Sua admiração era tão profunda, que ela não sabia outro adjetivo se não 'perfeição' para contemplá-lo.
Ele era meu tio, eu o via pouco, mas vou pra sempre lembrar sorrindo do seu jeito bocó de me cumprimentar dizendo ''ÔÔH MÃRIÃNÃ! ''
Minha mãe chegou chamá-lo de Jesus Cristo. Mas como adivinharia que um dia eu acordaria com a notícia de que o único Jesus que eu conhecia teve o rosto perfurado por uma bala? Se minha mãe vivesse entre nós, certamente ficaria desolada. É nessa hora que me rendo à crença e admito que talvez esse seja um dos motivos pra ela ter partido primeiro.
Meu tio, era a única pessoa que eu conhecia com estrutura psíquica para carregar o poder sobre a vida das pessoas, guardado em sua pistola e sua farda. E tenho plena convicção de que, por pior que fosse a situação, ele ainda optaria pela vida.
Ironicamente foi através do mesmo poder, concedido a infelizes que exalam a fétida desgraça pelo simples fato de existirem, que ele partiu deste mundo carnal e leviano que conhecemos.
Não me importa justiça, não me importa certo e errado. O que me importa é a sabedoria contida no próprio ciclo vida-morte que nós incompreendemos.
Por mais que doa assistir minha família se desintegrar, se reduzir a mágoa e sofrimento, sinto orgulho por poder usufruir dos ensinamentos do meu tio e da minha mãe, que embora tenham feito uma passagem muito curta pela Terra, participaram da minha vida, fazendo-me sentir especial e honrada.
Obrigada aos dois que, coincidentemente ou não, partilhavam sorrisos idênticos <3
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