segunda-feira, 11 de junho de 2012

CCR Via Lagos

Sentada no ônibus, vejo através da janela uma chance de mudar meu destino. Vejo as árvores, vejo a estrada. Sinto um cheiro sutil da maresia. Me despeço do lugar onde mora um pedaço da minha vida. Via Lagos realmente é uma rodovia  muito simpática. Viajar para o Rio de Janeiro renovou minha alma, reciclou meus sonhos quebrados e despertou vontades que estavam adormecidas.
Me sinto diferente. Me atrevo a desejar deixar uma marca no mundo. De alguma forma, esse sol quase escondido  das 17:30  refletindo nos faróis dos carros, me faz compreender que cada segundo da vida deve ser aproveitado como se fosse o último. Cada segundo é único.
Não é raro ver pessoas  ocupadas em vazar pra fora da realidade. Algumas cervejas, alguns cigarros e uma juventude inteira acreditando numa falsa liberdade.
O mundo não é tão divertido quando se está sóbrio, mas ele é nossa única certeza palpável. E ele parece hostil, mas nele estão contidas nossas vidas. E nossas vidas não foram feitas pra serem desperdiçadas com ilusões baratas.
Não é sinal algum de ousadia aumentar o lóbulo auricular e ir na R. Augusta toda sexta-feira. Status mesmo tem quem descobre a cura de uma doença fatal. Ousada mesmo é a ciência.
 Essa audácia de pensar que qualquer um é capaz de mudar o mundo. Seu próprio mundo. Alguns chamam de revolução humana, outros de evolução de espírito. Eu chamo de carreira acadêmica, uma megalomania saudável, com uma pitada de sensatez.
E meio que sem saber porque, sinto que precisava dessa viagem, dessa estrada, desse ônibus gelado pra acordar de um pesadelo onde  a vida era vazia e rasa.

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