segunda-feira, 26 de março de 2012

Há você em mim

De madrugada, eu odiava seu cheiro de cigarro.
Mas era bom conversar sobre tudo, levantar hipóteses sobre as pessoas, sobre o mundo.
E queria que eu deitasse na cama do teu lado, como um bebê. Eu era seu bebê. O que tinha de errado?
E agora ainda me sinto o mesmo bebê  de outrora. Só que sem você aqui.
Eu odiava que tentasse me controlar. Hoje, me sinto perdida por não ter com quem falar sobre várias coisas.
Sim, seus conselhos não eram sempre bons. Mas eu gostava e em alguns acreditava, igual receita de bolo.
Me lembro de sairmos... Eu tão pequena, tinha medo que bebesse, que algo  errado acontecesse. Não queria estragar tudo. Queria poder sair com você sempre. Queria que confiassem na gente!
Gostava dos seus presentes, das brincadeiras, das suas dobraduras de peixe e desenhos de gatinho.
E hoje, engraçado... Sinto vontade de ver o mar.
Eu não gostava do mar, nem da praia. Eu não gostava de psicologia. Eu não gostava de Billy Idol. Eu não gostava da natureza.
E olhe pra mim! Tudo que tenho feito... Você teria sido boa psicóloga pros outros. Jamais a psicóloga de si mesma. Nada diferente de mim. Nada diferente dos outros. 
E você as vezes me deixava sozinha. Eu não entendia... Era a sua busca por você.
Mas a busca por você era feita sempre nos outros. Mas não importa. Você amou. E amou com veracidade, com pureza.
Desculpa se não reconheci tuas virtudes antes.
Obrigada por ter sido uma boa mãe. 

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