segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dezenove

Nem tanta coisa mudou. Os sonhos, os medos, os desejos ainda são todos os mesmos.
Que me foi atribuída alguma liberdade eu não posso negar. Sou grata por isso.
Também me foi dada alguma maturidade. Esta, não sei se foi concedida ou conquistada, mas com certeza  é responsável por ter me mantido sensata.
Os motivos pra afundar na lama não foram poucos. Contá-los aqui seria um importuno repeteco. Mas tudo que aprendi nesses quase vinte anos, serviu justamente pra que eu me segurasse. E eu me segurei. Fiquei firme, saí quase intacta.
Ah, se aquela garotinha de onze anos que fui um dia pudesse me ver agora... Sentiria orgulho por ter realizado grande parte dos seus anseios. Sentiria alívio por caminhar sozinha, por saber tomar suas próprias decisões e confeccionar seu próprio destino.
A garota que um dia chorou pelo que acreditava ser amor, encontrou um príncipe de verdade, que só a faz sorrir.
A garota que um dia brigou em casa pra ser livre, conquistou a confiança e o orgulho da família.
A garota que foi humilhada na escola por ser diferente, ganhou alguns admiradores. É fato que não são muitos, mas o importante é que são reais.
Eu que achava que nunca teria amigos, descobri que amizade é algo que requer dedicação e que se eu tiver cautela, terei ao meu lado os melhores amigos do mundo.
E eu assumo que ainda não tenho grandes motivos pra me orgulhar. Mas já me orgulho pelas pequenas conquistas. Dou valor a cada experiencia vivida, a cada sonho destruído, a cada palavra amiga, a cada sorriso, a cada desaforo, a cada mentira, a todos os 'amores' e todas as dores sentidas.
A garotinha de onze anos teve seu maior sonho alcançado: Ela cresceu.
Ao mesmo tempo que nem tanta coisa mudou. Os sonhos, os medos, os desejos ainda são todos os mesmos... A essência permaneceu.

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