quarta-feira, 23 de maio de 2012

Não é o tempo que passa rápido demais, nós é que estamos envelhecendo..

Curiosa a sensação de ver o tempo escapar por entre os dedos. Sua vida passa sem que sequer você perceba. Mudanças acontecem, pessoas desaparecem e onde você estava? Imerso em seus compromissos, na sua rotina diária.
E aí da saudade de sentar naquele velho banco de madeira daquele parque que te lembra a infância, observar as folhas caírem das árvores, sem nenhum compromisso que não seja o de estar bem consigo mesmo; em sintonia com a vida.
Eu, quando recobro consciência de mim, lembro que já faz mais de dez anos que andei de bicicleta pela primeira vez. E parece que foi ontem que acreditei que crescendo e envelhecendo seria mais feliz.
Tolo anseio.. A criança que quis ser adulta, trocaria tudo pra ser criança outra vez.
Escrevia todos os dias num pequeno diário cor-de-rosa com cadeado dourado. Lindíssimo! Presente muito delicado da minha mãe.
Todos os segredos, todos os medos e desejos eu imprimia naquelas folhas enfeitadas com adesivos.
As folhas perfumadas de caneta-gel desprenderam-se da brochura e se perderam ao longo dos anos. E tudo que lá esteve escrito, foi apagado.
 E o mais interessante é que não são só os textos que se apagam. Memórias também são ofuscadas pelo tempo e as vezes quase somem. E aliás, sumiriam se não fossem as fotos, as histórias contadas entre amigos, as canções, as fragrâncias...
 O mesmo Tempo que cura as ressacas, os amores não correspondidos e as derrotas, é o mesmo Tempo que deteriora a existência de tudo que é vivo.
Rugas surgirão, lembranças corroídas serão perdidas... E num piscar de olhos: Jaz aqui quem vos escrevia.
 E aí o que é que sobra? Tudo bem. Esta é uma questão digna de não ser respondida.
Estranho uma espécie com 7 bilhões de exemplares estar fadada a um só destino.
Fantoches do Tempo. E além: Escravos do seu próprio Tempo perdido...

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