Bate forte em seu córtex frontal, pressiona suas têmporas, range os dentes e estala os dedos. Não é capaz de sequer esboçar um sorriso porque sabe o quanto sua felicidade anda frágil ultimamente.
Em seu futuro, vê sucesso. Sabe exatamente onde colocar cada tostão que está por vir, mas sabe também que o essencial não se compra.
Embora tenha aprendido a apreciar a lua, não quer fazê-lo sozinha. Embora acredite amar alguém, não é capaz de escrever qualquer palavra a respeito disso.
Aponta o dedo à face alheia. Implora pra que não tenham medo, mas sabe que no fundo só sabe temer.
Aprendeu que quanto mais se conhece, mais é necessário regredir no tempo. Que quanto mais profunda é uma questão, também mais antiga ela é. Quantos e quantos traumas engastados na alma ainda serão descobertos?
Passou toda a vida acreditando que a felicidade chegaria em forma de olhos brilhantes e cabelos bonitos. Que qualquer afago serviria de consolo. Que qualquer ombro seria suficientemente confortável. Esqueceu-se que não pode dar a outro o que é de sua exclusiva responsabilidade.
Já não é mais novidade que terá que construir consigo própria seus objetivos. Que terá que conseguir preencher sozinha seus vazios.
Está aflita. Se sente velha. É sozinha. Mas não está certa de que quer ser sozinha. Talvez queira ser pega pelo braço, talvez queira sim ser companhia.
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