O choro é passível de ser engolido sim. Nas primeiras vezes é um pouco complicado porque os suspiros arranham a garganta, o coração e a alma. Mas com o tempo, qualquer um é capaz de aprender.
Cada um tem seu truque. Igual engolir comprimido. Uns colocam na ponta da língua, outros no meio dela e alguns, mais ousados até dissolvem-no na água e bebem a mistura amarga.
O fato indiscutível é que todos, TODOS nós mais cedo ou mais tarde teremos de lidar com o mundo caindo sobre nossas cabeças, com o chão nos sendo tomado e com a bola de arame farpado que se forma em nossa traqueia, obstruindo-a, nos tirando o ar.
Parte de mim está morrendo. E está morrendo claramente pra dar espaço a uma nova pessoa. A tão sonhada maturidade está se aproximando e isso dói. Parece que cada vez doerá mais. Mas também será mais sutil e suportável. É, é paradoxal mesmo.
As lágrimas mais doídas da minha vida toda, foram as que eu contive na fila de uma empresa, segurando a carteira de trabalho nas mãos pra ser contratada. Estava em frangalhos, mas ninguém podia saber.
Com o tempo, a vida não nos permite mais derramar o pranto por um dia inteiro na cama. Sem comer, sem dormir ou tomar banho. Se isto acontecer, certamente algum diagnóstico tratará de nos colocar num lugar social muito pior: o lugar do doente. E aí pode-se dizer que a vida acaba mesmo. Internações, estimulantes, anti-psicóticos, avental, cateter na veia.
E se não for isso, então é a drogadição que acaba conduzindo exatamente pro mesmo status. Só que neste caso, os olhares são muito mais cruéis e preconceituosos.
Sabemos que uma pressãozinha no peito, que acomete a todos, não pode ser responsável por estragar os anos pósteros. Por isso que na hora que a maré aumenta, até quem não tem perna corre da praia.
Ninguém gosta, mas no fundo, todo mundo sabe que é melhor digerir a mágoa, por mais doloroso que seja o processo, do que deixá-la no domínio das continentais terras psíquicas.
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