Dilacera a carne o ódio que cresce no seio de toda mulher que percebe no ventre a causa da sua cólera. O privilégio de quem nasceu sem o fardo
do partejo, do cuidado, do ato de amar irrestrito (remetido aos seus ímpares
mas nunca às suas pares) me desperta o desejo aversivo de atirar meu corpo
mole, sem padrão, excessivamente adiposo sobre os escombros dessa retórica falida
que não cabe mais em nenhum lugar por fora, mas corrói tudo à todas por dentro.
Mulher que presta é mulher mãe, mulher
servil, mulher mãe de macho, mulher esposa, suicida das próprias vontades. O
filho sagrado, é prodígio. A filha é desastre, é descuido, é digressão aos
demônios nunca expurgados. Há chance de
realizar-se por entre as entranhas das próprias filhas satisfeitas pela liberdade
que é concessão geracional, fruto de briga, marginalidade? Não, jamais. À filha
a inveja, o descaso, a emulação. Estas putas que vos falam nunca serão como vós
óh Santa Madre cheia de graça... O senhor é convosco e maldita é a sua voz entre as mulheres. Porque tu, ó santa, cuja santidade evoca o consolo do falo, deixaste as tuas iguais por estas migalhas patriarcais.
Que alto preço se paga por essa vil tolerância disfarçada
de bondade.