Nem dia porque não há claridade, com exceção de lâmpadas elétricas. Pessoas, em sua maioria estão deitadas em suas camas, mergulhadas em suas produções oníricas.
Nem noite porque já se escuta o burburinho de início de manhã. Um sabiá assobia, impetuoso, empoleirado numa árvore solitária enraizada na calçada de concreto. De tempos em tempos, o som grave do motor de um ônibus urbano retumba nos ares da rua vazia.
Alguns, tomam café e, seguidamente, metrô. Com maletas e crachás, paletós e sapatos baratos. Seus bolsos vazios, suas mentes desoladas e cheias de perturbação.
Outros, de ressaca, dirigem imprudentes por avenidas largas, furando faróis e cortando faixas.
Tem os que nem dormiram. E também aqueles que, frutos da moda do estrangeirismo e escravos de um sonho juvenil , acendem seus cigarros de cannabis no momento em que os ponteiros marcam quatro e vinte.
Também tem eu, que por noites incontáveis não consigo dormir assombrada por lembranças que nunca sequer desbotam. Algumas boas, outras ruins. Às vezes saudade. Às vezes fúria e revolta.
No quarto, me encolho na cama em resposta ao frio da alvorada. Sem café, sem ressaca e tampouco cigarros. Por sorte, também sem trabalho.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.