Xaropar é se preocupar demais. É problematizar situações antes mesmo que se constituam os fatos. É mexer no que está quieto, se precipitar. Xaropar é ponderar e investigar toda e qualquer ação que seja de cunho subjetivo. E quase toda ação (pra não dizer toda) provinda de um sujeito é subjetiva. Xaropar é ser autoagressivo. É se martirizar com muita, mas muita antecedência.
Em meu próprio caso, tento compreender as formas que ultimamente me delineiam enquanto indivíduo. Elas se transformam. E essas transformações são abruptas demais, constantes demais. Logo que me emancipo num aspecto, me fragilizo por completo noutro. São formas desenhadas com traços tênues que se misturam facilmente ao mundo, mesclando figura e fundo. Mas que porra é essa?
Talvez não devesse despender de tanta reflexão, de um esforço tão denso para assuntos de ordem relativamente superficial. Desaprendi a "deixar rolar".
Dessa vez é certo que o conflito está em mim. Bem melhor ter essa certeza e, consequentemente, manter a comunicação de mim para comigo. Não existe nenhum objeto externo que mereça o fardo de compartilhar minhas angústias.
Capaz ser tudo fruto desse ócio maldito. Esse ócio que se iniciou como queda da produtividade e, finalmente, se instaurou por completo outra vez. E de novo recai sobre mim a culpa e o desespero por, supostamente, rascunhar a vida.
Talvez exista uma necessidade intrínseca, absoluta por uma fase de introspecção pela qual não quero me submeter. Por que? Por medo, simplesmente. E se ao meu despertar, todos tiverem ido embora? Aliás, todos quem, afinal? Sob uma ótica mais realista, racional e, despropositadamente cruel, nunca houve ninguém e nem nunca haverá.
Do leque de sistemas que permeiam minha modesta existência, não vejo algo que esteja propriamente fora do lugar. Mas ainda assim, está tudo fora de ordem. Estou intimamente ligada ao fantasma de uma crise que já não tem mais causa.
Em todos nós habita um buraco. Temos a opção de preenchê-lo ou deixá-lo aberto para as eventualidades. Transito por essas opções. Honestamente, estou tentando largar-me ao acaso. Mas existe uma ansiedade corrosiva. Aquela apressada corrida rumo ao nada, já citada diversas vezes.
Feliz de quem consegue operar de fato no nível operacional. Feliz de quem consegue ser. De quem consegue somente ser.
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