sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Entardecer metropolitano

Num instante, incontáveis pensamentos assolam minh’alma numa velocidade insuperável que torna impossível registrá-los. 
Me pego desolada. Outra vez desalojada em minha própria existência.
Olho através da janela, um céu sofrido feito de nuvens poluídas e reflexo corroído de toda gente desiludida. Céu sem estrelas. Céu avermelhado, céu que existe despercebido em lugar onde só vive gente preocupada.
Paisagem abominável, de caixas d’água encardidas e telhados quebrados. 
Inspiração pra memórias que devem ser escondidas e sentimentos que devem ser abafados.
Quantos sorrisos perdidos cedidos para dar espaço às lágrimas infindas 
sobre amores presentes, ausentes, perdidos, descabidos.
Sofro já não sei mais se é pelo incerto ou se é pela amargura de que são feitas as certezas.
Escrevo, me disperso, me desespero e me perco. Por pouco, não me despeço.
Vida onde não descubro pra que tenho serventia. 
Óh mundo que não decodifico. Por que torna tão maçante minha breve estadia?

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