Até hoje, houve muito conteúdo recolhido por anos para ser escrito. Era tanto tempo e uma porção tão grande de coisas vividas que simplesmente tudo transbordou. Resultou numa criatividade temporária, passageira.
Hoje sinto timidez diante da magnitude que é o gesto de escrever. Escrevo, leio, releio meus textos débeis, sem brilho. De todas as virtudes que poderiam ter, só têm a sinceridade e boa intenção de quem os escreve.
Não é menosprezo ou falta de estima em mim mesma. Não é um caso de crise de identidade ou coisa do gênero, é só que sinto que a fonte secou. Sobrou algum eco do que havia meses atrás, mas não o suficiente pra satisfazer minha necessidade narcisista de produção ou quem sabe - numa linguagem mais florida - satisfazer meu eu sonhador que com ou sem talento, insiste e crê.
Acontece que descobri que escrever para outrem sem primeiro conhecer quem dominou essa tarefa muito antes de haver qualquer sombra da minha insignificante existência, é ordinariamente imbecil.
Escrever significa mais e requer muito mais esforço do que simplesmente redigir um diário das mazelas que sufocam minha vidinha.
Pobre criança sou que desconhece a grandeza de toda arte produzida e deixada, pelos verdadeiros adultos, ao nosso desfrute. Toda beleza que é simplesmente usufruir da herança que os gênios de outrora reservaram a todos aqueles que pretender ir além.
Como se atrever a escrever algo antes de ler o que antes já foi escrito com muito mais sagacidade?
Se ainda pretendo escrever, tenho urgentemente que buscar outros horizontes e eleger novos heróis.
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