segunda-feira, 14 de maio de 2012

Caixa

Eu já morri e não estou sabendo?
Esse desespero, esse não saber o que fazer é como estar numa caixa. Uma caixa que fiz questão de me guardar dentro.
Quatro lados estreitos, sem opção. Impossível realizar grandes movimentos.
Movo o dedo mindinho do pé, acho que já dei meu melhor. Nada muda.
Penso em abrir a caixa, mas não saber como é lá fora é uma ameaça.
Pensar que talvez, por menor e mais sufocante que seja, a caixa ainda é mais confortável que o vento frio do mundo, causa um sentimento de desonra. Sim... me causa vergonha.
 Ninguém pode preferir um casulo feio no lugar de belas asas coloridas. Pelo menos, não por medo de aprender a voar.
Meu esforço é em vão. Tentar empurrar essas quatro paredes, só me torna mais pertencente a essa maldita prisão.
Essas amarras apertadas, essa morada amarga... Tão infortuna, tão protetora.
Nunca fui desgarrada. Eu sempre precisei andar de mãos dadas e essa mania de não querer crescer... Simplesmente me desgraça.
Eu sou minha própria mordaça, uma madrasta que não me deixa sair de casa.
Estou boicotando a mim mesma desde o dia que perdi minha única certeza: Eu achei que não precisaria  me cuidar.
Não, não da. Eu vou ter que me arriscar, eu preciso crescer.
Quem dorme dentro de caixa é defunto. E quem mora dentro do útero é embrião.


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