Quão irresponsável você foi ao despertar um coração quieto, sendo que nunca teve a intenção de nutrir qualquer bom sentimento?
Como pôde tratar como nada o que poderia vir a tornar-se tudo? Fantasia que jamais existiria, não fosse você e suas mentiras sob o azul do céu e sobre a grama fria.
Toda rigidez uma hora desmorona, se tratada com doçura. Todo coração se aquece frente a um gesto verdadeiramente amigo.
Amigo? Podia ter sido. Ou até mais, se assim desejasse. Mas é deveras incompleto para andar ao lado de alguém, sem precisar estribar-se numa muralha de concreto, tijolos e segurança. Mesmo que feita de uma superfície fria e agourenta, está sempre aí, estática a te involucrar. Enquanto que ao ar livre, o mundo dança conforme o ritmo dos ventos desconhecidos.
Imatura a escolha de não assumir riscos.
Dentre os recortes de sorrisos, fico aqui tentando achar algum que tenha sido real.
Tateando todas as lembranças verifico se alguma merece ser preservada. Mas no final, acabam todas arremessadas ao fogo do esquecimento. Ordinárias chamas que consomem lentamente seu descaso.
Com que estômago me vem proferir a palavra? Com que coragem me sorri de cara lavada?
Me serve de consolo, que assim tão despreparado, a vida há de te ensinar muito com algumas bofetadas.
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