terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mudanças

A cada 24 horas, renovo meus costumes. Eu que sempre detestei mudanças, hoje me sinto pertencente a essa vida conturbada e imprevisível.
Já não sinto ódio pelas mudanças, mas não significa que não sou sensível à elas.
Ver uma clínica de estética, sóbria, fria e cinzenta no lugar do pequeno hotel colorido com cores quentes e decorado com o táxi amarelo vintage, me fez derramar uma lágrima.
Para qualquer espectador que me visse de forma rasa e breve, apenas de passagem pela avenida, pareceria uma irritação ocular, ou quem sabe um pequeno cisco. Mas de forma introspectiva, no meu mais íntimo eu, estava a me despedaçar.
Da mesma forma me senti ao esbarrar com a porta fechada do bar onde costumava ir quase todos os dias.
Como não bastasse o desgaste das lembranças, as coisas concretas que sobram dos tempos alegres, simplesmente desmoronam.
E de forma infantil e egoísta, fico a me perguntar com que direito o mundo foge do meu controle sem que eu tenha permitido.
Quando me olho no espelho e percebo que algumas mudanças foram minhas escolhas e portanto são reversíveis, não me incomodo. Se hoje sou ruiva, amanhã posso ser loira e quem sabe depois morena. Mas se me deparo com sutis marcas de expressão que representam o próprio tempo estampado em meu rosto, entro em desespero.
Pensava estar lidando bem com a incerteza, com as possíveis surpresas do amanhã. Mas então, tenho recaídas e percebo que alguma certeza me cairia bem agora. Algum aconchego em um abraço repleto de segurança. Porque é fato que a vida nos ensina a buscar nossas conquistas. Mas quem nunca desejou, em algum momento, ser conquistado? Quem nunca desejou ter alguém pra confiar afetos fixos, que por ingenuidade, acreditamos ser definitivos?

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