quinta-feira, 26 de abril de 2012

Numa manhã trivial, acordei pensando no seu sorriso e também sorri, por conseguinte. Foi nesse dia que despertei pro quanto me fazia feliz ter você na minha vida. Ainda que não fizesse parte da sua, ainda que não fosse só meu, ainda que fossem só algumas conversas durante as tardes, ainda que estivesse distante. E por momentos incontáveis sonhei acordada com o seu beijo e em ver o seu sorriso de perto. Até que  se tornou real. E nunca senti tão forte o hálito refrescante da liberdade soprar em mim. É engraçado como meus afetos fixaram-se em você e ainda assim sinto que tenho asas e vivo um momento perfeito não só contigo mas também comigo. Estranho como consegue me fazer sentir assim. Isso é inédito.É perfeito.
Sentir seu cheiro doce, a maciez do seu cabelo, o calor do seu abraço, me fez acreditar que a vida realmente vale a pena e que o mundo não é o lugar hostil que muitos dizem. 
Senti enfim o que todo ser humano - ainda que o negue - almeja na vida : A felicidade do amor correspondido. Mas me refiro ao  verdadeiro, não ao artificialmente arquitetado.
Eu tenho esperado você por aqui... uma eternidade :')



terça-feira, 17 de abril de 2012

Você sabe, mas não faz nada

Você percebe que ainda não amadureceu o suficiente quando a vida te cobra coisas fáceis e você é incapaz de resolver. Você espera sentado um milagre acontecer, alguém aparecer e te pegar no colo.
Você sabe que está desamparado, despreparado quando deixa de fazer alguma coisa porque teve medo. Você sabe que sabe de tudo isso, se assume, mas não muda nada a respeito.
Você sabe que não é hora de se cobrar, mas sabe também que a vida não para pra você se recupere dos testes que ela mesma te aplica. Você sabe. Mas não faz nada.
Você sabe que precisa crescer, mas nunca cresce.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Coração envenenado

I Just want to walk right out of this world, 'cause everybody has a poison heart.
(Eu só quero caminhar para fora desse mundo, pois todos tem um coração envenenado)

Eu já escrevi isso na contracapa de inúmeros cadernos, na parede do quarto, numa redação na sétima série. Eu era tão jovem, com tantos sonhos. Mas eu sempre insisti em acreditar que todos têm um coração envenenado.
Como fiquei adormecida durante tanto tempo? Onde eu estava esse tempo todo? Porque quem vivia aqui dentro, certamente não era eu.
Eu tinha mais convicções com 13 anos de idade do que nos dias de hoje.No entanto, era tão deprimida quanto sou hoje.
Não dá pra negar que eu tenho uma leve atração por sentimentos sórdidos. Não da pra negar que a todo momento, inverto princípios, destruo certezas e me sinto mais forte provocando olhares de reprovação nas pessoas. Eu realmente tenho algum princípio?
Tenho uma saudade enorme das minhas calças rasgadas propositalmente no joelho. Da menina que queria ter vivido na década de 70 e carregava debaixo do braço 'A História da Filosofia' do Will Durant. Tenho saudade de acreditar que tinha engajamento político. Sim, essa é a parte mais engraçada. Saudade demais de pedir pra minha mãe cortar meu cabelo igual do Joey Ramone e do dia que eu implorei pra ela comprar uma guitarra e ela me fez tocá-la desafinada, na frente dos vendedores da loja.
Achei que essa menina já estava morta. Hoje sinto que parte dela ainda está aqui. Sempre esteve aqui guardada, esperando que eu ressuscitasse. Sempre esteve aqui, desconfiando de corações envenenados.
Eu realmente acreditava ter encontrado um coração puro até algumas semanas atrás. Durante muito tempo essa crença me fez  descartar a essência da minha pré-adolescência inteira, foi assim que me perdi de mim. Depois vi que o coração que achava que era puro era tão envenenado quanto o meu ou quanto o de qualquer outra pessoa. Descobri então, que quanto mais veneno se injeta num coração, mais sensível ele fica. E por mais intoxicado que esteja, é ainda mais capaz de amar.

sábado, 7 de abril de 2012

Morte

Primeiro foi a dela: minha mãe.
 Pela primeira vez, a morte verdadeira. Aquela que  extingue o ser por completo, pelo menos, dessa existência.  Morte literal, do corpo físico, não apenas como conceito. E doeu. Doeu nela, em mim, nos outros...
Não sou capaz de imaginar o quanto doeu nela. Não consigo aceitar até hoje o quanto doeu em mim.
Foram as cenas mais horripilantes da minha vida. A novela mais fúnebre de todos os tempos. E durou um ano... Um ano inteiro de amargura, gemidos de madrugada, seringas, cheiro de morfina.
E aquele ser amável, que me pegou no colo, deformou-se em aparência, mas evoluiu um século ou mais em espírito.
Eu não consegui olhar, quase nunca eu estive lá, do seu lado. E lembrar do dia que a vi, sentada, tomando café da manhã sozinha... Cheguei acreditar que o pesadelo havia acabado. Mas não, era o seu pulso de vida, enfraquecendo, mas tentando resistir.
E eu quis que acontecesse duma vez. Eu queria chorar tudo de uma vez.
O primeiro corpo sem vida que tive de encarar foi o dela. O corpo de quem me amou incondicionalmente. A quem eu devo a minha existência.
Como se já não bastasse, agora encaro a morte dele, a quem atribuí todos os meus objetivos. Em quem depositei toda minha confiança e expectativa. 
E ele, assim como ela, morre todos os dias um pouco pra mim. Mas ele... Morre estando vivo, saudável e feliz. Morre só pra mim. 

Inocência

Acordo e vejo que tudo está bem
Pela primeira vez na vida e é tão bom!
Abro os olhos, vejo em volta e fico impressionada
Penso nas pequenas coisas que tornam a vida boa.
Eu não mudaria nada,
É a melhor sensação !

Essa inocência é brilhante
Espero que ela dure
Este momento é perfeito
Por favor não vá embora
Eu preciso de você agora
Não deixe passar em branco.

Innocence - Avril Lavigne 

Coringa, ao contrário.

Às vezes me percebo no mundo como uma peça avulsa, que não cabe em nenhum lugar.
Existe alguma coisa mais desumana que superficialidade?  Existe maior angústia do que estar só mesmo acompanhado?
Não parece muito saudável, mas às vezes prefiro qualquer companhia que não seja a minha própria. Não é medo da solidão. É medo do que possa surgir aqui dentro... Medo de mim mesma.
Aqueles pesadelos deixaram de se repetir, pelo menos.  É que tenho cedido lugar aos bons novos sentimentos. E tem sido agradável.  Mas em contrapartida, um período consideravelmente grande da minha vida agora parece nem ter existido.  Pra ser mais clara, parece ter feito parte de outra vida. A vida de uma outra pessoa que me habitou por algum tempo.
E essa impossibilidade de viver as coisas exatamente no momento que quero me consome em ansiedade. E essa ansiedade que me consome em... Desesperança?
É, existe um espírito muito infantil aqui dentro. Que gosta de provocar os outros destruindo seus princípios. Uma pitada de rebeldia adolescente. Só sinto que seja meio descabido, visto que devia ter feito isso há muito, muito tempo. Talvez estivesse em paz agora.
O único caminho que acheipra encontrar a mim mesma foi o ‘caminho de volta’. Isso talvez explique porque os dias de hoje se parecem tanto com os dias de 4, 5 anos atrás. Com isso, vem o pior: A saudade dela, senhora minha mãe. Enxergo um retrocesso aí. E não consigo ter nenhum julgamento sobre isso. E não há quem possa me dizer qual é o certo e o que está errado.  Não dessa vez. Fui obrigada a desconstruir todos os meus parâmetros. Dilacerar todas as minhas certezas. Desbloquear aquela menininha de 13, 14 anos que precisava quebrar a cabeça pra entender melhor a vida, que precisava desbravar o mundo com o próprio tato.
Quer dizer que é hora de caminhar com as próprias pernas? Não há nada de errado nisso. Mas tem que  ser assim, duma vez por todas?
Quando é que conseguirei  desmitificar o passado? Crescer de vez? 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

hihi :3

Quando foi que eu me tornei tão juvenil? 

Deve ter sido quando comecei a sentir o que sinto por você :3