Bate forte em seu córtex frontal, pressiona suas têmporas, range os dentes e estala os dedos. Não é capaz de sequer esboçar um sorriso porque sabe o quanto sua felicidade anda frágil ultimamente.
Em seu futuro, vê sucesso. Sabe exatamente onde colocar cada tostão que está por vir, mas sabe também que o essencial não se compra.
Embora tenha aprendido a apreciar a lua, não quer fazê-lo sozinha. Embora acredite amar alguém, não é capaz de escrever qualquer palavra a respeito disso.
Aponta o dedo à face alheia. Implora pra que não tenham medo, mas sabe que no fundo só sabe temer.
Aprendeu que quanto mais se conhece, mais é necessário regredir no tempo. Que quanto mais profunda é uma questão, também mais antiga ela é. Quantos e quantos traumas engastados na alma ainda serão descobertos?
Passou toda a vida acreditando que a felicidade chegaria em forma de olhos brilhantes e cabelos bonitos. Que qualquer afago serviria de consolo. Que qualquer ombro seria suficientemente confortável. Esqueceu-se que não pode dar a outro o que é de sua exclusiva responsabilidade.
Já não é mais novidade que terá que construir consigo própria seus objetivos. Que terá que conseguir preencher sozinha seus vazios.
Está aflita. Se sente velha. É sozinha. Mas não está certa de que quer ser sozinha. Talvez queira ser pega pelo braço, talvez queira sim ser companhia.
domingo, 27 de janeiro de 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
Tudo é tudo e tudo é nada
Embora relativamente confuso, verdadeiramente difuso, esse arsenal de boas recordações é o bem mais valioso que carrego hoje.
O futuro nunca pareceu tão incerto. Incerto como uma melodia que destoa, tensiona os ouvidos sem pretender qualquer alívio, sem prometer nenhuma resposta.
E é destes acordes dissonantes que componho uma música ilógica que retumba nas paredes escorregadias dessa minha alma carente de tudo.
E essa composição aniquila todas as certezas que a cada dia se tornam mais descartáveis, considerando minha busca por aquilo que todos clamam: uma tal de felicidade.
Desse poucos segundos de inspiração pueril e covarde, desfruto quase nada. Desperdiçando a escassa criatividade procurando dar sentido às palavras.
Desses rabiscos, dessas questões, dessa inquietude, só quero ainda mais. Porque aprendi que em paz não se cria nada. Descobri que é no caos que se faz necessária a dúvida e quem sabe até a esperança.
Quando confortavelmente inerte, não existe anseio. Portanto, quero mais é que o mundo gire rápido. Quero mais é que o caos transborde para fora do meu controle. Quero mais é que a vida se faça como bem tiver que se fazer.
Porque o meu bem eu encontrei num estado chamado instabilidade.
O futuro nunca pareceu tão incerto. Incerto como uma melodia que destoa, tensiona os ouvidos sem pretender qualquer alívio, sem prometer nenhuma resposta.
E é destes acordes dissonantes que componho uma música ilógica que retumba nas paredes escorregadias dessa minha alma carente de tudo.
E essa composição aniquila todas as certezas que a cada dia se tornam mais descartáveis, considerando minha busca por aquilo que todos clamam: uma tal de felicidade.
Desse poucos segundos de inspiração pueril e covarde, desfruto quase nada. Desperdiçando a escassa criatividade procurando dar sentido às palavras.
Desses rabiscos, dessas questões, dessa inquietude, só quero ainda mais. Porque aprendi que em paz não se cria nada. Descobri que é no caos que se faz necessária a dúvida e quem sabe até a esperança.
Quando confortavelmente inerte, não existe anseio. Portanto, quero mais é que o mundo gire rápido. Quero mais é que o caos transborde para fora do meu controle. Quero mais é que a vida se faça como bem tiver que se fazer.
Porque o meu bem eu encontrei num estado chamado instabilidade.
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