sábado, 6 de julho de 2013

Café da manhã

Naquela manhã, me senti enganada pela vida. Não que fosse novidade que ela faria isso muitas e muitas vezes, mas dessa vez me senti traída e ainda não houve dor que superasse esta.
Não posso imaginar quão pior foi a sua dor. A dor aguda do punhal traiçoeiro da ilusão, atravessando nossos corações.
O seu café tinha mais calor que você. A banana que descascou com dificuldade guardava, em suas fibras, mais vida do que você.
Mas você esteve firme naqueles dias. Eu te vi segurando sua bandeja com tanta vitalidade, seu determinismo era tão forte. Havia uma chama em seu olhar que era intensa, porém, tremeluzia. Eu já devia saber... Eu devia ter escutado o que me diziam.
Mas não. Eu cri que você ficaria.
Mas tudo foi finito. Presença, esperança.
O que persiste imortal e invisível é a saudade.

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