Oi, tudo bem?
Então, eu não queria falar nada mas... Sabe essa casal de velhos sem graça, que estão sempre brigando e que você fala mal quando viram as costas? Pois é. Eles são tudo que tenho.
São meus avós e sem eles não sou ninguém.
Eles gostam de você, quando você sorri pra eles. Eles são carentes e o afeto é um reforço altamente funcional pra quem quase nunca o tem.
Mas entenda. A maioria das pessoas tem um pai, uma mãe, irmãos e não é incomum que tenham filhos também. Mas eu, eu só tenho eles.
Será que você se importaria em devolver meu único bem?
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
Espelho
É carência demais, necessidades exatamente iguais. Mas se procuro o que não tenho no outro que também não tem o que procura em mim, onde é que vamos chegar? Não é mais questão de desejar ou de tentar... É questão de ser ou não capaz.
Os semelhantes se perdem, se distraem. E mesmo que dispostos, chega um tempo em que não mais se atraem. Chega um tempo que é inviável ver o outro em sua imagem especular.
E em meio a tanta coisa igual, as adversidades se tornam insuportáveis, quando a diversidade que podia ser complementar já foi totalmente esquecida ou mergulhada em orgulho que já está muito mais que ferido.
Ah, que bom seria se amar implicasse apenas no ato de amar. Mas se é esse o preço que se paga, não há escolha que não seja continuar a tentar.
Os semelhantes se perdem, se distraem. E mesmo que dispostos, chega um tempo em que não mais se atraem. Chega um tempo que é inviável ver o outro em sua imagem especular.
E em meio a tanta coisa igual, as adversidades se tornam insuportáveis, quando a diversidade que podia ser complementar já foi totalmente esquecida ou mergulhada em orgulho que já está muito mais que ferido.
Ah, que bom seria se amar implicasse apenas no ato de amar. Mas se é esse o preço que se paga, não há escolha que não seja continuar a tentar.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Entardecer metropolitano
Num instante, incontáveis pensamentos assolam minh’alma numa velocidade insuperável que torna impossível registrá-los.
Me pego desolada. Outra vez desalojada em minha própria existência.
Olho através da janela, um céu sofrido feito de nuvens poluídas e reflexo corroído de toda gente desiludida. Céu sem estrelas. Céu avermelhado, céu que existe despercebido em lugar onde só vive gente preocupada.
Paisagem abominável, de caixas d’água encardidas e telhados quebrados.
Inspiração pra memórias que devem ser escondidas e sentimentos que devem ser abafados.
Quantos sorrisos perdidos cedidos para dar espaço às lágrimas infindas
sobre amores presentes, ausentes, perdidos, descabidos.
Sofro já não sei mais se é pelo incerto ou se é pela amargura de que são feitas as certezas.
Escrevo, me disperso, me desespero e me perco. Por pouco, não me despeço.
Vida onde não descubro pra que tenho serventia.
Óh mundo que não decodifico. Por que torna tão maçante minha breve estadia?
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Simplesmente saudade
Atrás das portas de vidro e entre os carros no pátio, tudo que faço é procurar a mesa onde você sentava pra trabalhar.
Ring ring ♪
'' — Itororó Nazaré, Janaíra, boa tarde?! ''
'' — Boa tarde mãe, só queria dizer que te amo''
Ring ring ♪
'' — Itororó Nazaré, Janaíra, boa tarde?! ''
'' — Boa tarde mãe, só queria dizer que te amo''
segunda-feira, 30 de julho de 2012
4:00 horas
Nem noite, nem dia.
Nem dia porque não há claridade, com exceção de lâmpadas elétricas. Pessoas, em sua maioria estão deitadas em suas camas, mergulhadas em suas produções oníricas.
Nem noite porque já se escuta o burburinho de início de manhã. Um sabiá assobia, impetuoso, empoleirado numa árvore solitária enraizada na calçada de concreto. De tempos em tempos, o som grave do motor de um ônibus urbano retumba nos ares da rua vazia.
Alguns, tomam café e, seguidamente, metrô. Com maletas e crachás, paletós e sapatos baratos. Seus bolsos vazios, suas mentes desoladas e cheias de perturbação.
Outros, de ressaca, dirigem imprudentes por avenidas largas, furando faróis e cortando faixas.
Tem os que nem dormiram. E também aqueles que, frutos da moda do estrangeirismo e escravos de um sonho juvenil , acendem seus cigarros de cannabis no momento em que os ponteiros marcam quatro e vinte.
Também tem eu, que por noites incontáveis não consigo dormir assombrada por lembranças que nunca sequer desbotam. Algumas boas, outras ruins. Às vezes saudade. Às vezes fúria e revolta.
No quarto, me encolho na cama em resposta ao frio da alvorada. Sem café, sem ressaca e tampouco cigarros. Por sorte, também sem trabalho.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.
Ansiosa pelos dias que virão, torço pra que sejam menos ociosos, de preferencia preenchidos de forma proveitosa.
Lembro então do exercício de ser grata, poder chorar os meus fantasmas em casa ao invés de sentada num banco gelado do metrô. Ou ainda, quem sabe, numa cadeira velha e mofada de escritório, desgastando meus olhos frente a um monitor antigo, de canhão.
Novamente me forço a dormir, já muito mais calma. Me sinto amparada pelo meu travesseiro e pelo meu cobertor.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Diário ordinário
Até hoje, houve muito conteúdo recolhido por anos para ser escrito. Era tanto tempo e uma porção tão grande de coisas vividas que simplesmente tudo transbordou. Resultou numa criatividade temporária, passageira.
Hoje sinto timidez diante da magnitude que é o gesto de escrever. Escrevo, leio, releio meus textos débeis, sem brilho. De todas as virtudes que poderiam ter, só têm a sinceridade e boa intenção de quem os escreve.
Não é menosprezo ou falta de estima em mim mesma. Não é um caso de crise de identidade ou coisa do gênero, é só que sinto que a fonte secou. Sobrou algum eco do que havia meses atrás, mas não o suficiente pra satisfazer minha necessidade narcisista de produção ou quem sabe - numa linguagem mais florida - satisfazer meu eu sonhador que com ou sem talento, insiste e crê.
Acontece que descobri que escrever para outrem sem primeiro conhecer quem dominou essa tarefa muito antes de haver qualquer sombra da minha insignificante existência, é ordinariamente imbecil.
Escrever significa mais e requer muito mais esforço do que simplesmente redigir um diário das mazelas que sufocam minha vidinha.
Pobre criança sou que desconhece a grandeza de toda arte produzida e deixada, pelos verdadeiros adultos, ao nosso desfrute. Toda beleza que é simplesmente usufruir da herança que os gênios de outrora reservaram a todos aqueles que pretender ir além.
Como se atrever a escrever algo antes de ler o que antes já foi escrito com muito mais sagacidade?
Se ainda pretendo escrever, tenho urgentemente que buscar outros horizontes e eleger novos heróis.
Hoje sinto timidez diante da magnitude que é o gesto de escrever. Escrevo, leio, releio meus textos débeis, sem brilho. De todas as virtudes que poderiam ter, só têm a sinceridade e boa intenção de quem os escreve.
Não é menosprezo ou falta de estima em mim mesma. Não é um caso de crise de identidade ou coisa do gênero, é só que sinto que a fonte secou. Sobrou algum eco do que havia meses atrás, mas não o suficiente pra satisfazer minha necessidade narcisista de produção ou quem sabe - numa linguagem mais florida - satisfazer meu eu sonhador que com ou sem talento, insiste e crê.
Acontece que descobri que escrever para outrem sem primeiro conhecer quem dominou essa tarefa muito antes de haver qualquer sombra da minha insignificante existência, é ordinariamente imbecil.
Escrever significa mais e requer muito mais esforço do que simplesmente redigir um diário das mazelas que sufocam minha vidinha.
Pobre criança sou que desconhece a grandeza de toda arte produzida e deixada, pelos verdadeiros adultos, ao nosso desfrute. Toda beleza que é simplesmente usufruir da herança que os gênios de outrora reservaram a todos aqueles que pretender ir além.
Como se atrever a escrever algo antes de ler o que antes já foi escrito com muito mais sagacidade?
Se ainda pretendo escrever, tenho urgentemente que buscar outros horizontes e eleger novos heróis.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Medidas
Eu gosto de gente de verdade. Beleza em excesso é exaustiva e só de vê-la sinto aquele cheiro plástico de folha de revista. Eu gosto de gente feita de carne, de gente que borra a maquiagem, de quem fica descalço quando o sapato está apertado.
Não estou aqui pra relativizar beleza, isso seria desnecessariamente óbvio demais. Eu compreendo exatamente o que a maioria exalta e elege como padrão. Também não estou aqui pra defender celulite só porque tenho as minhas. Claro, claro que um corpo saudável e músculos avantajados são admiráveis. Mas daí dizer que uma pessoa é feia só porque é naturalmente quem é de verdade? Só porque está imersa numa realidade que não permite tanta preocupação com detalhes descartáveis?
Quando conheço alguém, reparo no jeito de andar. Reparo na boca também. Mas reparo principalmente no que tem pra me mostrar.
Num dia qualquer, vi uma pessoa qualquer postar no facebook: ''Quando alguém lhe disser que gosta de verde, pergunte 'por que?' ao invés de dizer que gosta de vermelho.''
Achei a frase essencial pra finalmente entender que qualquer pessoa tem muito a oferecer.
Diante de tanta coisa importante que carrega o ser humano, pra que vou eu reparar no quanto mede o diâmetro da sua cintura?
Não estou aqui pra relativizar beleza, isso seria desnecessariamente óbvio demais. Eu compreendo exatamente o que a maioria exalta e elege como padrão. Também não estou aqui pra defender celulite só porque tenho as minhas. Claro, claro que um corpo saudável e músculos avantajados são admiráveis. Mas daí dizer que uma pessoa é feia só porque é naturalmente quem é de verdade? Só porque está imersa numa realidade que não permite tanta preocupação com detalhes descartáveis?
Quando conheço alguém, reparo no jeito de andar. Reparo na boca também. Mas reparo principalmente no que tem pra me mostrar.
Num dia qualquer, vi uma pessoa qualquer postar no facebook: ''Quando alguém lhe disser que gosta de verde, pergunte 'por que?' ao invés de dizer que gosta de vermelho.''
Achei a frase essencial pra finalmente entender que qualquer pessoa tem muito a oferecer.
Diante de tanta coisa importante que carrega o ser humano, pra que vou eu reparar no quanto mede o diâmetro da sua cintura?
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