segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Natureza

És tão grande que me abraça na simplicidade de um agora interminável, como o agora deve ser. Destrói a ilusão do tempo pra devolver a presença que a civilização nos furtou.
Anseio te louvar em palavras, sou filha tua tentando subverter teu desígnio que é me fazer pedaço, no espaço -sem baliza-  integrante de um corpo consciente sobre cada desdobramento de sua consciência. Hoje, consciente de sua concessão à  minha própria consciência, me rendo e te abraço de volta, emudecida nos gestos e com a boca calada.
És tão sagrada que me revela que a alma é uma entidade sem idade, conduzindo uma matéria reduzida pela duração. Resistimos através dos séculos, numa busca interminável pelo nosso lugar. Temos legitimidade pra existir caso haja confluência aos seus sinais e propósitos. Peço licença pra aprender com a dissolução dos rancores e consolidar a fé em ser, sem representar.
Ao religar-me ao teu ventre, conecto-me com o meu e entendo a graça do surgimento da vida. Traduzo o mundo sob o olhar das crianças. Quantas dezenas de milhares de verdades carregam as risadas frouxas, os olhares curiosos, os poros que tangem cada milímetro do universo palpável?
Quem sou então, para interpelar a significância dos grilhões da existência? Que sentido teria a vida, se não viver?

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