E é assim, fingindo não querer, que ele as assalta da segurança de suas certezas, da quietude de suas almas.
As pega desarmadas, este canalha, este putrefato ser.
Coa o sangue de seus corações esmagados, só para bebê-lo sozinho sob o luar que reverbera sua cara cínica, pálida e desavergonhada.
Escolhe a esmo a quem sortear aquelas lágrimas dissimuladas ou a quem condecorar com a medalha das otárias.
Proferir ''eu te amo'', para ele, não é coisa rara nem cara.
Com expressão severa e pérfida racionalidade, não se detém de sua perversidade.
Se embaraça em seus dilemas.
Diz valorizar a amizade, mas sacode a genitália toda vez que vê um rabo de saia.
Carrega consigo as insígnias de suas nefastas vitórias sobre aqueles amores trouxas de outrora que sem qualquer pudor, ele fez nascer, combustar e arder.
E com inegável habilidade consegue esgueirar-se, como um rato, pelas beiradas das desculpas fiadas, diz que sua mente nunca está mal intencionada e que em sua ingenuidade e inocência todos devem crer.
Ninguém que não visse (como eu vi) sua auto-estima escorrer pelo ralo entenderia a razão para tais atos.
Fatos compreendidos, porém não justificados.
Humano desqualificado.
Um ladrão de almas, de valores e de moral.
Um cretino, um verdadeiro animal.
terça-feira, 23 de abril de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Life on Mars
Era um planeta que recebia muitos visitantes, mas eram poucos os que ficavam.
Sua natureza era bastante hostil as vezes e pra se tornar habitante, era necessário muito afinco, muita perseverança.
Suas tempestades eram intensas, mas seu solo era bem rígido. Sua atmosfera podia ser maleável, mas sua robusteza era inflexível.
Eu o via cintilando bem longe. Uma adorável estrela vermelha. Mas mesmo distante, sabia que havia lá uma morada só pra mim. E eu o considerava meu lar primário pois depois de desvendá-lo, a Terra perdeu suas migalhas de esplendor.
Quem um dia denominou-o estrela da morte, é porque não foi agraciado com a força oriunda de sua fúria. Sua fúria não era necessariamente má se compreendida ou bem sublimada.
Independente de quais fossem as circunstâncias, era sempre um astro acolhedor. Não importando quão grande fosse minha frieza, apenas me aquecia.
Hoje seu brilho continua ofuscando a órbita mórbida de todo o restante da população galática. Continua colossal e arbitrariamente emana, para mim, sua boa e exasperada energia.
Não obstante, continuo a admirá-lo, mesmo que sem poder fazer visitas com a frequência que gostaria.
Mesmo que sinta medo de que se torne mais populoso do que sua extensão possa suportar, ainda me felicito em saber que há pra mim um lugar guardado e que possivelmente continuará guardado mesmo que eu jamais volte lá.
Sua natureza era bastante hostil as vezes e pra se tornar habitante, era necessário muito afinco, muita perseverança.
Suas tempestades eram intensas, mas seu solo era bem rígido. Sua atmosfera podia ser maleável, mas sua robusteza era inflexível.
Eu o via cintilando bem longe. Uma adorável estrela vermelha. Mas mesmo distante, sabia que havia lá uma morada só pra mim. E eu o considerava meu lar primário pois depois de desvendá-lo, a Terra perdeu suas migalhas de esplendor.
Quem um dia denominou-o estrela da morte, é porque não foi agraciado com a força oriunda de sua fúria. Sua fúria não era necessariamente má se compreendida ou bem sublimada.
Independente de quais fossem as circunstâncias, era sempre um astro acolhedor. Não importando quão grande fosse minha frieza, apenas me aquecia.
Hoje seu brilho continua ofuscando a órbita mórbida de todo o restante da população galática. Continua colossal e arbitrariamente emana, para mim, sua boa e exasperada energia.
Não obstante, continuo a admirá-lo, mesmo que sem poder fazer visitas com a frequência que gostaria.
Mesmo que sinta medo de que se torne mais populoso do que sua extensão possa suportar, ainda me felicito em saber que há pra mim um lugar guardado e que possivelmente continuará guardado mesmo que eu jamais volte lá.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Instante de amor
Há quem diga que aquela era uma massa homogênea. Uma grande massa disforme de pessoas comuns e desinteressantes.
Mas eu digo que não. Não era não. No meio da caótica multidão, havia um par de olhos brilhantes que fugia sem graça toda vez que encontrava os meus.
Um olhar que me conquistou em frações de segundos. Um semblante perfeito, carismático.
Naqueles globos oculares eu via a transmissão nítida de quem era. Estudante, mesma idade que eu, mesmo gosto musical, mesmos propósitos, mesmas expectativas.
Via também uma gama de momentos felizes juntos projetados em lâminas imaginárias. Mãos dadas no parque, comédia romântica debaixo do cobertor, risadas espontâneas e chocolate. Sempre tem de haver chocolate.
E visto que nos daríamos tão bem, concluí ali mesmo que devia ser quem eu tanto esperava. Sim, era minha alma gêmea, a parte que faltava.
Mas no instante em que esboçava um sorriso medroso, meus ouvidos despertaram para o som da voz metálica: ''Próxima estação, Alto do Ipiranga''.
Era meu destino. Era minha parada. Era o final.
Antes de mais nada, estava tudo terminado entre nós.
Cabisbaixa, me posicionei frente as barras de metal e borracha que se abriram. Tentei dar uma ultima olhada, mas falhei ao ser empurrada, pelo fluxo, pra fora do vagão.
Foi com a mesma veracidade que me conquistou que se despediu de mim para sempre. E tão veloz foi minha capacidade de esquecer. Uma velocidade proporcionalmente grande à intensidade daquele amor.
Um amor de uma vida inteira, que durou somente um instante.
Mas eu digo que não. Não era não. No meio da caótica multidão, havia um par de olhos brilhantes que fugia sem graça toda vez que encontrava os meus.
Um olhar que me conquistou em frações de segundos. Um semblante perfeito, carismático.
Naqueles globos oculares eu via a transmissão nítida de quem era. Estudante, mesma idade que eu, mesmo gosto musical, mesmos propósitos, mesmas expectativas.
Via também uma gama de momentos felizes juntos projetados em lâminas imaginárias. Mãos dadas no parque, comédia romântica debaixo do cobertor, risadas espontâneas e chocolate. Sempre tem de haver chocolate.
E visto que nos daríamos tão bem, concluí ali mesmo que devia ser quem eu tanto esperava. Sim, era minha alma gêmea, a parte que faltava.
Mas no instante em que esboçava um sorriso medroso, meus ouvidos despertaram para o som da voz metálica: ''Próxima estação, Alto do Ipiranga''.
Era meu destino. Era minha parada. Era o final.
Antes de mais nada, estava tudo terminado entre nós.
Cabisbaixa, me posicionei frente as barras de metal e borracha que se abriram. Tentei dar uma ultima olhada, mas falhei ao ser empurrada, pelo fluxo, pra fora do vagão.
Foi com a mesma veracidade que me conquistou que se despediu de mim para sempre. E tão veloz foi minha capacidade de esquecer. Uma velocidade proporcionalmente grande à intensidade daquele amor.
Um amor de uma vida inteira, que durou somente um instante.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Vocês...
São meu porto seguro.
Não é a primeira nem a ultima vez que me sinto compelida a falar sobre a importância da amizade, descoberta por mim ainda há pouco, muito pouco.
Da primeira vez, foi dito que era uma grata surpresa descobrir que o segredo da felicidade está nas relações. Relações estas que precisam necessariamente extravasar o núcleo parental. Relações estas que se mobilizam em prol das semelhanças mas sem se objetarem pela diferença.
Naquela época, me era ainda obscuro o conceito de amigo. Mas ainda assim, dizer ao mundo que eu havia me dado conta da sua existência foi um enorme passo para hoje reconhecer que é indispensável tê-los aqui comigo.
Contente estou hoje por descobrir que tenho alguma capacidade de valência. Pode não ser minha melhor virtude, mas o fato é que descobri o óbvio: Sou um ser social e me sinto feliz sendo assim. Em outras palavras, é gratificante saber que sou capaz de me ligar/ vincular às pessoas e consequentemente experimentar um amor mais altruísta, mais compreensivo, mais dinâmico.
Quando escrevi o primeiro texto referente a esse tema, não imaginei que dentro de alguns meses teria tão claro em mente os nomes e os rostos das pessoas mais importantes e significativas na minha vida. Na verdade, pensava ainda que continuaria a criar laços muito frágeis e que a vida consistia em elaborar subterfúgios constantemente para manter as pessoas por perto. Já hoje, vivo uma quase certeza de que tenho o direito de ser livremente quem eu sou, seja com quem for. Vocês me mostram isso todos os dias e me dão o respaldo, o suporte necessário para seguir acreditando que independente de qual seja a circunstância, eu não estou sozinha.
Alguns integram minha rotina, outros compõe mais as minhas lembranças, mas isso não altera em nada sua importância. Seu espaço reservado em minhas convicções continua intacto. Se não fosse a inibição exercer sobre mim um peso tão forte ou então a distância física e adversidades do dia-a- dia que nos limitam, certamente abraçaria a todos vocês mais vezes.
Me vejo as vezes sem recursos pra retribuir toda a magnitude da força positiva que representam pra mim hoje. E ainda assim, estou segura de que sou compreendida e isso eu também devo a vocês.
Dessa forma, sem mais delongas, só tenho mais uma coisa a dizer: Obrigada.
Não é a primeira nem a ultima vez que me sinto compelida a falar sobre a importância da amizade, descoberta por mim ainda há pouco, muito pouco.
Da primeira vez, foi dito que era uma grata surpresa descobrir que o segredo da felicidade está nas relações. Relações estas que precisam necessariamente extravasar o núcleo parental. Relações estas que se mobilizam em prol das semelhanças mas sem se objetarem pela diferença.
Naquela época, me era ainda obscuro o conceito de amigo. Mas ainda assim, dizer ao mundo que eu havia me dado conta da sua existência foi um enorme passo para hoje reconhecer que é indispensável tê-los aqui comigo.
Contente estou hoje por descobrir que tenho alguma capacidade de valência. Pode não ser minha melhor virtude, mas o fato é que descobri o óbvio: Sou um ser social e me sinto feliz sendo assim. Em outras palavras, é gratificante saber que sou capaz de me ligar/ vincular às pessoas e consequentemente experimentar um amor mais altruísta, mais compreensivo, mais dinâmico.
Quando escrevi o primeiro texto referente a esse tema, não imaginei que dentro de alguns meses teria tão claro em mente os nomes e os rostos das pessoas mais importantes e significativas na minha vida. Na verdade, pensava ainda que continuaria a criar laços muito frágeis e que a vida consistia em elaborar subterfúgios constantemente para manter as pessoas por perto. Já hoje, vivo uma quase certeza de que tenho o direito de ser livremente quem eu sou, seja com quem for. Vocês me mostram isso todos os dias e me dão o respaldo, o suporte necessário para seguir acreditando que independente de qual seja a circunstância, eu não estou sozinha.
Alguns integram minha rotina, outros compõe mais as minhas lembranças, mas isso não altera em nada sua importância. Seu espaço reservado em minhas convicções continua intacto. Se não fosse a inibição exercer sobre mim um peso tão forte ou então a distância física e adversidades do dia-a- dia que nos limitam, certamente abraçaria a todos vocês mais vezes.
Me vejo as vezes sem recursos pra retribuir toda a magnitude da força positiva que representam pra mim hoje. E ainda assim, estou segura de que sou compreendida e isso eu também devo a vocês.
Dessa forma, sem mais delongas, só tenho mais uma coisa a dizer: Obrigada.
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