domingo, 1 de dezembro de 2013

Dicotomia sem solução

Eu poderia ter escolhido perder os cabelos entranhada em sentenças matemáticas. Poderia ter me perdido entre átomos e moléculas. Entre fórmulas e gráficos. Cálculos e sistemas binários. Eu poderia ter escolhido tudo, qualquer coisa.
Poderia ter escolhido viver quantas vidas quisesse, criando novas vozes, novos personagens. Poderia agraciar o mundo com melodias e pinturas fantásticas. Com poesia. Com comida saborosa, quem sabe.
Contudo, envaidecida pela promessa de compreender o funcionamento do ser que sempre mais me afugentou, escolhi enveredar no mais subjetivo universo inerente ao homem: A Psychē.
Escolhi a ciência que relativiza toda e qualquer ação que permeia a vida de um indivíduo. Que sistematiza as relações conferindo a elas significados jamais pensados por quem as constituiu. Que transforma uma infinidade de abstrações em fenômenos discutíveis e analisáveis.
É impossível não amar as infindas possibilidades e descobertas proporcionadas por esta implacável escolha, que já vem causando consequências subversivas ao próprio propósito há três anos. Assim como também é inevitável odiá-la com efervescência. Ódio este, exaustivamente explicado através de suas teorias e sistemas, ensejando a manutenção eterna da raiva.
E por mais que a sua importância seja intangível, imensurável, seus equívocos irritam o estômago já cansado de tanto sentir ojeriza.
Melhor que qualquer outra ciência, a psicologia viabiliza que muita gente de má fé se instrumentalize dela, adequando-a não só para nutrir o ego como também para se defender da objetividade do mundo. Porque o mundo continua existindo, apesar da psicologia. A vida existe, apesar da psicologia.
E pra esse tipo de gente e quaisquer outros que pretendam se utilizar do conhecimento acadêmico pra se autopromover e suster sua vã soberbia eu desejo a ruína. Do âmago da alma, eu desejo a ruína. E ai daqueles dispostos ao psicologismo de tentar interpretar meu desgosto, meu desamparo.

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