Primeiro foi a dela: minha mãe.
Pela primeira vez, a morte verdadeira. Aquela que extingue o ser por completo, pelo menos, dessa existência. Morte literal, do corpo físico, não apenas como conceito. E doeu. Doeu nela, em mim, nos outros...
Não sou capaz de imaginar o quanto doeu nela. Não consigo aceitar até hoje o quanto doeu em mim.
Foram as cenas mais horripilantes da minha vida. A novela mais fúnebre de todos os tempos. E durou um ano... Um ano inteiro de amargura, gemidos de madrugada, seringas, cheiro de morfina.
E aquele ser amável, que me pegou no colo, deformou-se em aparência, mas evoluiu um século ou mais em espírito.
Eu não consegui olhar, quase nunca eu estive lá, do seu lado. E lembrar do dia que a vi, sentada, tomando café da manhã sozinha... Cheguei acreditar que o pesadelo havia acabado. Mas não, era o seu pulso de vida, enfraquecendo, mas tentando resistir.
E eu quis que acontecesse duma vez. Eu queria chorar tudo de uma vez.
O primeiro corpo sem vida que tive de encarar foi o dela. O corpo de quem me amou incondicionalmente. A quem eu devo a minha existência.
Como se já não bastasse, agora encaro a morte dele, a quem atribuí todos os meus objetivos. Em quem depositei toda minha confiança e expectativa.
E ele, assim como ela, morre todos os dias um pouco pra mim. Mas ele... Morre estando vivo, saudável e feliz. Morre só pra mim.
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