Este vento que sopra hoje gélido e intenso traz consigo sonhos traçados há um tempo longínquo. Suficientemente remoto para ser esquecido. Mas quando o caos se instaura, se faz necessário cavar a alma até suas vísceras. Ou mais do que isso: Até o núcleo da célula do espírito, onde está inscrito o código da felicidade.
E foi no ato destrutivo de me afundar de uma só vez nas infindas lamentações e desgraças de uma vida sem propósito é que tive de encarar, já quase que sem forças, uma estrutura amorfa, desconhecida, perigosa e amedrontadora: o vazio existencial.
Como já era sabido pelos povos antigos, é do caos que surge a organização. Organização esta que nomeia os sentimentos, que dá sentido aos desejos, que determina o lócus dos sonhos mais insanos e descabidos, que concede papéis às pessoas e que acima de tudo devolve o amor próprio.
Dar sentido à existência é tarefa árdua e dinâmica. Seu dinamismo se dá ao passo que uma razão para a vida não satisfaz o vazio definitivamente. Significar esta lacuna existente entre vida e morte consiste em atualizar os motivos para estar vivo a cada segundo vivido.
E são estes novos ares que me felicitam de verdade. Estes que trazem esperança, estes que sopram belas imagens de um futuro alcançável, não tão distante. Estes que me imprimem pequenos bons momentos. Que me dão a graça de ouvir cantar um pássaro pela manhã ao abrir a janela do quarto. Que me presenteiam com a simplicidade de sentar na poltrona do ônibus, num dia ensolarado e bonito, enquanto escuto minha canção favorita nos fones de ouvido e por este pretexto, sorrio. Sorrio sem grandes precedentes, sorrio verdadeiramente.
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