quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cabe a mim escrever? Cabe em mim escrever?

Onde estão as linhas que me guiavam? Me desarranjo absorta pela brancura imaculada destas folhas de papel. Vazias, intactas.
São tantas as possibilidades, que me perco em digressão, como o leito de um rio que em lugar algum deságua, mas que se lança numa infinitude de afluentes que flanam despreocupadas.
Não encontro espaço  tampouco sequencia para minhas próprias sentenças. As que despontam imaturas, não abarcam meus requeridos significados. Me desapontam.
Uma batalha contra a semântica foi declarada. O que pode ter inibido minha perspicácia?
Ainda cabe em mim escrever? Ainda cabe a mim escrever?
Meus pensamentos, travessos e infantis, jogam pique-esconde e são ligeiros. Perpassam minha mente e escorrem por entre meus dedos.
Minha mente decrépita não contemplou mais que duas décadas. As já diminutas certezas tornam-se cada vez mais obsoletas.
O que, como, por que e pra quem escrever?
Não quero crer que a satisfação pessoal tenha como produto final a inércia.
Qual demanda a escrita pode sanar e qual dimensão ela pode ocupar na realidade de alguém que após abrasar em crise por anos, finalmente colidiu-se com a paz?

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