segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ceticismo

Naquela manhã, embora o sol brilhasse para a maioria, sobre a sua cabeça pairava uma nuvem nebulosa e carregada.
Era acometida por uma tempestade torrencial de dúvidas, arrependimentos, frustrações e melancolia. Era tão custoso dar as costas aos vestígios de esperança... Era deveras doloroso seguir em frente, sem olhar pra trás, desguarnecida de motivos.
O motivo pra viver era somente viver. Todo e qualquer esforço seria em razão de evitar grandes sofrimentos e não de buscar felicidade. Na verdade, estava exausta de sua busca desvairada por sabe-se lá o que. Já era tempo de sossegar, descansar dessa extenuante jornada rumo ao nada.
Apesar dos pesares, era uma bela manhã. Vestiu um casaco de lã, muniu-se de fones de ouvido e saiu.
Obviamente não havia um destino premeditado. E pensava angustiada que se nem pra'quela caminhada descompromissada conseguia se projetar, o que esperar então de sua vida?!
Depois de tanta dedicação e paciência para com um futuro incalcansável encontrava-se incrédula em relação ao destino. Bem porque, pensava que mesmo que comprovasse sua teoria do desígnio, o universo não estaria a seu favor. Suas crenças se dissolviam de forma a levá-la, finalmente, à desistência.
A chama do amor impossível que alimentava há meses havia se apagado sem aviso. O impossível tornara-se mais que concreto, era também propositalmente ideal e invencível. Sua falta de fé tomou proporções gigantescas a ponto de abalar o inabalável. Simplesmente era o fim. Derrotada, apenas conformava-se com o fim. Ademais, antes lamentar-se pela finitude de um bom sentimento do que assisti-lo transformar-se em ódio. Ao menos as lembranças gratas resistiriam.
Caminhava sem pressa. Sentia uma enorme leveza que, no entanto, não era de alívio e sim consequência do vazio. Se sentia dominada por uma espécie de liberdade forçosa que mais parecia abandono, rejeição. Liberdade seria se estivesse, por escolha, desacompanhada. Mas a leveza estranha era na verdade solidão.

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