Às vezes me percebo no mundo como uma peça avulsa, que não cabe em nenhum lugar.
Existe alguma coisa mais desumana que superficialidade? Existe maior angústia do que estar só mesmo acompanhado?
Não parece muito saudável, mas às vezes prefiro qualquer companhia que não seja a minha própria. Não é medo da solidão. É medo do que possa surgir aqui dentro... Medo de mim mesma.
Aqueles pesadelos deixaram de se repetir, pelo menos. É que tenho cedido lugar aos bons novos sentimentos. E tem sido agradável. Mas em contrapartida, um período consideravelmente grande da minha vida agora parece nem ter existido. Pra ser mais clara, parece ter feito parte de outra vida. A vida de uma outra pessoa que me habitou por algum tempo.
E essa impossibilidade de viver as coisas exatamente no momento que quero me consome em ansiedade. E essa ansiedade que me consome em... Desesperança?
É, existe um espírito muito infantil aqui dentro. Que gosta de provocar os outros destruindo seus princípios. Uma pitada de rebeldia adolescente. Só sinto que seja meio descabido, visto que devia ter feito isso há muito, muito tempo. Talvez estivesse em paz agora.
O único caminho que acheipra encontrar a mim mesma foi o ‘caminho de volta’. Isso talvez explique porque os dias de hoje se parecem tanto com os dias de 4, 5 anos atrás. Com isso, vem o pior: A saudade dela, senhora minha mãe. Enxergo um retrocesso aí. E não consigo ter nenhum julgamento sobre isso. E não há quem possa me dizer qual é o certo e o que está errado. Não dessa vez. Fui obrigada a desconstruir todos os meus parâmetros. Dilacerar todas as minhas certezas. Desbloquear aquela menininha de 13, 14 anos que precisava quebrar a cabeça pra entender melhor a vida, que precisava desbravar o mundo com o próprio tato.
Quer dizer que é hora de caminhar com as próprias pernas? Não há nada de errado nisso. Mas tem que ser assim, duma vez por todas?
Quando é que conseguirei desmitificar o passado? Crescer de vez?
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