Com sua roupa sintética e brilhante, ergue-se do marasmo do subúrbio em busca da livre exerção de sua identidade.
É dia de ir pro centro.
É dia de ver luzes piscando rápido, de sentir a vibração do som que toca alto em seus ouvidos.
Ouvidos entorpecidos pelo êxtase de suas músicas favoritas, livres dos ruídos e da cidade hostil.
Sobe e desce a rua Augusta, procurando uma cura para seu enfado.
Deixa seu salário de estagiário nos botecos, bebendo drinques baratos.
Os faróis dos carros pintam um quadro abstrato do seu conturbado dia-a-dia. Remetem ao caos e descontentamento, às idas e vindas, ao alarme do despertador, aos poemas lidos entre uma e outra parada do metrô.
É tudo sempre fatidicamente tão igual.
Sua semana transcende o calendário para o mundo real utilizando-se das mesmas formas e intenção. O cinza que delineia os dias úteis, estampa-se na frieza da rotina dos prédios sem vida. Assim como o vermelho-sangue dos finais de semana colore a cachaça salpicada de groselha, tornando sua existência colorida somente naqueles dois dias.
Em frente a estação Consolação, encontra sempre as mesmas caras pálidas, o mesmo cheiro de cigarro, o mesmo cenário produzido intencionalmente, composto de pessoas de hoje vestindo os casacos de seus antepassados. Pessoas preservando o charme e glamour de outrora, porém, sem abrir mão da desdourada e promíscua modernidade.
Em seu chapéu, a notável tentativa de reconstituir o passado ao qual sequer pertenceu.
Olha sua imagem refletida no vidro fumê, a exteriorização de sua ideologia démodé.
Uma foto perfeita pra um retrato futurista confeccionado há décadas atrás.
No rosto, um sorriso tímido e fugaz.
A fronte franzida de confiança e obstinação.
Na alma, o prazer pela satisfação do fetiche da autenticidade.
Nas entranhas do inconsciente, o desgosto de ser um exímio enganador de si mesmo.
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Caro estranho
Esqueci o que se faz pra tentar fazer parte da vida de alguém. Ainda mais a sua, que é oca.
E se você soubesse que existe um momento em todos os meus dias, que me lembro de você, caro estanho?
Não duvido que pensaria as piores coisas como eu também penso de quem chega me intimidando assim.
E se descobrisse que você é assunto entre nossos amigos? Talvez fosse querer demais te pedir pra compreender. Mas é pura empolgação.
Mas uma empolgação tão verdadeira, que não cabe só no plano ideal. Precisei trazer pra esse real-virtual-fora da minha cabeça.
Não sei se já te conheço, mas você parece tão familiar. Essas suas risadas, as suas patadas, sua falta de consideração. Sua falta de noção sobre as coisas que vivo a insinuar. Essa sua lerdeza proposital.
Independente do que venha a ser você, caro estranho, só me ensine o que fazer pra ter esperança outra vez.
Nutra essa minha insensatez, você não precisa fazer muito. Me empreste a sua ingenuidade, essa sua solidão e a sua possível falta de caráter.
Me acenda um cigarro, caro estranho. Não te importa o que me faz mal. Afinal, quem sou além de uma disposta e triunfante pessoa legal com quem você conversou sobre seus drinques favoritos nos últimos dias.
Deixa o tempo passar. Uma hora eu descubro o que esconde esse rostinho infantil, essa expressão de quem não espera nada do mundo nem da vida. Esse semblante claro e doce que movimenta minha constrita capacidade de criar e imaginar e tentar esquecer.
Esse sarcasmo instigante não me permite te esquecer ali quieto e sozinho. Não vou assumir às pressas aquilo que nem sei definir. Mas também não vou desistir tão facilmente de descobrir quem essa pessoa que com absolutamente nada me faz tão bem.
Não sei como você conseguiu isso.
E só você conseguiu isso, meu querido e estimado estranho.
Não sei como e nem até quando.
Mas já estou, sem dúvidas, em dívida.
E se você soubesse que existe um momento em todos os meus dias, que me lembro de você, caro estanho?
Não duvido que pensaria as piores coisas como eu também penso de quem chega me intimidando assim.
E se descobrisse que você é assunto entre nossos amigos? Talvez fosse querer demais te pedir pra compreender. Mas é pura empolgação.
Mas uma empolgação tão verdadeira, que não cabe só no plano ideal. Precisei trazer pra esse real-virtual-fora da minha cabeça.
Não sei se já te conheço, mas você parece tão familiar. Essas suas risadas, as suas patadas, sua falta de consideração. Sua falta de noção sobre as coisas que vivo a insinuar. Essa sua lerdeza proposital.
Independente do que venha a ser você, caro estranho, só me ensine o que fazer pra ter esperança outra vez.
Nutra essa minha insensatez, você não precisa fazer muito. Me empreste a sua ingenuidade, essa sua solidão e a sua possível falta de caráter.
Me acenda um cigarro, caro estranho. Não te importa o que me faz mal. Afinal, quem sou além de uma disposta e triunfante pessoa legal com quem você conversou sobre seus drinques favoritos nos últimos dias.
Deixa o tempo passar. Uma hora eu descubro o que esconde esse rostinho infantil, essa expressão de quem não espera nada do mundo nem da vida. Esse semblante claro e doce que movimenta minha constrita capacidade de criar e imaginar e tentar esquecer.
Esse sarcasmo instigante não me permite te esquecer ali quieto e sozinho. Não vou assumir às pressas aquilo que nem sei definir. Mas também não vou desistir tão facilmente de descobrir quem essa pessoa que com absolutamente nada me faz tão bem.
Não sei como você conseguiu isso.
E só você conseguiu isso, meu querido e estimado estranho.
Não sei como e nem até quando.
Mas já estou, sem dúvidas, em dívida.
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