terça-feira, 7 de setembro de 2021
segunda-feira, 21 de junho de 2021
Gotas de saudade tamborilam
plácidas sob olhos envidraçados.
Uma febrezinha colérica rasga o corpo por vingança.
A vida gargalha como coisa fácil.
Sem esmero, pousou manso sobre a carne.
Rodopiou, esmaeceu.
No duro árido floresceu.
Amor é pai da dor.
Amor é filho do prazer.
Além das bordas do pacto,
o amor nunca morreu.
Letra A, mire e verá: a pontinha do lápis que a mão segura pra desenhar o A, primeira letra do (a)lfabeto e da infância.
A, grafema iniciático de (a)morosos poemas de (a)mor.
Letra A, em português o fonema da boca escancarada. A, do rebento de um coração (a)rrebentado, (a)rrematado no leilão dos sentimentos.
Letra A, trindade das constituintes do meu próprio nome.
Letra A, inicial de um início (a)ngelical e final (a)ssombroso de partida, recomeço e encontro com o (a)uspicioso inédito.
(A)costumar-se na presente (a)usência.
Costurar e conservar as notas de (a)dmiração escondidas nos complexos (a)cordes de uma música terminada em tensão.
A, lá maior e um cá diminuto.
A, de um nome.
Ad hominem.
A, (a)rtigo definido, feminino e singular.
A.
domingo, 30 de agosto de 2020
Carta aos amores platônicos que me atravessaram
Quando cheguei na sua casa e entrei no quarto, você tava olhando pro computador e nem virou a cabeça direito pra me cumprimentar. Fiquei sentada do seu lado esperando o vídeo terminar, sem dizer nenhuma palavra. Terminada aquela esquete sem graça pela qual você mal esboçou reação, você levantou sem dizer nada e me ofereceu uma xícara de chá.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Sangue
O corpo avisa, é sabido da cólera do espírito. Mas há um ouvido, quase surdo... Um que fica do lado de dentro e raramente escuta a sabedoria de um organismo ferido.
Quando o sangue começou a escorrer, eu senti que estava viva.
sexta-feira, 6 de julho de 2018
Amor bruto
Me injurio nos limites dos versos, por onde se derrama a ineficácia das palavras.
Eu nunca te escreverei um poema.
Eu que escuto ressoar teu nome, sons vibrando na frequência das tuas letras
Teu nome fica. Com ele eu me abraço.
Eu nunca te escreverei um poema.
Pra dourá-lo com pitadas de louvor.
Tu és como um deus.
Somos todos deuses e somos todos um!
Eu jamais te escreverei um poema.
Pra estampar inverdades em nome do amor.
Porque amor não é poesia.
Nem só vive de afago.
amor corta a carne e a carne se deleita na contusão.
Eu nunca te escreverei um poema.
Pra dizer que teu sumo é doce.
Embora tua candura
teu sumo é amargo
Semente de cacau.
Eu nunca te escreverei um poema.
Não há palavra ou poesia que contemple a eternidade do teu abraço.
Partida
Assuma-te
Suma
Em suma,
Valha-te as asas
e voa...
pelas veredas ao teu Norte.