quarta-feira, 21 de novembro de 2012

365 dias

Mãe, me perdoa. Me perdoa por não conseguir ficar tão bem como você me pediu. Eu sei, você me queria forte, me queria sorridente, me queria de cabeça erguida.
Eu mesma achei que superaria facilmente a sua falta, mas é impossível.
Lembra quando, na escola, as outras crianças diziam que queriam ter uma mãe igual você? Uma mãe ''doidona'', uma mãe boazinha, divertida?
Hoje quando falo de você pros meus amigos, a maioria lamenta por não ter te conhecido e os que conheceram, lamentam o que aconteceu.
Tem gente, que nós duas sabemos, diz sentir saudade por pura demagogia. Mas você sabe melhor que eu sobre as verdades e mentiras desse mundo.
Desde que você se foi, eu sonhei muitas vezes com você. Alguns sonhos foram lindos, outros foram terríveis.
Nos primeiros dias logo após você partir, eu sonhava com você triste e doente e quando acordava, me perdoe, mas sentia alívio por não estar mais aqui sofrendo.
Hoje em dia, me perdoe outra vez, mas sonho com você e acordo lamentando por não estar mais aqui, nem saudável, nem doente, nem por alguns dias, nada. Não tem você aqui.
Me perdoe pelo meu egoísmo, mãe. Era horrível aguentar aqueles procedimentos médicos pra manter sua última centelha de vida, mas agora é horrível pensar que NADA mais pode ser feito. Me despedaço quando penso que nada vai te trazer de volta.
Nos primeiros dias, todos me falaram palavras bonitas, me abraçaram e pareceram até realmente me compreender. Mas mãe, é pura crueldade, pois passado um mês, ninguém sequer lembrava. Agora então, depois de um ano, tem gente que simplesmente exige que eu esteja recuperada.
Por isso eu te peço, mãe. Me perdoa, pois sutilmente minha vida foi desmoronando na tua ausência. Ainda que poucos tenham notado, foi ficando cada vez mais difícil suportar as lembranças tristes e a saudade dos momentos felizes.
Mas mãe, veja! Eu estou aqui. Levando tombos, esbarrando nas paredes das dificuldades, mas eu sobrevivi. E pode ter certeza de que vou continuar percorrendo o mesmo caminho, sem desvio, sem atalho, porque sei que é a sua vontade.
Eu sei, é difícil me reconhecer assim, aos prantos. Logo eu que sempre me fiz de durona... Mas acredite, só quero continuar acreditando que onde quer que esteja, você está bem. Só assim ficarei bem.
Esteja em paz, mammy, que enquanto você descansa eu honrarei a sua passagem por aqui.
Obrigada por tudo.
Te amo.

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