Pessoas transitam pela sala decorada com abajures à meia luz. Todos empenhados em satisfazer as exigências da ocasião.
Confraternização entre família e amigos. Todos entusiasmados em contemplar o novo ano e abraçar, mesmo que com falsidade, o maior número de pessoas possível.
E aquele casalzinho adolescente, ah, que horror. Simplesmente nem se levantam do sofá.
Não há quem não os olhe torto na festa. Todos comem, bebem, fingem se divertir.
Os avós abominam o namoro pecaminoso deles dois. No tempo deles não era assim.
Os pais desprezam, são vaidosos. Seus esforços em manter as aparências os toma tempo demais.
Os convidados agradecem por pelo menos tê-los como assunto que os ocupe e mantenha longe da comida; pelo menos pra disfarçar por alguns minutos.
Que casal abrutalhado, indecente, que romance inadequado.
E ela, elegante, sem precisar estar vestida de gala, nem pra exibir o manequim tem coragem de abandonar o namorado. Ela se arrumou para ele. De toda essa exuberância, dessa farta refeição e bebidas refinadas, ele ainda é seu mais saboroso prato.
Alguns contam suas conquistas em alto e bom som. Pra que serve ser bem sucedido se não para ser enaltecido entre os ''amigos''?
O carro do ano, a matricula do filho na melhor escola da região, a conquista de um título político na cidade...
Trajados à rigor, todos degustam aquela champanhe minuciosamente apropriada. Contam casos, dão gargalhadas forçadas.
Um coração sensível é capaz de observar que não estão felizes. Nenhum deles está feliz.
Ah, espere! Mas e quanto àquele casal?
Aquele casal abrutalhado, indecente...romance inadequado.
Depois de criticados em segredo durante a ceia, durante as preces e até enquanto soavam as músicas de boas-vindas ao novo ano, foram ignorados.
Vejam só! Insolentes! Não têm vergonha?
Ninguém os quer por perto. São desagradáveis. Indesejáveis!
São desagradáveis porque sua explícita paixão contamina quem está a volta.
Desagradam porque são invejáveis.
Que deselegantes! Que vergonhoso fazer-nos desejar sentir o desejo incontrolável idêntico ao deles.
Não há quem não troque essa merda de festa infeliz por um amor, por um sentimento de verdade.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Não é o tempo que passa rápido demais, nós é que estamos envelhecendo..
Curiosa a sensação de ver o tempo escapar por entre os dedos. Sua vida passa sem que sequer você perceba. Mudanças acontecem, pessoas desaparecem e onde você estava? Imerso em seus compromissos, na sua rotina diária.
E aí da saudade de sentar naquele velho banco de madeira daquele parque que te lembra a infância, observar as folhas caírem das árvores, sem nenhum compromisso que não seja o de estar bem consigo mesmo; em sintonia com a vida.
Eu, quando recobro consciência de mim, lembro que já faz mais de dez anos que andei de bicicleta pela primeira vez. E parece que foi ontem que acreditei que crescendo e envelhecendo seria mais feliz.
Tolo anseio.. A criança que quis ser adulta, trocaria tudo pra ser criança outra vez.
Escrevia todos os dias num pequeno diário cor-de-rosa com cadeado dourado. Lindíssimo! Presente muito delicado da minha mãe.
Todos os segredos, todos os medos e desejos eu imprimia naquelas folhas enfeitadas com adesivos.
As folhas perfumadas de caneta-gel desprenderam-se da brochura e se perderam ao longo dos anos. E tudo que lá esteve escrito, foi apagado.
E o mais interessante é que não são só os textos que se apagam. Memórias também são ofuscadas pelo tempo e as vezes quase somem. E aliás, sumiriam se não fossem as fotos, as histórias contadas entre amigos, as canções, as fragrâncias...
O mesmo Tempo que cura as ressacas, os amores não correspondidos e as derrotas, é o mesmo Tempo que deteriora a existência de tudo que é vivo.
Rugas surgirão, lembranças corroídas serão perdidas... E num piscar de olhos: Jaz aqui quem vos escrevia.
E aí o que é que sobra? Tudo bem. Esta é uma questão digna de não ser respondida.
Estranho uma espécie com 7 bilhões de exemplares estar fadada a um só destino.
Fantoches do Tempo. E além: Escravos do seu próprio Tempo perdido...
E aí da saudade de sentar naquele velho banco de madeira daquele parque que te lembra a infância, observar as folhas caírem das árvores, sem nenhum compromisso que não seja o de estar bem consigo mesmo; em sintonia com a vida.
Eu, quando recobro consciência de mim, lembro que já faz mais de dez anos que andei de bicicleta pela primeira vez. E parece que foi ontem que acreditei que crescendo e envelhecendo seria mais feliz.
Tolo anseio.. A criança que quis ser adulta, trocaria tudo pra ser criança outra vez.
Escrevia todos os dias num pequeno diário cor-de-rosa com cadeado dourado. Lindíssimo! Presente muito delicado da minha mãe.
Todos os segredos, todos os medos e desejos eu imprimia naquelas folhas enfeitadas com adesivos.
As folhas perfumadas de caneta-gel desprenderam-se da brochura e se perderam ao longo dos anos. E tudo que lá esteve escrito, foi apagado.
E o mais interessante é que não são só os textos que se apagam. Memórias também são ofuscadas pelo tempo e as vezes quase somem. E aliás, sumiriam se não fossem as fotos, as histórias contadas entre amigos, as canções, as fragrâncias...
O mesmo Tempo que cura as ressacas, os amores não correspondidos e as derrotas, é o mesmo Tempo que deteriora a existência de tudo que é vivo.
Rugas surgirão, lembranças corroídas serão perdidas... E num piscar de olhos: Jaz aqui quem vos escrevia.
E aí o que é que sobra? Tudo bem. Esta é uma questão digna de não ser respondida.
Estranho uma espécie com 7 bilhões de exemplares estar fadada a um só destino.
Fantoches do Tempo. E além: Escravos do seu próprio Tempo perdido...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Caixa
Eu já morri e não estou sabendo?
Esse desespero, esse não saber o que fazer é como estar numa caixa. Uma caixa que fiz questão de me guardar dentro.
Quatro lados estreitos, sem opção. Impossível realizar grandes movimentos.
Movo o dedo mindinho do pé, acho que já dei meu melhor. Nada muda.
Penso em abrir a caixa, mas não saber como é lá fora é uma ameaça.
Pensar que talvez, por menor e mais sufocante que seja, a caixa ainda é mais confortável que o vento frio do mundo, causa um sentimento de desonra. Sim... me causa vergonha.
Ninguém pode preferir um casulo feio no lugar de belas asas coloridas. Pelo menos, não por medo de aprender a voar.
Meu esforço é em vão. Tentar empurrar essas quatro paredes, só me torna mais pertencente a essa maldita prisão.
Essas amarras apertadas, essa morada amarga... Tão infortuna, tão protetora.
Nunca fui desgarrada. Eu sempre precisei andar de mãos dadas e essa mania de não querer crescer... Simplesmente me desgraça.
Eu sou minha própria mordaça, uma madrasta que não me deixa sair de casa.
Estou boicotando a mim mesma desde o dia que perdi minha única certeza: Eu achei que não precisaria me cuidar.
Não, não da. Eu vou ter que me arriscar, eu preciso crescer.
Quem dorme dentro de caixa é defunto. E quem mora dentro do útero é embrião.
Esse desespero, esse não saber o que fazer é como estar numa caixa. Uma caixa que fiz questão de me guardar dentro.
Quatro lados estreitos, sem opção. Impossível realizar grandes movimentos.
Movo o dedo mindinho do pé, acho que já dei meu melhor. Nada muda.
Penso em abrir a caixa, mas não saber como é lá fora é uma ameaça.
Pensar que talvez, por menor e mais sufocante que seja, a caixa ainda é mais confortável que o vento frio do mundo, causa um sentimento de desonra. Sim... me causa vergonha.
Ninguém pode preferir um casulo feio no lugar de belas asas coloridas. Pelo menos, não por medo de aprender a voar.
Meu esforço é em vão. Tentar empurrar essas quatro paredes, só me torna mais pertencente a essa maldita prisão.
Essas amarras apertadas, essa morada amarga... Tão infortuna, tão protetora.
Nunca fui desgarrada. Eu sempre precisei andar de mãos dadas e essa mania de não querer crescer... Simplesmente me desgraça.
Eu sou minha própria mordaça, uma madrasta que não me deixa sair de casa.
Estou boicotando a mim mesma desde o dia que perdi minha única certeza: Eu achei que não precisaria me cuidar.
Não, não da. Eu vou ter que me arriscar, eu preciso crescer.
Quem dorme dentro de caixa é defunto. E quem mora dentro do útero é embrião.
sábado, 12 de maio de 2012
Dor,
Eu já te superei com tanta dignidade.
Teve um tempo, que você parecia querer me matar. Éramos eu e você. Só nós duas tentando chegar num consenso. Você não me deixou comer, me fez emagrecer dez quilos em menos de dez dias.
Você era alimentada por uma inflamação que realmente quase me tirou a vida.
Anos depois, enquanto eu agradecia por você ter me tornado mais forte, você veio e tomou minha mãe de mim.
Era a minha única mãe, sabia? Você não precisava ter devastado a vida dela em menos de um ano. Não precisava ter resumido sua existência num corpo sem vida. E você penetrou o coração de todos enquanto isso ocorria. Você, com astúcia, se engastou na minha alma. Eu não me atrevia a reclamar. A sua crueldade era com a minha mãe. Ela foi a vítima da história que você confeccionou. Você, protagonista, junto com a Morte, sua coadjuvante, me fizeram derramar lágrimas que eu nem sabia que tinha guardadas.
Desde então Dor, você tem feito brincadeiras de mal gosto comigo.
Você aparece fraquinha e já quase me derruba. Essas suas rasteiras não tem a menor graça. Uma hora você pode quebrar as minhas pernas. Você me assusta. Nunca sei se aparece pra me ensinar ou pra constituir mais uma novela fúnebre. É sério, você me assusta.
Estou tentando sugar sua companhia pra ter qualquer aprendizado que seja. Mas por favor, deixe sua colega de estrada, a Morte, fora disso.
Falo sério. Eu tenho medo de morrer. Só não tenho mais medo de morrer do que tenho de ver a Morte outra vez.
Eu li tudo que era teu pra te ter perto de mim
Por dias incontáveis você esteve lá, vivendo sua vida. Lá longe... Tão distante.
Sem que soubesse da minha existência, eu segui seus passos e te admirei.
No começo, era incerto por não ser correto. Não se pode gostar demais do que não se pode ter.
E em vários momentos me flagrei com uma súbita vontade de espiar como você estava. Porque estranhamente, desde sempre eu quis teu bem.
Sutilmente, me fiz presente em algumas situações. Só pra mostrar que estive por ali.
Chegou um dia, que sem saber, eu te quis pra mim. Os motivos pra não tentar já não eram tão válidos assim. Era a desrazão humana me conduzindo até você.
Nunca fiz muita questão de ser notada. Eu só queria estar ali, participando dos teus dias, ser um pedaço da sua vida.
Eu deixei que tudo isso acontecesse sem perceber que sua importância já havia se instaurado nos meus dias. As tardes só existiam com você. Minha vida, eu só sentia se fosse com você.
Comecei a ler suas palavras e isso inspirava meu dia, era você ali, contido em cada sílaba. Você passou a ser pra mim o que quis ser pra você: Uma razão para sorrir.
Eu nunca tive intenção de te tomar pra mim. Eu queria você, mas não pensava em exclusividade. Não, não tente entender. Eu já te amava tanto, que sua existência era o suficiente pra minha alegria.
Sua existência a princípio, não era tão concreta, mas me movia a ler todos os dias tudo que era teu. E eu li tudo que era teu pra te ter perto de mim. E além: A cada palavra lida, mais vontade ainda de fazer parte da sua vida.
Inexplicavelmente, você voltou seus olhos para mim. Isso me surpreendeu e surpreende até hoje.
Ah, que lindo você. Que orgulho de você...
Você não sabe, mas você conseguiu mostrar o caminho de volta para mim.
Eu amo amar você.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Eu sei que estamos bem
''É difícil lembrar como era antes
Agora eu encontrei o amor da minha vida
Coisas passadas ficam mais confortáveis
Tudo está dando certo
E depois de todos os obstáculos
É bom vê-lo agora com outra pessoa
E é um milagre que eu e você ainda somos bons amigos
Depois de tudo que nós passamos
Eu sei que nós estamos bem
Eu sei que nós estamos bem
Costumávamos pensar que era impossível
Agora você me chama pelo meu novo sobrenome
Memórias parecem muito tempo atrás
O tempo sempre mata a dor... ''
(Cool - Gwen Stefani )
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Olhem para mim
''Loucos são os que nestes dias procuram reconhecimento.
Aprovação, elogio, gratidão, prestígio são elementos em que muitas vezes nem
nossas famílias podem nos prover.
A verdade é que o mundo é uma luta incessante entre pessoas disputando atenção.Chame como quiser: ''realização profissional'', ''lugar ao sol’’, ''carreira''...
Todos nós somos o que somos pra que alguém veja que somos. Bem mais fácil seria se todos tivessem o devido respeito e valor, não? Menos frustrações, menos doenças degenerativas...''
A verdade é que o mundo é uma luta incessante entre pessoas disputando atenção.Chame como quiser: ''realização profissional'', ''lugar ao sol’’, ''carreira''...
Todos nós somos o que somos pra que alguém veja que somos. Bem mais fácil seria se todos tivessem o devido respeito e valor, não? Menos frustrações, menos doenças degenerativas...''
''Sinto cada vez mais que é parte da minha personalidade
ostentar um título, já que me sinto tão pequena onde quer que eu vá.
O jaleco, a farda, um título, um salto alto. Qualquer coisa,
qualquer coisa MESMO que venha a substituir os cigarros e a loucura, vilões que
todo dia eu vejo assombrarem a vida das pessoas mais próximas de mim.''
(Abril, 2011 ~ Primeiro semestre na faculdade)
Não sei se sinto saudade, se acho engraçado ou se simplesmente constato: Esta sou eu, com uma pitada de racionalidade.
Mas joguei tudo fora. Joguei essa racionalidade no lixo. Eu
percebi que não dá pra refletir tudo de maneira tão crítica, tão ríspida, como
eu tentava fazer.
Mas não nego que era bom sublimar minha necessidade de aprovação com
dedicação aos estudos. Hoje, tudo que sei é clamar por olhares insinuosos pra
minhas atitudes autodestrutivas. Sim, mergulhei de cabeça no lago das
lamentações, da rebeldia oca, do descontentamento frívolo.
Num ato desesperado, resolvi provar meus temidos vilões.
Como já era de se esperar, me senti enaltecida de um jeito que nunca havia
saboreado antes. Foi bem apetitoso, enquanto durou.
Sensação estranha essa de ter vendido a alma a Belzebu. Tudo
é muito belo e colorido enquanto nossa parte do contrato é preenchida. Depois
as cores desbotam e tudo perde a graça. Mas sua alma... será
requisitada. Mais cedo ou mais tarde, ele virá te cobrar.
Vejam, vejam como sou adulta, destruindo minha própria pureza. Destroçando minha própria moral.
Olhem para mim, por favor! Me odeiem, me abominem.. Mas por favor, só olhem para mim...
Sórdida experiência, amarga consequência.
Mas me orgulho que pelo menos agora estou viva. Minha vida está em minhas próprias mãos pra ser vivida.
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