sábado, 3 de novembro de 2012

Homem? Não... Anjo.

Me lembro com clareza da minha mãe me ensinar seus mais valiosos valores pautados na conduta dele.
Sua admiração era tão profunda, que ela não sabia outro adjetivo se não 'perfeição' para contemplá-lo.
Ele era meu tio, eu o via pouco, mas vou pra sempre lembrar sorrindo do seu jeito bocó de me cumprimentar dizendo ''ÔÔH MÃRIÃNÃ! ''
Minha mãe chegou  chamá-lo de Jesus Cristo. Mas como adivinharia que um dia eu acordaria com a notícia de que o único Jesus que eu conhecia teve o rosto perfurado por uma bala? Se minha mãe vivesse entre nós, certamente ficaria desolada. É nessa hora que me rendo à crença e admito que talvez esse seja um dos motivos pra ela ter partido primeiro.
Meu tio, era a única pessoa que eu conhecia com estrutura psíquica para carregar o poder sobre a vida das pessoas, guardado em sua pistola e sua farda. E tenho plena convicção de que, por pior que fosse a situação, ele ainda optaria pela vida. 
Ironicamente foi através do mesmo poder, concedido a infelizes que exalam a fétida desgraça pelo simples fato de existirem, que ele partiu deste mundo carnal e leviano que conhecemos.
Não me importa justiça, não me importa certo e errado. O que me importa é a sabedoria contida no próprio ciclo vida-morte que nós incompreendemos. 
Por mais que doa assistir minha família se desintegrar, se reduzir a mágoa e sofrimento, sinto orgulho por poder usufruir dos ensinamentos do meu tio e da minha mãe, que embora tenham feito uma passagem muito curta pela Terra, participaram da minha vida,  fazendo-me sentir especial e honrada. 
Obrigada aos dois que, coincidentemente ou não, partilhavam sorrisos idênticos <3

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