudo de uma vez.
O primeiro corpo sem vida que tive de encarar foi o dela. O corpo de quem me amou incondicionalmente. A quem eu devo a minha existência.
Como se já não bastasse, agora encaro a morte dele, a quem atribuí todos os meus objetivos. Em quem depositei toda minha confiança e expectativa.
E ele, assim como ela, morre todos os dias um pouco pra mim. Mas ele... Morre estando vivo, saudável e feliz. Morre só pra mim.
Inocência
Acordo e vejo que tudo está bem
Pela primeira vez na vida e é tão bom!
Abro os olhos, vejo em volta e fico impressionada
Penso nas pequenas coisas que tornam a vida boa.
Eu não mudaria nada,
É a melhor sensação !
Essa inocência é brilhante
Espero que ela dure
Este momento é perfeito
Por favor não vá embora
Eu preciso de você agora
Não deixe passar em branco.
Innocence - Avril Lavigne
Pela primeira vez na vida e é tão bom!
Abro os olhos, vejo em volta e fico impressionada
Penso nas pequenas coisas que tornam a vida boa.
Eu não mudaria nada,
É a melhor sensação !
Essa inocência é brilhante
Espero que ela dure
Este momento é perfeito
Por favor não vá embora
Eu preciso de você agora
Não deixe passar em branco.
Innocence - Avril Lavigne
Coringa, ao contrário.
Às vezes me percebo no mundo como uma peça avulsa, que não cabe em nenhum lugar.
Existe alguma coisa mais desumana que superficialidade? Existe maior angústia do que estar só mesmo acompanhado?
Não parece muito saudável, mas às vezes prefiro qualquer companhia que não seja a minha própria. Não é medo da solidão. É medo do que possa surgir aqui dentro... Medo de mim mesma.
Aqueles pesadelos deixaram de se repetir, pelo menos. É que tenho cedido lugar aos bons novos sentimentos. E tem sido agradável. Mas em contrapartida, um período consideravelmente grande da minha vida agora parece nem ter existido. Pra ser mais clara, parece ter feito parte de outra vida. A vida de uma outra pessoa que me habitou por algum tempo.
E essa impossibilidade de viver as coisas exatamente no momento que quero me consome em ansiedade. E essa ansiedade que me consome em... Desesperança?
É, existe um espírito muito infantil aqui dentro. Que gosta de provocar os outros destruindo seus princípios. Uma pitada de rebeldia adolescente. Só sinto que seja meio descabido, visto que devia ter feito isso há muito, muito tempo. Talvez estivesse em paz agora.
O único caminho que acheipra encontrar a mim mesma foi o ‘caminho de volta’. Isso talvez explique porque os dias de hoje se parecem tanto com os dias de 4, 5 anos atrás. Com isso, vem o pior: A saudade dela, senhora minha mãe. Enxergo um retrocesso aí. E não consigo ter nenhum julgamento sobre isso. E não há quem possa me dizer qual é o certo e o que está errado. Não dessa vez. Fui obrigada a desconstruir todos os meus parâmetros. Dilacerar todas as minhas certezas. Desbloquear aquela menininha de 13, 14 anos que precisava quebrar a cabeça pra entender melhor a vida, que precisava desbravar o mundo com o próprio tato.
Quer dizer que é hora de caminhar com as próprias pernas? Não há nada de errado nisso. Mas tem que ser assim, duma vez por todas?
Quando é que conseguirei desmitificar o passado? Crescer de vez?
segunda-feira, 2 de abril de 2012
hihi :3
Quando foi que eu me tornei tão juvenil?
Deve ter sido quando comecei a sentir o que sinto por você :3
sábado, 31 de março de 2012
Parecia pouco, era tão bobo.
No que parecia ser a mais densa e cega escuridão dos meus dias,sinto que de repente encontrei quem procurava há tempos. E que a luz do lampião era incapaz de iluminar, sabe-se lá, por qual motivo. E no momento desesperado em que ela se apagou e pensei que ia ficar sem ver, apareceu você com a luz do Sol.
Saber que você existe de fato seria empolgante mesmo que estivesse do outro lado do planeta.
Estou abismada com o sentimento que carrego. Já não acreditava mais na existência dele. Já estava habituada com a minha realidade fria, medíocre.
Esse afeto tem caráter tão puro, despretensioso. Sua própria natureza não permite que eu deposite mais expectativas do que devo. Sua própria essência requer cautela, paciência.
E o que antes era tão pouco, hoje é motivo pra acordar sorrindo. O que era tão bobo, hoje me faz transbordar em alegria.
O prazer da aventura justifica todo risco que corremos. Os temores que sentimos, faz jus àquela verdade comum de que sacrifícios valem a pena e que o impossível só existe pra quem é fraco... Ou insensível.
Eu amo tudo que tem me ocorrido. Amo o que estou sentindo. Amo quem e como você tem sido.
E quando digo que amo que seja quem é, então... Estou dizendo que te amo?
Saber que você existe de fato seria empolgante mesmo que estivesse do outro lado do planeta.
Estou abismada com o sentimento que carrego. Já não acreditava mais na existência dele. Já estava habituada com a minha realidade fria, medíocre.
Esse afeto tem caráter tão puro, despretensioso. Sua própria natureza não permite que eu deposite mais expectativas do que devo. Sua própria essência requer cautela, paciência.
E o que antes era tão pouco, hoje é motivo pra acordar sorrindo. O que era tão bobo, hoje me faz transbordar em alegria.
O prazer da aventura justifica todo risco que corremos. Os temores que sentimos, faz jus àquela verdade comum de que sacrifícios valem a pena e que o impossível só existe pra quem é fraco... Ou insensível.
Eu amo tudo que tem me ocorrido. Amo o que estou sentindo. Amo quem e como você tem sido.
E quando digo que amo que seja quem é, então... Estou dizendo que te amo?
segunda-feira, 26 de março de 2012
Há você em mim
De madrugada, eu odiava seu cheiro de cigarro.
Mas era bom conversar sobre tudo, levantar hipóteses sobre as pessoas, sobre o mundo.
E queria que eu deitasse na cama do teu lado, como um bebê. Eu era seu bebê. O que tinha de errado?
E agora ainda me sinto o mesmo bebê de outrora. Só que sem você aqui.
Eu odiava que tentasse me controlar. Hoje, me sinto perdida por não ter com quem falar sobre várias coisas.
Sim, seus conselhos não eram sempre bons. Mas eu gostava e em alguns acreditava, igual receita de bolo.
Me lembro de sairmos... Eu tão pequena, tinha medo que bebesse, que algo errado acontecesse. Não queria estragar tudo. Queria poder sair com você sempre. Queria que confiassem na gente!
Gostava dos seus presentes, das brincadeiras, das suas dobraduras de peixe e desenhos de gatinho.
E hoje, engraçado... Sinto vontade de ver o mar.
Eu não gostava do mar, nem da praia. Eu não gostava de psicologia. Eu não gostava de Billy Idol. Eu não gostava da natureza.
E olhe pra mim! Tudo que tenho feito... Você teria sido boa psicóloga pros outros. Jamais a psicóloga de si mesma. Nada diferente de mim. Nada diferente dos outros.
E você as vezes me deixava sozinha. Eu não entendia... Era a sua busca por você.
Mas a busca por você era feita sempre nos outros. Mas não importa. Você amou. E amou com veracidade, com pureza.
Mas a busca por você era feita sempre nos outros. Mas não importa. Você amou. E amou com veracidade, com pureza.
Desculpa se não reconheci tuas virtudes antes.
Obrigada por ter sido uma boa mãe.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Inconsciente, seu psicopata filho da puta!
Por que não me deixa sozinha?
Que vem fazer nos meus sonhos todas as noites e ainda por cima trazendo companhia tão desagradável? Minha mente é lugar inóspito para vocês dois juntos.
Não quero sentir raiva, mas é insuportável imaginá-los. Acordo com olhos úmidos e vontade de chorar. Tenho horror a isso.
Sou só eu que sinto tristeza, saudade? Ou já conseguiu apagar todas as lembranças pra dar lugar às novas?
As vezes se torna difícil não pensar que tudo estava sendo planejado pelas minhas costas. E supor quantas vezes pude ter sido enganada. Não, não quero chegar a esse tipo de conclusão. Não quero pensar no que foi, quero pensar no que será.
Mas por favor, não me apareça de noite com ela. Inconsciente, por favor, deixe de ser psicopata e de tentar me ver no chão.
Desculpa, não quero te afastar. Mas também não peça que eu não chore...
segunda-feira, 19 de março de 2012
Tão ideal
Embora tenha ficado claramente pueril, é algo inédito pra mim e feito por mim. Composto por algo que se assemelha pelo menos um pouquinho a sonoridade de um poema. HAHA
Esboça ideias sobre algo que é verídico. No entanto, não quero ser julgada nesse aspecto. É um segredo! Não quero ser descoberta :3
Fingir é insuportável,
Escrever, inevitável!
Já que esse meu segredo não pode ser revelado a ninguém.
Não sei se é errado, mas é fato que algo está bem mudado aqui.
Antes de dormir, é no teu nome que eu penso
E em tua imagem, fantasio e desejo.
Será isso ilusão? Fruto de um vazio emotivo...
Serei eu vítima da solidão?
Não!
Sei que te quero ao meu lado e não sei bem o porquê.
É que a tua companhia faz tão bem, mesmo que sem querer.
Te imaginar é tão natural, sonhar com a tua forma impregnada em mim...
Parece tão ideal!
Não houve nada delineado
Tudo foi produto do acaso
E pra quem não acredita:
Meu total descaso, minha aversão!
Se esse sentimento é meu,
Quem há de cuidar dele serei eu !
Esboça ideias sobre algo que é verídico. No entanto, não quero ser julgada nesse aspecto. É um segredo! Não quero ser descoberta :3
Fingir é insuportável,
Escrever, inevitável!
Já que esse meu segredo não pode ser revelado a ninguém.
Não sei se é errado, mas é fato que algo está bem mudado aqui.
Antes de dormir, é no teu nome que eu penso
E em tua imagem, fantasio e desejo.
Será isso ilusão? Fruto de um vazio emotivo...
Serei eu vítima da solidão?
Não!
Sei que te quero ao meu lado e não sei bem o porquê.
É que a tua companhia faz tão bem, mesmo que sem querer.
Te imaginar é tão natural, sonhar com a tua forma impregnada em mim...
Parece tão ideal!
Não houve nada delineado
Tudo foi produto do acaso
E pra quem não acredita:
Meu total descaso, minha aversão!
Se esse sentimento é meu,
Quem há de cuidar dele serei eu !
sábado, 17 de março de 2012
No Escuro
Escrevi não faz muito tempo. Sobre o peso das cobranças que me eram feitas quando minha mãe estava no leito de morte. Me indignava as pessoas quererem demonstrações de luto e tristeza, sendo que, não manifestar não significa não sentir.
Enquanto dotes cênicos afloram em todos ao meu redor, refugio-me nas entranhas de uma racionalidade altamente sistêmica e controlada.
Um rosto frio,um olhar intrínseco sobre a razão das coisas. Tão insensível ,tão egoísta.
Assim que costumam ser os julgamentos sobre mim.
Não amenizo, com palavras doces, o pranto de ninguém. Não debato temas que me recordem de uma tragédia. Não sinto prazer no sadismo em acompanhar de perto toda e qualquer notícia mórbida.
Cada vez menos sinto sequer o aumento da circulação sanguínea em função de uma situação problema. Não me assusto.
Cada vez menos disponho de um riso que não seja histérico, desesperado, mecânico em negar uma emoção secreta, escondida no escuro.
Uma aversão ao sofrimento explicito dos outros, se torna cada dia maior em mim. Se minhas atitudes afobadas e inconsequentes diante da gravidade de um problema são injustificáveis, por que as lágrimas dos outros sempre são bem aceitas?
Por que não posso sentir o mundo como bem quiser? Por que não posso agir do meu modo frente a um medo profundo acerca de algo que todo mundo desconhece e tem medo também?
Enquanto todos exibem seu condicionamento biossocial, chorando e sofrendo , construindo um padrão robotizado de tristeza, eu continuo a pensar só.
No escuro.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Ah, amizade. Tão estimada amizade!
Dezoito anos, uma vida inteira sem saber o valor que tem a tal estimada amizade.
Se busco olhar pra trás, noto que jamais consegui esmiuçar uma ralação a fundo, sem ter grandes pretensões, simplesmente por ser a relação, algo bom de cultivar. Sem interesses, com reciprocidade natural e sem cobranças. Acho que essa é a definição melhor que consigo pra ‘amizade’ nesse momento.
Nunca me achei auto-suficiente, mas também nunca quis aceitar o quanto amigos verdadeiros me faziam falta. Escondi-me atrás de um relacionamento , que a principio, devia ser um namoro, só pra sugar um apoio que nunca permiti que pessoas ‘’comuns’’ me provessem. Só pra amenizar uma carência que não era de amante. E é impossível que uma pessoa em posição de parceiro romântico, possa garantir valores e afetos exclusivos da amizade.
Sentia como se a qualquer momento as pessoas pudessem virar as costas pra mim. Ou talvez, como se eu não fosse suficientemente interessante, altruísta, simpática pra conseguir manter pessoas ao meu redor. Mas todos esses atributos são bastante relativos. Uns me acharão a amiga mais verdadeira. Outros enxergarão que sou egoísta. E outros ainda escreverão meu nome numa lista de possíveis amores.
Tudo isso pode parecer muito óbvio, a quem foi ensinado desde cedo o valor que tem um amigo e o valor que tem estender a mão a alguém por simples bondade.
Mas não parece nada óbvio pra mim. Na verdade, admito ser um tanto deslumbrante. Algo como uma nova descoberta, feita tardiamente.
E pensar que já acreditei que o maior objetivo da vida é construir uma relação a dois...
Hoje enxergo e afirmo que o maior objetivo da vida é curar-se do desprezo consigo mesmo.
É ter o mínimo de auto-suficiência e amor próprio. É conseguir enxergar no outro, apenas o outro e não um oceano de oportunidades a seu favor. É ver que pra construir o tal relacionamento a dois, é necessário no mínimo distinguir o outro de si mesmo e desmanchar as expectativas de que o outro resolverá sua insegurança, seus medos.
Há valores, que devemos ter encravados na essência. Valores estes que não se pode construir em conjunto com ninguém que não seja apenas amigo, que não seja apenas família.
E lamento pelo tempo que perdi, achando que viria alguém me socorrer dos meus males. Estava enganada. Não virá um me socorrer. Virão vários. E a isso se atribui o nome de AMIGO.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Da ira à razão
Maldita mente, fraquejaste! Como pôde colocar-me tão desesperada mesmo sabendo que o corpo, por conseguinte, corria o risco de padecer?
Jogo de mau gosto este que jogaste comigo, minha mente, minha exclusiva companheira da noite.
Preocupação infundada, insegurança traiçoeira, angústia infernal, não quero a vossa companhia! Mesmo que estes sejam os dias mais escuros da minha vida... Que seja bem vinda a racionalidade. Esta sim! Que me visite todas as noites, que não me abandone como fazem as pessoas. Porque as pessoas são errantes, mas isso não se aplica a velha e boa razão.
Fiz um pacto esta noite. Um trato comigo mesma! E jurei pelo amor da minha mãe que está no céu, que hei de tomar controle sobre mim, sobre meus atos.
Colocar-me-ei em primeiro lugar daqui pra frente, pois como se diz,meus caros, o limiar entre a sanidade e a loucura é ínfimo. Suficientemente ínfimo para ser rompido pelo desespero e ira passageira.
E quanto a ti, mãe querida, veja que tua filha aqui na Terra há de alcançar toda magnitude da tua força em vida, pois foi está a lição que deixaste pra mim e é esta lição que seguirei!
Quando 'nós' tornou-se 'eu e você'
Se comparado a tua companhia o resto do mundo é tão sem graça...
Todos os outros sorrisos, todos os outros olhares... tudo é tão trivial!
As conversas, por melhores e mais sinceras que sejam, nunca sequer assemelhar-se-ão às conversas que costumávamos ter.
E nem os melhores humoristas são capazes de me arrancar sorrisos como faziam as piadas e brincadeiras que só nós dois entendíamos.
Não há no universo, espaço que caiba todo amor que houve em tudo que vivemos e quem sabe, ainda viveremos; caso a vida e o tempo nos permitam.
Mas agora, como encarar a frieza do mundo que antes passava despercebida? Como admitir que a felicidade de quem amamos pode nos custar mais caro do que pretendíamos pagar e que talvez esteja muito, muito além do alcance das nossas próprias mãos...? Como aceitar que por mais caloroso e bem intencionado seja o afeto que sentimos, ele pode ferir ao invés de amparar?
A todo momento me vejo tentando entender e responder a essas questões. Tenho fé que estando em paz, o mundo fará as pazes comigo. E estando de bem com a vida, poderei tentar estar bem com você ;)
Todos os outros sorrisos, todos os outros olhares... tudo é tão trivial!
As conversas, por melhores e mais sinceras que sejam, nunca sequer assemelhar-se-ão às conversas que costumávamos ter.
E nem os melhores humoristas são capazes de me arrancar sorrisos como faziam as piadas e brincadeiras que só nós dois entendíamos.
Não há no universo, espaço que caiba todo amor que houve em tudo que vivemos e quem sabe, ainda viveremos; caso a vida e o tempo nos permitam.
Mas agora, como encarar a frieza do mundo que antes passava despercebida? Como admitir que a felicidade de quem amamos pode nos custar mais caro do que pretendíamos pagar e que talvez esteja muito, muito além do alcance das nossas próprias mãos...? Como aceitar que por mais caloroso e bem intencionado seja o afeto que sentimos, ele pode ferir ao invés de amparar?
A todo momento me vejo tentando entender e responder a essas questões. Tenho fé que estando em paz, o mundo fará as pazes comigo. E estando de bem com a vida, poderei tentar estar bem com você ;)
Reflexãozinha ;)
Dentre todas as frustrações que vivemos a mais compartilhada se refere ao amor. Talvez porque nenhum de nós esteja totalmente pronto para carregar sobre os ombros a força que esse sentimento tão humano, tão complexo e ao mesmo tempo severo, exerce sobre nossas vidas.
Quando amamos alguém e somos retribuídos, tendemos a acreditar que independente de qual seja a circunstância, o amor do outro estará la a guardado para nós. Esquecemos as vezes da singularidade do outro e então sufocamos. É necessário ser maduro e ter uma alta percepção sobre o limiar entre nós e o outro pra evitar isso; o que é muito foda, diga-se de passagem.
Quando encontramo-nos sufocados em nosso pessimismo sequer lembramos de nós mesmos, focando assim, nossos problemas. Mas se há nesses momentos o desprezo pelo amor próprio como amar o próximo? Como dar a outro o que não temos para com nós mesmos?
E então, só quando encontramos a paz individual em nossas almas é que podemos dar a nós mesmos a chance de amar e ser amado.
É assim que acredito, pelo menos e assim que tenho visto funcionar.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Sobre minha prática de escrever
Meus textos chegam a ser ridículos, de tão meus. Ora, mas quem sou eu, se não alguém como outro qualquer que sustenta os próprios interesses?
Saber escrever é uma dádiva que nem sempre é concedida naturalmente a nós. Mas otimista que sou (pelo menos nesse aspecto), acredito que o treino faz o talento de qualquer um.
Sempre acreditei em vocação. Deve ser por isso que parei de estudar música. Mas uma coisa que não consigo, é parar de tentar que minhas palavras sejam palavras bonitas e ao mesmo tempo sinceras. Escrever, Além de ser um gesto da alma, como toda arte é, é também um gesto solidário, porque existem sentimentos que são unanimes. Posso estar me precipitando, mas se somos todos humanos, temos em algum nível algo que nos torna semelhantes. E, a menos que esteja completamente enganada, creio que este ‘’algo’’ seja o sentir.
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