A cada 24 horas, renovo meus costumes. Eu que sempre detestei mudanças, hoje me sinto pertencente a essa vida conturbada e imprevisível.
Já não sinto ódio pelas mudanças, mas não significa que não sou sensível à elas.
Ver uma clínica de estética, sóbria, fria e cinzenta no lugar do pequeno hotel colorido com cores quentes e decorado com o táxi amarelo vintage, me fez derramar uma lágrima.
Para qualquer espectador que me visse de forma rasa e breve, apenas de passagem pela avenida, pareceria uma irritação ocular, ou quem sabe um pequeno cisco. Mas de forma introspectiva, no meu mais íntimo eu, estava a me despedaçar.
Da mesma forma me senti ao esbarrar com a porta fechada do bar onde costumava ir quase todos os dias.
Como não bastasse o desgaste das lembranças, as coisas concretas que sobram dos tempos alegres, simplesmente desmoronam.
E de forma infantil e egoísta, fico a me perguntar com que direito o mundo foge do meu controle sem que eu tenha permitido.
Quando me olho no espelho e percebo que algumas mudanças foram minhas escolhas e portanto são reversíveis, não me incomodo. Se hoje sou ruiva, amanhã posso ser loira e quem sabe depois morena. Mas se me deparo com sutis marcas de expressão que representam o próprio tempo estampado em meu rosto, entro em desespero.
Pensava estar lidando bem com a incerteza, com as possíveis surpresas do amanhã. Mas então, tenho recaídas e percebo que alguma certeza me cairia bem agora. Algum aconchego em um abraço repleto de segurança. Porque é fato que a vida nos ensina a buscar nossas conquistas. Mas quem nunca desejou, em algum momento, ser conquistado? Quem nunca desejou ter alguém pra confiar afetos fixos, que por ingenuidade, acreditamos ser definitivos?
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Felicidade
O que é a felicidade se não a abstração de todos os nossos desejos narcísicos reunidos no que acreditamos ser um estado de espírito?
''Felicidade não existe. '' - Disse a professora logo após uma breve apresentação do conteúdo programático. ''E por que não existe? ''- Perguntei.
''Porque não apresenta manifestação fisiológica.''
Comecei então a refletir sobre os sintomas que as emoções em geral provocam em mim. Finalmente, então, descobri porque tantos dizem que alegria é diferente de felicidade. Sim, é diferente. É diferente porque de fato felicidade não existe.
Ainda sobre este mesmo tema, comecei a refletir que existem mais nomes para emoções negativas do que para as positivas, além de melhores e mais abrangentes definições. Se estou triste, ansiosa, com medo, angustiada, sinto dores no peito, choro, tremo. Se estou alegre, apenas sorrio.
''Felicidade não existe. '' - Disse a professora logo após uma breve apresentação do conteúdo programático. ''E por que não existe? ''- Perguntei.
''Porque não apresenta manifestação fisiológica.''
Comecei então a refletir sobre os sintomas que as emoções em geral provocam em mim. Finalmente, então, descobri porque tantos dizem que alegria é diferente de felicidade. Sim, é diferente. É diferente porque de fato felicidade não existe.
Ainda sobre este mesmo tema, comecei a refletir que existem mais nomes para emoções negativas do que para as positivas, além de melhores e mais abrangentes definições. Se estou triste, ansiosa, com medo, angustiada, sinto dores no peito, choro, tremo. Se estou alegre, apenas sorrio.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
domingo, 27 de janeiro de 2013
Em terceira pessoa, pra abster-me de falar de mim
Bate forte em seu córtex frontal, pressiona suas têmporas, range os dentes e estala os dedos. Não é capaz de sequer esboçar um sorriso porque sabe o quanto sua felicidade anda frágil ultimamente.
Em seu futuro, vê sucesso. Sabe exatamente onde colocar cada tostão que está por vir, mas sabe também que o essencial não se compra.
Embora tenha aprendido a apreciar a lua, não quer fazê-lo sozinha. Embora acredite amar alguém, não é capaz de escrever qualquer palavra a respeito disso.
Aponta o dedo à face alheia. Implora pra que não tenham medo, mas sabe que no fundo só sabe temer.
Aprendeu que quanto mais se conhece, mais é necessário regredir no tempo. Que quanto mais profunda é uma questão, também mais antiga ela é. Quantos e quantos traumas engastados na alma ainda serão descobertos?
Passou toda a vida acreditando que a felicidade chegaria em forma de olhos brilhantes e cabelos bonitos. Que qualquer afago serviria de consolo. Que qualquer ombro seria suficientemente confortável. Esqueceu-se que não pode dar a outro o que é de sua exclusiva responsabilidade.
Já não é mais novidade que terá que construir consigo própria seus objetivos. Que terá que conseguir preencher sozinha seus vazios.
Está aflita. Se sente velha. É sozinha. Mas não está certa de que quer ser sozinha. Talvez queira ser pega pelo braço, talvez queira sim ser companhia.
Em seu futuro, vê sucesso. Sabe exatamente onde colocar cada tostão que está por vir, mas sabe também que o essencial não se compra.
Embora tenha aprendido a apreciar a lua, não quer fazê-lo sozinha. Embora acredite amar alguém, não é capaz de escrever qualquer palavra a respeito disso.
Aponta o dedo à face alheia. Implora pra que não tenham medo, mas sabe que no fundo só sabe temer.
Aprendeu que quanto mais se conhece, mais é necessário regredir no tempo. Que quanto mais profunda é uma questão, também mais antiga ela é. Quantos e quantos traumas engastados na alma ainda serão descobertos?
Passou toda a vida acreditando que a felicidade chegaria em forma de olhos brilhantes e cabelos bonitos. Que qualquer afago serviria de consolo. Que qualquer ombro seria suficientemente confortável. Esqueceu-se que não pode dar a outro o que é de sua exclusiva responsabilidade.
Já não é mais novidade que terá que construir consigo própria seus objetivos. Que terá que conseguir preencher sozinha seus vazios.
Está aflita. Se sente velha. É sozinha. Mas não está certa de que quer ser sozinha. Talvez queira ser pega pelo braço, talvez queira sim ser companhia.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Tudo é tudo e tudo é nada
Embora relativamente confuso, verdadeiramente difuso, esse arsenal de boas recordações é o bem mais valioso que carrego hoje.
O futuro nunca pareceu tão incerto. Incerto como uma melodia que destoa, tensiona os ouvidos sem pretender qualquer alívio, sem prometer nenhuma resposta.
E é destes acordes dissonantes que componho uma música ilógica que retumba nas paredes escorregadias dessa minha alma carente de tudo.
E essa composição aniquila todas as certezas que a cada dia se tornam mais descartáveis, considerando minha busca por aquilo que todos clamam: uma tal de felicidade.
Desse poucos segundos de inspiração pueril e covarde, desfruto quase nada. Desperdiçando a escassa criatividade procurando dar sentido às palavras.
Desses rabiscos, dessas questões, dessa inquietude, só quero ainda mais. Porque aprendi que em paz não se cria nada. Descobri que é no caos que se faz necessária a dúvida e quem sabe até a esperança.
Quando confortavelmente inerte, não existe anseio. Portanto, quero mais é que o mundo gire rápido. Quero mais é que o caos transborde para fora do meu controle. Quero mais é que a vida se faça como bem tiver que se fazer.
Porque o meu bem eu encontrei num estado chamado instabilidade.
O futuro nunca pareceu tão incerto. Incerto como uma melodia que destoa, tensiona os ouvidos sem pretender qualquer alívio, sem prometer nenhuma resposta.
E é destes acordes dissonantes que componho uma música ilógica que retumba nas paredes escorregadias dessa minha alma carente de tudo.
E essa composição aniquila todas as certezas que a cada dia se tornam mais descartáveis, considerando minha busca por aquilo que todos clamam: uma tal de felicidade.
Desse poucos segundos de inspiração pueril e covarde, desfruto quase nada. Desperdiçando a escassa criatividade procurando dar sentido às palavras.
Desses rabiscos, dessas questões, dessa inquietude, só quero ainda mais. Porque aprendi que em paz não se cria nada. Descobri que é no caos que se faz necessária a dúvida e quem sabe até a esperança.
Quando confortavelmente inerte, não existe anseio. Portanto, quero mais é que o mundo gire rápido. Quero mais é que o caos transborde para fora do meu controle. Quero mais é que a vida se faça como bem tiver que se fazer.
Porque o meu bem eu encontrei num estado chamado instabilidade.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Dos momentos, da saudade e da despedida.
Não, sério, eu to bem.
Eu to é com saudade. Mas é saudade do que não volta mais.
Momentos morrem assim como pessoas morrem também.
E pessoas morrem todos os dias em nossas construções ideais. Porque são pessoas, não são telas de projeção.
E esses erros sempre vão nos acometer. São nossas necessidades gritando alto, pedindo pra que ajustemos a realidade a nossa favor.
Se apaixonar por alguém é altamente fácil, sobretudo quando as duas partes querem estar apaixonadas. Mas amar... Amar é difícil, requer dedicação que as vezes não temos nem conosco.
E as vezes, por mais que exista amor, ele implica em algo com o qual não somos capazes de lidar em determinadas circunstâncias ou fases da vida.
Ei, menino!
Você é lindo! Você tem nas mãos todas as ferramentas necessárias pra ser quem você quiser. E é exclusivamente você quem vai determinar quem quer ser.
Obrigada por todos os momentos sinceros. Obrigada por ter se preocupado comigo e ao mesmo tempo ter me ensinado a me preocupar com alguém (que fico feliz que tenha sido você).
Eu precisava aprender que esse tipo de felicidade existe sim.
Me desculpa por não saber lidar com tantas questões, por ser impaciente, por ser imediatista (como você sempre me disse) e principalmente por ser tão orgulhosa quanto você.
Vamos guardar conosco aqueles sorrisos, aqueles beijos, aquelas caminhadas até o metrô. Vamos lembrar das madrugadas que passamos acordados sonhando com a presença física que sempre nos fez tanta falta. Das nuances da luz do quarto causadas pela cortina vermelha. Aliás, eu lembro até das estampas dos lençóis das camas. Sem nenhuma dúvida, derramarei uma lágrima toda vez que passar por aquele pedaço da avenida. Mesmo que daqui dez ou quinze anos, construam qualquer outra coisa no lugar daquele pequenino hotel.
E das tardes alegres que passávamos antes de nos darmos conta de todas as dificuldades que a vida nos traria?
O primeiro ''eu te amo'' verdadeiramente significativo em toda minha curta existência, contido nas letrinhas miúdas da tela do celular.
Ah, menino, como te amei, como dói que não tenha dado certo mesmo depois das desgastantes tentativas.
É, foi amor. Mas vamos torcer que tenha sido só o primeiro. Sem culpa, sem mágoa.
Vamos carregar pra sempre as brincadeiras, as lágrimas e os objetivos compartilhados. Mas, sobretudo vamos guardar seguramente o que aprendemos um com o outro e com o que vivemos.
Eu me comprometo a lembrar disso tudo pra sempre com todo carinho. Repito, é um compromisso.
E quanto a minha promessa, não se preocupe, continuarei sempre a honra-la. Nem perca seu tempo me pedindo pra ir embora. Eu estarei aqui. Mas não como sempre estive antes.
Não dá pra ficar e almejar que um dia você volte, mas também é impossível não estar aqui pra tudo que precisar.
Não somos mais um do outro, mas fomos. E essa é a dívida que tenho contigo: ser sua amiga, mesmo que bem distante.
Seja feliz, voe o mais alto que puder e continue a se cuidar, como sempre fez.
''And I wonder when I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I'll ever ask of you
You've gotta promise not to stop when I say when... ''
Eu to é com saudade. Mas é saudade do que não volta mais.
Momentos morrem assim como pessoas morrem também.
E pessoas morrem todos os dias em nossas construções ideais. Porque são pessoas, não são telas de projeção.
E esses erros sempre vão nos acometer. São nossas necessidades gritando alto, pedindo pra que ajustemos a realidade a nossa favor.
Se apaixonar por alguém é altamente fácil, sobretudo quando as duas partes querem estar apaixonadas. Mas amar... Amar é difícil, requer dedicação que as vezes não temos nem conosco.
E as vezes, por mais que exista amor, ele implica em algo com o qual não somos capazes de lidar em determinadas circunstâncias ou fases da vida.
Ei, menino!
Você é lindo! Você tem nas mãos todas as ferramentas necessárias pra ser quem você quiser. E é exclusivamente você quem vai determinar quem quer ser.
Obrigada por todos os momentos sinceros. Obrigada por ter se preocupado comigo e ao mesmo tempo ter me ensinado a me preocupar com alguém (que fico feliz que tenha sido você).
Eu precisava aprender que esse tipo de felicidade existe sim.
Me desculpa por não saber lidar com tantas questões, por ser impaciente, por ser imediatista (como você sempre me disse) e principalmente por ser tão orgulhosa quanto você.
Vamos guardar conosco aqueles sorrisos, aqueles beijos, aquelas caminhadas até o metrô. Vamos lembrar das madrugadas que passamos acordados sonhando com a presença física que sempre nos fez tanta falta. Das nuances da luz do quarto causadas pela cortina vermelha. Aliás, eu lembro até das estampas dos lençóis das camas. Sem nenhuma dúvida, derramarei uma lágrima toda vez que passar por aquele pedaço da avenida. Mesmo que daqui dez ou quinze anos, construam qualquer outra coisa no lugar daquele pequenino hotel.
E das tardes alegres que passávamos antes de nos darmos conta de todas as dificuldades que a vida nos traria?
O primeiro ''eu te amo'' verdadeiramente significativo em toda minha curta existência, contido nas letrinhas miúdas da tela do celular.
Ah, menino, como te amei, como dói que não tenha dado certo mesmo depois das desgastantes tentativas.
É, foi amor. Mas vamos torcer que tenha sido só o primeiro. Sem culpa, sem mágoa.
Vamos carregar pra sempre as brincadeiras, as lágrimas e os objetivos compartilhados. Mas, sobretudo vamos guardar seguramente o que aprendemos um com o outro e com o que vivemos.
Eu me comprometo a lembrar disso tudo pra sempre com todo carinho. Repito, é um compromisso.
E quanto a minha promessa, não se preocupe, continuarei sempre a honra-la. Nem perca seu tempo me pedindo pra ir embora. Eu estarei aqui. Mas não como sempre estive antes.
Não dá pra ficar e almejar que um dia você volte, mas também é impossível não estar aqui pra tudo que precisar.
Não somos mais um do outro, mas fomos. E essa é a dívida que tenho contigo: ser sua amiga, mesmo que bem distante.
Seja feliz, voe o mais alto que puder e continue a se cuidar, como sempre fez.
''And I wonder when I sing along with you
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again
The only thing I'll ever ask of you
You've gotta promise not to stop when I say when... ''
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O outro
Falta de sensibilidade e empatia, sobretudo na instituição familiar, me causa ânsia de vômito.
Seria pretensão demais esperar que quem está calejado e viciado em maus costumes compreenda a gravidade que tem um julgamento.
O outro sempre será mal visto e sempre terá problemas menores, menos disposição, menos capacidade, menos...e sempre menos.
Engraçado como, eu mesma, já resolvi os problemas das pessoas ao meu redor mais de cem vezes dentro da minha própria cabeça. No entanto, não consigo resolver os meus próprios. Irônico, não?
A vida do outro é sempre facilmente solucionável, enquanto a nossa própria não tem solução. O outro sempre está numa situação mais favorável e apenas ele próprio não enxerga.
Porém, se o outro tem o mesmo problema que eu, aí sim merece ser respeitado. Mas apenas se for o mesmo problema que eu. Nem mais e nem menos, apenas na medida que se iguale a mim.
O outro é sempre menos, porque o outro não sou eu, correto?
Afinal, Narciso acha feio tudo que não é espelho.
Seria pretensão demais esperar que quem está calejado e viciado em maus costumes compreenda a gravidade que tem um julgamento.
O outro sempre será mal visto e sempre terá problemas menores, menos disposição, menos capacidade, menos...e sempre menos.
Engraçado como, eu mesma, já resolvi os problemas das pessoas ao meu redor mais de cem vezes dentro da minha própria cabeça. No entanto, não consigo resolver os meus próprios. Irônico, não?
A vida do outro é sempre facilmente solucionável, enquanto a nossa própria não tem solução. O outro sempre está numa situação mais favorável e apenas ele próprio não enxerga.
Porém, se o outro tem o mesmo problema que eu, aí sim merece ser respeitado. Mas apenas se for o mesmo problema que eu. Nem mais e nem menos, apenas na medida que se iguale a mim.
O outro é sempre menos, porque o outro não sou eu, correto?
Afinal, Narciso acha feio tudo que não é espelho.
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