quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tempos de agora

Coração pulsando atrás do relógio,
aceleração disfarçada de ansiedade,
fuga à imersão, polissemia à vontade.
E se todos os medos se rebelassem desejos refreados?
E se ódio somente fosse o amor marginalizado?
E se na desinformação deformada das horas,
tempo nenhum fosse realidade
se não o agora?







sábado, 30 de abril de 2016

Qué querê

Rir sem compromisso
Desnudar o teu ridículo
Amolecer o peito rijo
Deixar viver

Esmorecer a tua raiva
Pulsar descontrolada
A euforia dessa alma
que só quer querer 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Véus de seda

Por trás do retrato há a história que ninguém ouviu. Nas entrelinhas da narrativa breve e mesquinha há o universo das sensações que só quem esteve presente sentiu. Por entre os lábios maquiados, o desejo de se flagrar visto por olhares súbitos, elogios desavisados. 
Ao léu, vagam os defeitos. Não há quem os queira abraçar, envolvê-los junto ao peito.
A espontaneidade foge aos dedos, se desgarra de uma alma que deseja - em segredo - ser nada além dela mesma; mas que no mundo dos fantasmas perfeitos, se encobre em véus de seda.

terça-feira, 15 de março de 2016

Contramaníaco

Não compito, tolero.
Se consigo, coopero.
Mas pra gozar
do acaso do destino
abro mão do ego.

Não, não faço juízo
esbravejar sem armas
é delírio risível.

Deliro em grandes sonhos
daqueles que se disfarçam
de ínfimos desejos mundanos.

Dispenso os adornos
sou humana em estado bruto
despindo-me até a essência
que rebenta na pura vivência
de cada instante ininterrupto. 




sábado, 12 de março de 2016

Alteridade

Encontro nos desencontros
esse encontro de contrários
residente no arbitrário 
desse descompasso 
Dos inversos 
despontam
estes versos
e desapontam
os que não veem-se
no outro
o reflexo
do outro lado.



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pedido de alta

Não me reduza ao seu normal estéril e incompetente
Não me injete estigmas nas veias,
pra remediar o sintoma da existência
Não torne fantasma o que em mim tenho tão vívido
Se chamam-me insensata é por insano medo
da vulgar insensatez
Esse louco medo que só se esvaece
Quando do ego se esquece
No descarrilar do trem do juízo.