segunda-feira, 21 de junho de 2021

 Gotas de saudade tamborilam 

plácidas sob olhos envidraçados. 

Uma febrezinha colérica rasga o corpo por vingança. 

A vida gargalha como coisa fácil. 

Sem esmero, pousou manso sobre a carne. 

Rodopiou, esmaeceu. 

No duro árido floresceu. 

Amor é pai da dor. 

Amor é filho do prazer. 

Além das bordas do pacto, 

o amor nunca morreu.

 Letra A, mire e verá: a pontinha do lápis que a mão segura pra desenhar o A, primeira letra do (a)lfabeto e da infância. 

A, grafema iniciático de (a)morosos poemas de (a)mor. 

Letra A, em português o fonema da boca escancarada. A, do rebento de um coração (a)rrebentado, (a)rrematado no leilão dos sentimentos. 

Letra A, trindade das constituintes do meu próprio nome. 

Letra A, inicial de um início (a)ngelical e final (a)ssombroso de partida, recomeço e encontro com o (a)uspicioso inédito. 

(A)costumar-se na presente (a)usência. 

Costurar e conservar as notas de (a)dmiração escondidas nos complexos (a)cordes de uma música terminada em tensão. 

A, lá maior e um cá diminuto. 

A, de um nome. 

Ad hominem. 

A, (a)rtigo definido, feminino e singular.


        A.