quinta-feira, 10 de maio de 2012

Olhem para mim


''Loucos são os que nestes dias procuram reconhecimento.
Aprovação, elogio, gratidão, prestígio são elementos em que muitas vezes nem nossas famílias podem nos prover.
A verdade é que o mundo é uma luta incessante entre pessoas disputando atenção.Chame como quiser: ''realização profissional'', ''lugar ao sol’’, ''carreira''...
Todos nós somos o que somos pra que alguém veja que somos. Bem mais fácil seria se todos tivessem o devido respeito e valor, não? Menos frustrações, menos doenças degenerativas...''

''Sinto cada vez mais que é parte da minha personalidade ostentar um título, já que me sinto tão pequena onde quer que eu vá.
O jaleco, a farda, um título, um salto alto. Qualquer coisa, qualquer coisa MESMO que venha a substituir os cigarros e a loucura, vilões que todo dia eu vejo assombrarem a vida das pessoas mais próximas de mim.''
(Abril, 2011 ~ Primeiro semestre na faculdade)

Não sei se sinto saudade, se acho engraçado ou se simplesmente constato: Esta sou eu, com uma pitada de racionalidade.
Mas joguei tudo fora. Joguei essa racionalidade no lixo. Eu percebi que não dá pra refletir tudo de maneira tão crítica, tão ríspida, como eu tentava fazer.
Mas não nego que era bom sublimar minha necessidade de aprovação com dedicação aos estudos. Hoje, tudo que sei é clamar por olhares insinuosos pra minhas atitudes autodestrutivas. Sim, mergulhei de cabeça no lago das lamentações, da rebeldia oca, do descontentamento frívolo.
Num ato desesperado, resolvi provar meus temidos vilões. Como já era de se esperar, me senti enaltecida de um jeito que nunca havia saboreado antes. Foi bem apetitoso, enquanto durou.
Sensação estranha essa de ter vendido a alma a Belzebu. Tudo é muito belo e colorido enquanto nossa parte do contrato é preenchida. Depois as cores desbotam e tudo perde a graça. Mas sua alma... será requisitada. Mais cedo ou mais tarde, ele virá te cobrar.
Vejam, vejam como sou adulta, destruindo minha própria pureza. Destroçando minha própria moral. 
Olhem para mim, por favor! Me odeiem, me abominem.. Mas por favor, só olhem para mim...
Sórdida experiência, amarga consequência. 
Mas me orgulho que pelo menos agora estou viva. Minha vida está em minhas próprias mãos pra ser vivida. 




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