Não consigo dormir porque minhas fixações estão implacáveis. Falta ritmo na solidão pra tentar dar conta do desejo insaciável de saber coisas. Saber coisas e as coisas que estão por trás das coisas. Uma alma penada obcecada por insegurança e miséria insiste em sussurrar "isso não é pra você". Pensando em Brasil, a gente cresce achando que isso é mesmo pra ninguém ou quando muito, quem sabe, pras pessoas que moram em casas com pianos que tocam nas salas que vibram cristaleiras. E se eu enlouquecer? Mas se a minha loucura típica faz morada em ser "deserto que só encontra oasis no deserto ao lado" e envolve sempre a alma ao lado e a alma ao lado da alma ao lado e daí pra fora? Sempre, sempre fora. Talvez eu só seja mulher. Adicta desse tesão insuportável em cessar esse fluxo caudaloso, de correntes que se chocam entre si e nunca deságuam, muito menos coincidem num mesmo leito... Então sexo, drogas e conversas intermináveis. No meio disso, alguns cigarros. Tudo pra não ter de defrontar o que é basal, as águas que correm por baixo das águas. Medo de esbarrar com o despropósito. Isso é de utilidade pra vida num registro, digamos, da praticidade? Atravessar dias frios? Por si só, acho a travessia pretensão de muita audácia já. Me bastar, ir de encontro sem pechincha. Tornar os encontros mais acidentais, menos premeditados. Amar com toda a verdade de amar. Amar com a pureza que é de amar. Ou no mínimo, não desatinar desesperada igual criança, porque chega uma hora que ninguém segura nossa testa quando vem a ressaca.
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